5 de junho de 2026

O discurso de Oscar que explicou o maior “não” à NBA na história do esporte

Ao ser imortalizado no Hall da Fama, o "Mão Santa" detalhou como recusou a liga americana para priorizar a Seleção Brasileira
Reprodução: Globo Esporte

Em um dos momentos mais emblemáticos da história do esporte mundial, Oscar Schmidt subiu ao palco do Symphony Hall, em Springfield, para ser oficialmente incluído no Hall da Fama do Basquete, em 2013. Mais do que uma formalidade, a cerimônia acabou marcada por uma aula de amor ao país. Em seu discurso, o “Mão Santa” detalhou os bastidores da decisão que moldou sua carreira: o dia em que disse não à NBA para não abrir mão de vestir a camisa do Brasil. Confira o discurso ao final da matéria.

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A soberania da camisa verde e amarela

Oscar relembrou que, em 1984, foi escolhido pelo New Jersey Nets na 131ª posição do Draft. A proposta era um contrato garantido para atuar na maior liga do mundo. No entanto, as regras da época eram rígidas: a Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) impedia que jogadores da NBA defendessem as suas seleções nacionais, sob o argumento de que o nível profissional da liga americana desequilibraria as competições internacionais.

“Eu disse: ‘Muito obrigado, mas se eu jogar uma partida aqui, nunca mais poderei jogar pela minha seleção’. Eu abri mão da NBA para ficar com o meu país”, afirmou Oscar, sob aplausos. A escolha permitiu que ele se tornasse o maior cestinha da história da Seleção Brasileira, com impressionantes 7.693 pontos.

A decisão provou-se certeira em 1987, quando Oscar liderou o Brasil na histórica vitória sobre os Estados Unidos, dentro da casa deles, conquistando o ouro no Pan de Indianápolis, feito que ele classificou como “a maior coisa que já fiz no basquete”.

Carreira na Europa e obsessão pelo treino

Impedido de ir aos EUA sem perder o vínculo com o Brasil, Oscar construiu uma carreira lendária na Europa, com passagens marcantes pela Itália (Juvecaserta e Pavia) e Espanha (Valladolid). Mesmo após 1989, quando a regra da FIBA caiu e os jogadores da NBA foram liberados para as seleções, o brasileiro optou por seguir seu caminho fora da liga americana, mantendo sua lealdade aos projetos que já integrava.

No altar do basquete, Oscar reafirmou a disciplina quase religiosa que o consagrou. “Deus me fez um lutador, um cara que praticou mais do que qualquer um aqui”, declarou, enfatizando que sua precisão não era um dom, mas fruto de horas exaustivas de repetição após o término dos treinos oficiais.

O discurso foi encerrado com uma homenagem comovente à sua família. Oscar dedicou a honraria à sua esposa, Cristina, sua companheira há décadas e suporte fundamental em sua trajetória.

Ao ser introduzido por seu ídolo Larry Bird, Oscar Schmidt não apenas entrou para o templo do basquete; ele reafirmou que a glória máxima de um atleta pode residir na preservação da identidade nacional e na lealdade às raízes, acima dos holofotes e das cifras do mercado norte-americano.

Confira a transcrição do discurso abaixo:

“Quero agradecer ao Hall da Fama por me colocar aqui. Esta é a maior honra que qualquer pessoa no mundo pode ter. Não existe nada melhor do que isso e eu não consigo acreditar que estou aqui. Sonhei a vida inteira em estar neste lugar.

Muitas pessoas aqui estão se perguntando por que este cara nunca jogou na NBA. Eu vou explicar para vocês. Em 1984, o New Jersey Nets me escolheu no Draft, na sexta rodada. Eu fui a escolha número 131 e eles vieram me oferecer um contrato garantido para jogar no Nets. E eu disse: ‘Muito obrigado. Mas se eu jogar uma única partida aqui, eu nunca mais poderei jogar pela minha seleção nacional. Nunca mais’. Então, eu recusei a NBA para continuar com a minha seleção.

Três anos depois, em 1987, nós vencemos os americanos aqui nos Estados Unidos. Desculpem [risos]. E aquela foi a maior coisa que eu já fiz no basquete.

Devo agradecer a Deus. Deus me fez uma pessoa humilde, um lutador, um cara que praticou mais do que qualquer um aqui. Não tenho dúvidas disso. Vocês não teriam tempo para fazer o que eu fiz nos treinos.

E, por último, quero agradecer à minha família, minha namorada [esposa]… agradeço por tudo. Estamos juntos há 38 anos e espero estar com você até o dia que eu morrer. Obrigado.”

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Mário Mendonça

    19 de abril de 2026 10:26 am

    Um ídolo de verdade!

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