Em 2021, o número de titulações de mestrado e doutorado na USP, Unesp e Unicamp caiu 25%, ano em que se formaram 5.600 mestres e 3.623 doutores, o menor número de titulações desde 2011.
Para comentar a falta de interesse dos jovens brasileiros em programas de pós-graduação, o TVGGN 20H desta segunda-feira (23) recebeu Anderson Correia, reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ex-presidente da CAPES e doutor em Engenharia pela Universidade de Calgary, no Canadá.
Correia pontuou que o desinteresse foi criado por gestões anteriores, tendo em vista o congelamento das bolsas do CNPq e da Capes. “Neste ano, a situação das bolsas melhorou bastante. Elas estavam congeladas fazia muito tempo e já estavam perdendo o atrativo. As pessoas estavam deixando de fazer pós-graduação, porque a bolsa era tão pequena”, comentou o convidado.
Em fevereiro, o governo federal anunciou reajuste de 25% a 200% das bolsas estudantis de 258 mil bolsistas atendidos pelo CNPq e CAPES. Ainda assim, o valor não se compara ao auxílio pago anos atrás, segundo Correia.
“Lembro que quando fiz meu mestrado pela Fapesp 25 anos atrás, a bolsa era de oito salários mínimos. Hoje, a bolsa chegou a R$ 1.500. Agora aumentou para um valor bem melhor, mas ainda não é o ideal”, complementa o entrevistado, ressaltando que “nenhum país consegue avançar sem a pesquisa de alto nível”.
ITA e Embraer
Anderson Correia reafirmou ainda a importância do programa de mestrado de engenharia do ITA, que em parceria com a Embraer, empregou 2 mil dos 5 mil engenheiros da fabricante de aviões comerciais nos últimos 20 anos.
“A própria Embraer afirma que se não fossem os programas [de mestrado do ITA], ela não teria a mesma capacidade de exportação”, comemora o reitor.
Atualmente, a cada oito segundos, um avião comercial decola no mundo. Um deles é o cargueiro KC-390, que ganhou evidência na mídia pelo emprego na operação de repatriação de brasileiros em Israel. Este modelo foi desenvolvido por mestrandos do ITA.
Mas mesmo com toda a expertise da Embraer na produção de aviões comerciais, boa parte deles é exportada. “Mas não é por má vontade [das companhias aéreas], é uma questão de infraestrutura. Tem aeroportos no Brasil que não têm condições de receber um avião da Embraer, pois não estão preparados, não têm pista”, aponta Correia.
Assista a entrevista completa:
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