O levantamento das críticas contra Joaquim Barbosa

É bobagem ligar as críticas a Joaquim Barbosa a qualquer tentativa de anulação da AP 470. As sentenças estão dadas. E é enorme bobagem julgar que as críticas se restringem ao PT e aos correligionários dos políticos presos. As críticas são amplas e partem dos mais diversos setores, incluindo vários que apoiaram e estimularam as condenações.

Ai vai uma pequena seleção de condenações ao estilo agressivo de Joaquim Barbosa. Peço que vocês tragam mais declarações, para um levantamento mais completo sobre a inacreditável lista de conflitos inúteis alimentados por ele.

Presidente da Associação de Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), Pio Giovani Dresch
“Há tempo víamos no Supremo debates que ultrapassavam os limites da divergência civilizada, depondo contra o prestígio do Judiciário e da magistratura, mas chegamos a tal nível de desrespeito que já não é possível tolerar a falta de compostura de quem deveria dar o exemplo aos demais juízes e à cidadania”, diz.

Futuro presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), juiz João Ricardo dos Santos Costa
“O processo já estava com o juiz designado e agora foi trocado o juiz e a motivação eu não entendi. Mas é sempre preocupante esse tipo de procedimento, quando o juiz é trocado da jurisdição sem maiores explicações”, afirmou. “Não vamos admitir o que tem acontecido no âmbito político em relação a este processo.

Jornalista Elio Gaspari
Há ministros que se detestam, mas todos procuram manter o nível do debate. As interpelações de Barbosa baixam-no, envenenando o ambiente. Seriam coisas da vida, mas pode-se remediá-las. Na Corte Suprema americana, antes que comecem os debates (fechados), o presidente John Roberts vai para a porta da sala e começa uma sessão de gentilezas, na qual todos os juízes se cumprimentam. Na saída, ele se apressa, volta ao lugar e recomeça o ritual. Boa ideia. Evitaria a cena de salão de sinuca ocorrida depois da sessão de quinta-feira.

Cientista politico André Singer
O último destempero de Joaquim Barbosa, ao agredir de maneira ofensiva o ministro Ricardo Lewandowski em sessão sobre a ação penal 470 na última quinta-feira, pode vir a consolidar um diagnóstico (negativo) a respeito da personalidade pública do atual presidente do Supremo Tribunal Federal.
Se, como relator, ele já havia apresentado indícios de intolerância e autoritarismo, o uso do poder conferido pela presidência (rotativa) da Casa para tentar fazer calar com insultos um par que dele discordava denotou falta de capacidade institucional.

50 comentários

  1. JB

    Mais uma vez, como disse no comentário matinal: não há dúvida que ele é assim; é sem dúvida bobagem imaginar qualquer retorno na AP 470. Não tenho dúvida, porém, de que o pior aí é seu oportunismo em tentar se tornar o “ministro da Vingança de Deus” para atender seus objetivos pessoais e políticos. Representa um papel e todos estão entrando na dele: críticos sensatos, eleitores ingênuos, mídia e oposição. Quem viver, verá.

  2. Em outras palavras, nenhum

    Em outras palavras, nenhum dos juristas notou que Barbosa nao entende porcaria nenhuma de juridica nem de penalidades.

  3. Estou esperando o momento oportuno…

    Caro Nassif e amigos do blog.

    Procurei rapidamente e não vi nenhum referencia no blog sobre a entrevista de Joaquim Barbosa na Folha Politica para Miriam Leitão (sic!) e nessa entrevista ele se queixa da “perseguição” de alguns setores da mídia e de blogues anônimos.

    Ora, é interessante o ato falho: ALGUNS SETORES DA MÍDIA!

    Ele sabe que há setores que o apoia e o incentiva a se comportar como verdadeiro imperador de uma republica das bananas.

    E manda explicitamente a ameaça direta:

    “…Nos últimos meses, venho sendo objeto de ataques também por parte de uma mídia subterrânea, inclusive blogs anônimos. Só faço um alerta: a Constituição brasileira proíbe o anonimato, eu teria meios de, no momento devido, através do Judiciário, identificar quem são essas pessoas e quem as financia. Eu me permito o direito de aguardar o momento oportuno para desmascarar esses bandidos”….

    Ou seja, o imperador Joaquim Barbosa não aceita crítica!

    Adora holofotes, câmeras e flashes, mas não aceito nenhuma crítica!

    http://www.folhapolitica.org/2013/07/estou-esperando-o-momento-oportuno-para.html

  4. Uma favorável…

    Barbosa: vítima de um preconceito deplorável

    Por Miguel Dias Pinheiro*

    quinta, 28 de novembro de 2013 • 11:00

    Questão polêmica no mundo inteiro é a relacionada com o preconceito e a discriminação. O problema é tão sério que no caso do Brasil fomos obrigados a conviver com duas legislações específicas para o caso. A primeira, de natureza didática, dispõe sobre o preconceito de raça ou de cor. A segunda, que veio em auxílio da primeira, estabelece os casos de injúria grave os crimes de preconceito, discriminação, impondo ao ofensor a pena de reclusão.

    Na década de 90, o estrangeiro Siegfried Ellwanger publicou mensagens raciais e discriminatórias e semeou, na época, sentimentos de ódio, desprezo e preconceito. Quando vinha a público, usava atributos pejorativos comparados àqueles em que alguém chama outro de “negro” ou “branquela”, chegando a afirmar que “o Brasil é uma carniça monstruosa ao luar, com uma urubuzada que o devora”. Foi processado e condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, cuja Corte entendeu que as agressões diziam respeito à dignidade dos cidadãos de um modo geral, que teria sido execrada pública e indistintamente.

    Com as prisões dos mensaleiros José Dirceu e José Genoino, o Brasil assiste agora as mais grosseiras e variadas ofensas ao ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal. Todas recheadas de cunho racista, com uma agressão nítida ao direito de manifestação, da liberdade de opinar, criticar, discutir e propagar opiniões.

    Abusam – claro! – de uma liberdade de manifestação ditada pelo texto constitucional, inspirada em Sócrates e na célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, quando se insurgem contra as posições do ministro de forma pejorativa, deixando evidente um sentimento de preconceito e de discriminação. Agridem, pois, o preceito constitucional de que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, que, ofendido, pune-se a prática de qualquer “discriminação atentatória aos direitos e liberdades”, obrigando a todos que residem no país a promoverem o bem, “sem preconceitos de origem, raça, cor, sexo, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

    Queiram ou não, nosso povo hoje tem outra conscientização, haja vista que a ampla discussão em torno do problema do racismo, por exemplo, tomou contornos de repercussão geral.

    O caso Joaquim Barbosa é um típico crime de racismo de interesse nacional. Vítima clara de um preconceito nojento, o imbróglio envolvendo petistas condenados, presos em Brasília, aflorou de forma grave uma aversão ao ministro, com suspeitas de que ainda é forte no Brasil o sentimento deplorável e repugnante de separar, de apartar e de segregar, o negro do branco, gerando a intolerância, o ódio e a aversão à cor da pele.

    Definitivamente, em relação ao presidente do Supremo Tribunal Federal, estão a jogar na lata de lixo o espírito igualitário, deixando transparecer que a prática do preconceito e da discriminação é uma questão de mentalidade corrompida, cujas formas injuriosas descambam para a agressão rasteira e descabida.

    Nossa “elite” nunca citou a cor da pele de Joaquim Barbosa quando o ministro defendeu cotas no STF, mesmo sob o argumento de que o comportamento daqueles contrários às cotas demonstraria um fanatismo perigoso e reacionário dessas pessoas. É óbvio que os racistas são contra cotas. Mas, isso não indica que ser contra cotas seja o mesmo do que ser contra negros. Muito pelo contrário!

    Certa feita, como nos lembra Flávio Morgenstern, “uma menina falou em afogar nordestino que vota na Dilma, quase deu cadeia. Uma turma do PT diz que Barbosa não entra na Casa Grande, está tudo ok. Afinal, é pelo partido. E contra os velhos preconceitos da velha elite e da velha mídia. Afinal, se um negro estudou e entrou no STF, não é mérito dele (onde já se viu negro ter mérito?!), e, sim, do partido de Lula e de Dilma que o colocou lá (por ser negro?; e colocou o Dias Toffoli lá para quê? por ser branco?)”.

    O que essa cambada desejava – e deseja – é que o competente Joaquim Barbosa deva – como devesse – ser subserviente e parcial a tudo que interessava – e interessa – ao Partido dos Trabalhadores. Sobretudo como juiz do STF nomeado por Lula. Muitos, por exemplo, só conseguem olhar para o ministro com um viés racista: “É um negro!” “Era da cota do Lula”. Como diz Morgenster, “os preconceituosos não conseguem enxergar seres humanos independentemente de cor de pele, considerando-se um deplorável racismo que um dos ministros acusadores seja sempre lembrado como “um negro” quando atacado”.

    Qual a norma, então, está sendo aplicada por essa corja de racistas? A de propagar, claro, um camuflado tratamento racial igualitário, em que defendemos os negros, e por isso os negros devem nos obedecer e dizer “sim, senhor”. E, claro, os preconceituosos são… os outros! Mesmo que para isso valha pintar Joaquim Barbosa como um “cruel ditador africano”.

    “Covarde! Negro alçado a ministro graças à Lula e aos ventos democráticos que se vende pra direita! Calhorda!” – agridem nas redes sociais de forma coordenada. Na dicção de Vladimir Aras, “esse pessoal que está cometendo injúria racial contra o ministro Joaquim Barbosa pode precisar de um habeas corpus do STF uma hora dessas. E com absoluta certeza não vão tratar o ministro como um juiz do Tribunal de Nuremberg”.

    *advogadohttp://www.portalaz.com.br/noticia/geral/281831_barbosa_vitima_de_um_preconceito_deploravel.html 

     

  5. Quer uma ajuda? Vai a

    Quer uma ajuda? Vai a minha:

    Gilmar Mendes (GM) – Portanto, após o voto do relator que rejeitava os embargos, pediu vista o ministro Carlos Britto. Eu só gostaria de lembrar em relação a esses embargos de declaração que esse julgamento iniciou-se em 17/03/2008 e os pressupostos todos foram explicitados, inclusive a fundamentação teórica. Não houve, portanto, sonegação de informação.

    Joaquim Barbosa (JB) – Eu não falei em sonegação de informação, ministro Gilmar. O que eu disse: nós discutimos naquele caso anterior sem nos inteirarmos totalmente das conseqüências da decisão, quem seriam os beneficiários. E é um absurdo, eu acho um absurdo.

    GM – Quem votou sabia exatamente que se trata de pessoas…

    JB – Só que a lei, ela tinha duas categorias.

    GM – Se vossa excelência julga por classe, esse é um argumento…

    JB – Eu sou atento às conseqüências da minha decisão, das minhas decisões. Só isso.

    GM – Vossa excelência não tem condições de dar lição a ninguém.

    JB – E nem vossa excelência. Vossa excelência me respeite, vossa excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia a rua, ministro Gilmar. Saia a rua, faz o que eu faço.

    GM – Eu estou na rua, ministro Joaquim.

    JB – Vossa excelência não está na rua não, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso.

    Ayres Britto – Ministro Joaquim, vamos ponderar.

    JB – Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite.

    GM – Ministro Joaquim, vossa excelência me respeite.

    Marco Aurélio – Presidente, vamos encerrar a sessão?

    JB – Digo a mesma coisa.

    Marco Aurélio – Eu creio que a discussão está descambando para um campo que não se coaduna com a liturgia do Supremo.

    JB – Também acho. Falei. Fiz uma intervenção normal, regular. Reação brutal, como sempre, veio de vossa excelência.

    GM – Não. Vossa excelência disse que eu faltei aos fatos e não é verdade.

    JB – Não disse, não disse isso.

    GM – Vossa excelência sabe bem que não se faz aqui nenhum relatório distorcido.

    JB – Não disse. O áudio está aí. Eu simplesmente chamei a atenção da Corte para as consequências da decisão e vossa excelência veio com a sua tradicional gentileza e lhaneza.

    GM – Aaaaah, é Vossa Excelência que dá lição de lhaneza ao Tribunal. Está encerrada a sessão.

+ comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome