Tempo revelador este 2015, um espelho mágico expondo o homem por trás do homem. Nele, Eduardo Cunha é o patético, mas não é o único.

Eu vivi os tempos do bruxo.
Jamais o vi, mas sabia que ele estava lá. Atrás de cada evento que eu vivia. Todos sabiam. General Golbery do Couto e Silva – “O Bruxo”. Era a eminência parda por excelência. As sombras eram sua fonte de poder. Reverenciava-as.
Faço essa introdução com a figura do Bruxo para meditar sobre Eduardo Cunha. As sombras também seriam seu habitat natural, dada sua atividade parlamentar – um “facilitador”. Por mais de uma década, foi na meia luz bismarckiana que negociou a feitura das leis, se não das salsichas.
Tornou-se milionário e poderoso – temido.
O que levou-o a buscar o proscênio?
Cunha não é um tolo, sabia que a presidência da Câmara o exporia e que expor-se seria fatal. Cunha não precisava disso para manter-se no poder. Aliás, ter um fantoche seu naquele posto o faria muito mais poderoso.
O que levou-o a buscar o proscênio?
Interessante, o homem atrás do homem.
Assaz interessante como este tempo extremado, de crise revelou o homem atrás do homem. Tempos da mariposa.
Nele, Eduardo Cunha é o patético, mas não é o único.
O brasileiro intolerante e agressor por trás do brasileiro laissez-faire.
O Aécio Neves menino birrento por trás do herdeiro de Tancredo – o negociador.
A Marta Suplicy oportunista por trás da companheira de lutas.
O Alckmin violento por trás do cristão devoto.
O Temer traidor e ridículo por trás do Temer circunspecto e ponderado.
O FHC malandro-otário por traz do FHC intelectual.
O Hélio Bicudo rancoroso por atrás do Hélio Bicudo ético.
Por trás do Eduardo Cunha maquiavélico, o Eduardo Cunha com alma de mariposa suicida que queima suas asas contra a irresistível luz das lâmpadas dos holofotes.
Das sombras do tempo o bruxo sorri sarcástico.
PS1: do capítulo anterior, A defesa de Eduardo Cunha e a bunda da Paolla Oliveira
PS2: a Oficina de Concertos Gerais e Poesia apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

Anna Dutra
20 de dezembro de 2015 1:48 pmDualidade, Complexidade, Sagacidade
E ao fitarmos o espelho reconhecemos ali o duplo. O outro. Nós.
Resgate interessante. Apesar da inequívoca associação e da conjuntura absolutamente propícia a metáforas, comparações e espelhamentos, não lembro de ter visto nenhum outro autor resgatar o Bruxo; figura de forte simbolismo e que me parece um tanto obliterada por outros personagens, também representativos deste momento.
Este Mago, sagaz e inteligente, foi substituído nas narrativas por Feiticeiros de menor “estatura”, sem seu refinamento; operadores brutais, vorazes, apressados. Ladinos, inescrupulosos; anos-luz distantes do Mago-Bruxo e sua “elegância”.
Bacana este post.
Abraço Sergio.