O Pacto de Moncloa brasileiro e a revolução que vem do Nordeste, por Luis Nassif

Nessa nova etapa, com o governo Bolsonaro se apresentando como a maior possibilidade de retrocesso já ocorrida na história, o país começa a buscar pontos de construção.

O cientista político José Luiz Fiori estava na Espanha no período do Pacto de Moncloa, que uniu o país no pós-franquismo.

O pacto foi conduzido por três personagens centrais. O presidente Adolfo Suárez, o primeiro ministro Felipe Gonzales e seu braço direito Alfonso Guerra, o braço guerreiro de Gonzales.

O pacto reuniu partidos políticos, associações empresariais e sindicatos, visando dois objetivos: preparar o país para a democracia e debelar uma profunda crise econômica.

O que seria o Pacto de Moncloa brasileiro, segundo Fiori?

O primeiro ato, essencial, seria a libertação de Lula. Depois, a composição da tríade espanhola.

Para presidente, poderia ser Fernando Henrique Cardoso, não fossem seus defeitos insanáveis de caráter. Olhando no devastado horizonte político brasileiro, Fiori enxerga esse papel para o senador Tasso Jereissatti. Para primeiro ministro, ele imagina Fernando Haddad. Para o papel de Afonso Guerra, Ciro Gomes.

É um desenho perfeitamente factível.

Aliás, o fator Bolsonaro está abrindo espaço para o que se configura o início de um processo profundo de busca de novas saídas e novas experiências.

Em momentos de transição, abre-se espaço para a incorporação de novos atores e novas ideias na construção de políticas públicas. Esse movimento ocorreu no início do governo Fernando Henrique Cardoso, com uma profusão de propostas de intelectuais socialdemocratas, desperdiçadas pela falta de vontade do presidente.

O movimento de renovação passou pelo Paraná de Jaime Lerner, por uma renovação relevante das Federações de Indústrias dos três estados do Sul, pela visão internacionalista assumida pela CUT.

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Ocorreu também em dois momentos importantes da vida política paulistana, nos governos de Luiza Erundina e Martha Suplicy, assim como no início do governo Lula. Posteriormente, Fernando Haddad desenhou algumas das mais bem concebidas políticas públicas brasileiras, como Ministro da Educação e como prefeito de São Paulo, mas, aí, com uma visão de gabinete.

Nessa nova etapa, com o governo Bolsonaro se apresentando como a maior possibilidade de retrocesso já ocorrida na história, o país começa a buscar pontos de construção.

No Sudeste, o ciclo de renovação da política estacionou há muito tempo. São Paulo e Rio de Janeiro se tornaram o túmulo da política. Os partidos envelheceram, a participação social mirrou, as experiências inovadoras ficaram para trás.

Nesse mesmo período, houve uma renovação política no Nordeste, com as velhas oligarquias sendo ultrapassadas e sendo gradativamente substituídas por uma nova geração, aberta às inovações. Começa lá atrás pelo Ceará de Tasso e Ciro, passa por Pernambuco de Eduardo Campos, entra pela Bahia de Jacques Wagner, pelo Piauí – um estado que mereceria um estudo à parte -, até chegar ao Maranhão de Flávio Dino, derrubando a mais longeva das dinastias políticas brasileiras, a dos Sarney, e consolidando um modelo de gestão participativa que irá se espalhar por toda a região.

O lançamento do Consórcio do Nordeste, anunciado ontem, e juntando os 9 governadores da região, é o fato político mais importante do ano. E coloca o NE como o projeto piloto do grande Pacto de Moncloa que começa a se desenhar, na mesma proporção em que se desmancha o governo tenebroso de Bolsonaro.

É questão de tempo para que os empresários se deem conta de que esse desmonte do Estado brasileiro não obedece a nenhuma lógica liberal, mas a um ideologismo irresponsável; para que os militares entendam que não se pode construir um projeto de país sem paz social, e não existe paz social sem se abrir espaços de respiro para o pensamento dissidente.

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51 comentários

  1. “não se pode construir um projeto de país sem paz social, e não existe paz social sem se abrir espaços de respiro para o pensamento dissidente.”

    que venha esse grande acordo, iniciado pela união do nordeste.

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  2. A guerra é a continuação da política por outros meios. (Clausewitz)
    A política é uma guerra sem derramamento de sangue, e a guerra uma política com derramamento de sangue. (Mao Tsé tung)
    A política existe no espaço delicado voluntariamente criado por pessoas desiguais. Esse espaço pode ser ampliado, reduzido ou destruído. (Hannah Arendt)
    O objetivo da política é a conquista e a conservação do poder. Na política não existe lugar para considerações de ordem moral. (Nicolau Maquiavel)
    A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. (Karl Marx)
    O mal estar da civilização é o preço que pagamos pelo progresso cultural que acarreta a perda da felicidade pelo acréscimo do sentimento de culpa. (Sigmund Freud)

    Citei de cabeça esses autores sem me preocupar em reproduzir exatamente suas palavras. O sentido geral das ideias deles está mais ou menos contemplado nas citações.

    Clausewitz, Mao Tsé tung, Hannah Arendt, Nicolau Maquiavel, Karl Marx e Sigmund Freud estão de acordo em relação a uma coisa: a política é um fenômeno histórico, as vezes violento e histérico. Um curso de ação pode ser escolhido, mas nada assegura seu sucesso. A renovação política pode ser fruto tanto de rupturas quanto de acordos imorais para manter o povo longe dos acontecimentos, alheio aos rumos de seu próprio destino.

    A história do Pacto de Moncloa tem sido repetido e repetido à exaustão no Brasil sempre que nos aproximamos de um rompimento. Ele foi cogitado ao fim da ditadura. Durante o governo FHC ele reapareceu. Os dois presidentes petistas governaram como se ele já existisse. Não creio que seja possível reencenar essa farsa uma vez mais.

    Bolsonaro vai resistir com violência. A tigrada evangélica não vai ser pacificamente colocada para fora do orçamento. A violência terá que ser usada contra aqueles que tentarão conservar o que conquistaram sob o bolsonarismo. Esse conflito pode se espalhar e desorganizar ainda mais uma sociedade que já foi desorganizada pelos jornalistas que agora demonstram pavor da censura.

    Tudo é incerto. Nenhuma solução pronta resolverá o problema em que nós mesmos nos metemos ao transformar o Brasil num apêndice supurado de um império decadente. O preço da libertação será o confronto tanto com os gringos quanto com os novos representantes deles dentro do país.

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    • O autor expressa – será que notou? – nada menos que o futuro próximo paradisíaco da direita com sede no Brasil, que apenas precisa montar sua própria troika do seu sempre desejado escroto parlamentarismo-de-colonia, dando um peteleco em Haddad Tranquilão, substituído por Rodrigo Maia, e colocando Ciro Gomes para continuar no seu papel podre e canalha de atacar Lula e o PT, impedindo qualquer união da esquerda. E provavelmente colocando o fazendeiro corrupto FHC como presidente-símbolo do novo Estado Não Incorporado de Puerto Brasil (*), que está sendo parido pelo golpe continuado em execução desde 2015.
      – – – – – – – – – –
      (*) Diferentemente de Puerto Rico, em Puerto Brasil apenas a “nobreza lesa-pátria” terá cidadania estadunidense.

    • Anastasia foi a cara de pavor controlada durante a tramitação do golpe no Senado. Está implicado com os malfeitos de Aécio Neves.

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  3. Nassif, bom dia, tudo bem? Vc já acertou em mutia coisa, mas esse seu idealismo com relação a atitudes de nossos políticos beira a ingenuidade. Depois de tudo, tudo que vimos, vc acha possível que Tasso Jereissati se alinharia com Ciro e com PT? Se nem mesmo Ciro que é centro esquerda, e que já esteve no governo do lula, se nem Ciro se dispôs a apoiar haddad em campanha, quanto mais se unir a ele em governo e junto com tasso. Nassif, espere menos de nossos políticos, espere a medícridade e egoísmo padrão.

  4. “Para presidente, poderia ser Fernando Henrique Cardoso, não fossem seus defeitos insanáveis de caráter. Olhando no devastado horizonte político brasileiro, Fiori enxerga esse papel para o senador Tasso Jereissatti. Para primeiro ministro, ele imagina Fernando Haddad. Para o papel de Afonso Guerra, Ciro Gomes.”
    Detesto, mas sou obrigado: KKKKKKKKKKK e KKKKKKKKKKKK e mais KKKKKKKKK AHAHAHAHAHAHAH.

    Nosso pacto de moncloa já nasceu morto.

    Por isto que afirmo que não tem salvação para o Brasil.
    Estamos fodidos, menos os banqueiros.

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  5. Nem vou comentar… Cyro e Jereissati, estadistas?!

    Mas a unica vantagem de um golpe militar seria o desmantelamento do judiciario mais caro e corrupto do mundo.

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  6. Bom, em primeiro lugar estes setores “responsáveis” da direita e do chamado “centro” precisam fazer uma AUTOCRÍTICA (não é disso que eles gostam?), e pedirem desculpas (não é o que exigem dos outros?)

    Em segundo lugar, outros nomes, por favor… Tasso Jereissati hoje é uma reminiscência do atraso em relação ao momento atual do NE, com direito a histeria antissocial do quilate da do boçalnaro ou a do Doria. Ciro Gomes provou não ser de confiança, acha que ser líder é dar berrinho, engrossar a voz e teimar com projeto personalista.

    Ademais, “mercado” e rede globo estão fechadinhos com o boçalnaro.

    Ou seja, não vejo nada de “factível” nisso, é mais torcida.

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  7. Bom, em primeiro lugar estes setores “responsáveis” da direita e do chamado “centro” precisam fazer uma AUTOCRÍTICA (não é disso que eles gostam?), e pedirem desculpas (não é o que exigem dos outros?)

    Em segundo lugar, outros nomes, por favor… Tasso Jereissati hoje é uma reminiscência do atraso em relação ao momento atual do NE, com direito a histeria antissocial do quilate da do boçalnaro ou a do Doria. Ciro Gomes provou não ser de confiança, acha que ser líder é dar berrinho, engrossar a voz e teimar com projeto personalista.

    Ademais, “mercado” e rede globo estão fechadinhos com o boçalnaro. Vão enfrenta-los, é isso?

    Ou seja, não vejo nada de “factível” nisso, é mais torcida.

    • Outra coisa: a concertação espanhola só veio depois de uma fadiga, cansaço com décadas de franquismo, o verdadeiro avalista da transição.

      Aqui o boçalnarismo ainda esta em pleno vigor.

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  8. O tal pacto nacional é perfeitamente factível, desde que as esquerdas saiam do atoleiro beligerante que sempre teve de forma que suas reivindicações sempre foram interrompidas pela direita das castas superiores…a solução é provocar é coragem de transitar em qualquer lugar querendo ser simplesmente a si próprio … Vejo os Blogs de esquerda com a narrativa da angústia para conquistar mais audiência com poucas execuções como o GGN. Sem a síndrome da pequenez nenhuma sociedade piramidal avança. Salve Rita Lee, exemplo de formador de opinião que explica tudo como funciona a vida social de forma não tóxica e acessível a todos níveis intelectuais, e ainda ela se DIVERTI.

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  9. Ciro nao. Ciro e um homem sem caracter, e vingativo (Lula ta preso babaca), hubris e sua marca registrada, arrogante, racista, mentiroso, oportunista e alem do mais apoiou a fajutissima Tabata Amaral. Ciro estudou nos EEUU e quem vai garantir que nao vai virar um FHC?
    Olha suas raizes e sua falta de compromisso com a democracia quando nao apoiou Haddad no segundo turno.
    Nao Ciro nao.
    Ele e um vira casaca e de vira casacas o Brasil tem muitos. Nao precisamos de mais um manipulador de massas.
    Basta ja sofremos de mais. Ja temos tido muitos politicos e juizes que nao teem problema de se venderem aos interesses estrangeiros.
    Basta.
    Poe o Requiao, ou o Paim ( seria otimo por ser Afro descendente e acrescenta a Guajajara. Estou feliz de ter 4 em ves de tres.

    Porem anular as eleicoes que Ciro deu de mao beijada ao Bolsonaro foi a morte das suas aspiracoes politicas, a meu ver e analise.
    Quem pode afirmar que Ciro nao foi admoestado para sair do pais e nao apoiar o PT?
    Ciro, do Ceara. cheio de coronelismo no passado nao tao distante?
    Ciro nao! Nos, o povao nao somos babaca!

  10. Tasso representa a mesma vanguarda do atraso que FHC. Essa posição devia ser de Requião

    Infelizmente a banca e a Globo não vão permitir. E o povo não está na rua, ainda

  11. Prezado Nassif e camaradas

    vamos precisar é de um Plano Marshall, porque, com a velocidade com que Bozo, seus garotos e a praga de gafanhotos (que se auto intitula ministros) estão destruindo o Brasil; só vão sobrar escombros e ruínas

  12. Um pacto supõe aceitação das diferenças, vetos apenas para quem veta, não há excculsões e por isto muito difícil de acontecer. Será possivel quando todos, todos mesmo perceberem a caus se aproximando. Não creio ser agora a hora certa, tem muitos ainda se lambuzando de olho no contra-cheque. Repito, não existe veto em um pacto, apenas os mais canalhas que por sua natureza pobre se auto excluirão, a eles só a bagunça interessa.

  13. Estimado Luis Nassif,
    creio que o prof. Fiori não entendeu quase nada dos Pactos de Moncloa. Felipe Gonzales, na época, não tinha nenhuma expressão pois o PSOE e seus sindicatos, UGT, tb. eram inexpressivos. Quem tinha o poder de greve era o sindicato do PCE, Comisiones Obreras, infiltrado e nutrido na luta clandestina a partir da decada de 50. A Espanha era o país da Europa com mais conflitividade operária em 1978, o personagem fundamental junto com Santiago Carrillo foi Adolfo Suárez. Até a direita espanhola é grata ao líder do PCE, Santiago Carrillo. O PSOE renovado desabrocha depois disso, Felipe Gonzalez vence as eleições só em 1981.
    Os personagens principais são Adolfo Suárez, Santiago Carrillo e o Rei que funcionou como autoridade, mesmo tendo sido pupilo do caudilho.
    Lição principal do fenômeno histórico, Ps M: PACTO SÓ SE FAZ ENTRE FORÇAS SUPOSTAMENTE EQUIVALENTES. Entre fraco e forte se dá dominação.
    ( Estou disponível para discutir a questão, caso vc se interesse.)

  14. Do jeito que a coisa vai, teremos sorte se acabarmos com Rodrigo Maia na presidência.
    Minha impressão é de que, a partir de 2013, foi iniciado um ciclo histórico do qual ainda não sabemos sequer os contornos.
    Em 2016, com o impeachment da Dilma, a democracia brasileira, que já flertava com a beira do abismo, foi empurrada ribanceira abaixo, numa capotagem sucessiva, da qual Bolsonaro é apenas uma das primeiras reviravoltas.
    Sei que é sombrio, mas vejo a tendência de que a coisa piore antes de melhorar, ou alguém acredita numa anulação de eleições ou num impeachment que obrigaria a realização de novo pleito (estamos nos dois primeiros anos de mandato)?
    O movimento dos governadores nordestinos é importante a título de mensagem de resistência, mas nada além disso.
    A única possibilidade de queda do presidente, a meu ver, seria um empobrecimento ainda maior da classe média baixa, acarretando um movimento de pequenos e médios empresários privados de mercado consumidor.

  15. Bom, sonhar não custa nada. Vale lembrar que os pactos de Moncloa (foram uns tantos) aconteceram depois de uma guerra civil (1936-1939) e uma longa ditadura (1939-1975) das mais sanguinárias da História.

    Aconteceram numa Espanha paupérrima e exaurida por décadas de sofrimento e humilhação. Só depois disso, foi possível superar um problema intrínseco de um país dos mais conservadores do planeta (não por acaso, muito parecido com o Brasil): uma elite depravada, autoritária e violenta.

    Chegamos a esse ponto? Hmmm.

  16. Como dizia Vinícius, “foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo o mal”
    Pois é…”eleição sem Lula é fraude”, mas por via das dúvidas me candidato a Presidente no lugar dele!
    No caso de Vinícius, pura e provocativa poesia, sem lugar a oportunismo.

  17. Senhor Nassif, chega de acordos “por cima.”
    O brasil anterior a eleição de 2014 deixou de existir. Só nos resta somente, apanhar o vazo trincado e, acabar de quebra-lo. Teremos que começar da estaca Zero. A eleição presidencial de 2018 foi completamente fraudada. Devemos EXIGIR nova eleição, devemos EXIGIR Lula Livre; façamos greve geral indefinidamente, vamos lotar praças e avenidas com milhões de pessoas até a derrubada dos corruptos. Eleições livres Já. Na pauta do dia deverá constar Revogação de todo ato de entrega das riquezas pertencentes ao povo brasileiro.
    O protagonismo deve ser sempre do Povo, ao lado de lideranças alinhadas com as idéias desse mesmo Povo. Chega de tutela; ainda mais com essas figuras deprimentes e decadentes: Tasso e Ciro e FHC, que tanto mal já fizeram.

  18. No pacto de Moncloa, tinha-se o apoio do povo espanhol que estava até as tampas de uma ditadura ferrenha que durou de 39(contado com a revolução 36) até a morte do infeliz em 75…..módicos 36 anos…..que transformou a Espanha num pais pobre, agrário e atrasado para os padrões da Europa ocidental da época….o “clima” popular, na época,era algo como foi o diretas já no Brasil…..clima de esperança e crença num futuro de dias melhores, uma onda humana que submergiu todo o “ranço” franquista…..mesmo se o próprio Franco, de certa forma, preparou a coisa, via o Rei Juan Carlos I, que foi também personagem importante nessa historia(teve uma função de “moderador”).
    Quanto ao Brasil atual, as condições não me parecem(nem de longe) as mesmas……Compartilho das esperanças do Nassif dado o desenrolar dos acontecimentos destes últimos dias/semanas(sobretudo a partir da vazajato)……..mas creio que temos,ainda, um longo caminho/calvário pela frente…..e poucas garantias, mas parece que “la cosa si muove”…..

  19. Com os nomes que foram colocados – Haddad, Tasso e Ciro – teríamos é um pacto de moncloaca. Torço pra que essa união do Nordeste – que é a única coisa concreta feita pra se defender das trevas do governo central – seja um sucesso. Mas devido ao reacionarismo em estado bruto das outras regiões – esse pode ser o início de uma secessão do país. Se der certo esse pacto no Nordeste gente da laia dum doria e witzel pode começar que é melhor seu estado se tornar um país do que continuar sob o governo central dum louco. Nunca a unidade do pais esteve tão ameaçada.

  20. Embora seja verdade que o Nordeste está, em termos políticos, muito diferenciado em relação ao Sul, Cento-Oeste, Sudeste, principalmente quando se contrapõe às políticas neoliberais que estão sendo implantadas pelos governos do golpe-impeachment de 2016, é ainda um exagero ver nessa posição dos nordestinos uma revolução. É muito mais um forte indicador do melhor caminho a seguir, que na realidade não passaria de uma meia volta em direção às políticas empreendidas pelos governos petistas, abandonando as políticas restritivas dos neoliberais de atendimento das necessidades básicas da população, como direito a ter um emprego, saúde básica e educação gratuita em todos os níveis. Agora, esses movimentos de conciliação de interesses entre classes, mas na realidade entre frações da própria elite, mostram-se sempre precários, principalmente para quem vive de trabalho assalariado. Aconteceu, em 1985, quando os militares, que comandaram, então, o espetáculo de atender os interesse do grande capital (brasileiro e internacional) liderado pelo EUA, foram agraciados com um acordo de anistia que os isentou de responsabilidades dos crimes que cometeram por vinte anos, e olhe numa visão pouco entreguista, comparada com a nova aventura da qual são participantes, tendo então entregado uma economia com muitos investimentos feitos é verdade, mas a custo de inflação, endividamento, carência de divisas e forte desemprego, que impactou a economia do país nos quase vinte anos seguintes. Nessa nova ocasião, em que se vende ou entrega as riquezas do Brasil ao referido grande capital, em menos de três anos, mostra que tocam tão somente a economia para ficarem mais ricos -a Bolsa de Valores, os juros e o dólar são melhores indicadores- deixando o país à matroca e o povo sem emprego (13 milhões desempregados e 25 milhões subempregados) e com retirada de direitos recém conquistados. E o pior: sem forças próprias e recursos para tentarem sair do atoleiro em que meteram o país e o povo. Muito do que ainda funciona veio dos governos petistas, como o controle da dívida e as reservas cambiais e o pré-sal. Claro, que aggiornamento das forças políticas, sem de fato incluir os trabalhadores e estabelecer medidas para favorecê-los, interessa, e muito, a essa gente. Só mais uma coisa, incluir nomes como Tasso Jereissatti e Ciro Gomes nessa nova patacoada, a título de renovação, é coisa de quem parece que não viu o tempo passando. Depois das denúncias de Glen Greenwald, onde escancara o que já se sabia, que Sérgio Mouro, Dallangnol são embusteiros, de resto a Lava Jato que dirigiram. Também, já está mais do que nítido, que as eleições de 2018 foi uma farsa, um embuste, tendo ocorrido uma usurpação do direito do povo escolher seu Presidente. É possível que a este povo interesse muito mais ter seu direito de volta com eleições para escolha de seus representantes, com afastamento dos usurpadores do cenário político. Bolsonaro é muito mais problema dos golpistas, que o colocaram como boneco para ser manipulado na Presidência, como impuseram ao traidor, Michel Temer. Que deem seu jeito, e depois conversem com os interessados para encontrar uma saída.

  21. O Brasil anterior a eleição de 2014 não existe mais. É somente um jarro trincado que não nos serve mais, vamos acabar de quebra-lo para fazer outro.
    A eleição de 2018 foi completamente manipulada/fraudada. Devemos Exigir nova eleição, exigir Lula LIvre. Devemos fazer greve geral indefinidamente, lotar praças e avenidas com milhões de pessoas até a derrubada dos usurpadores.
    Sinceramente, não precisamos ser tutelados por inimigos do povo: FHC, Tasso Jereissati e Ciro Gomes.
    Somente o povo e lideranças sintonizadas com seus anseios, serão capazes de decidirem o seu destino.
    Basta de acordos “por cima.”

  22. O pacto não pode ser com o Estado Islâmico, a maneira dele trabalhar é muito explosiva. Melhor fazer com velhos vietcongs aposentados transferindo tecnologia.

  23. Bombástico:
    “São Paulo e Rio de Janeiro se tornaram o túmulo da política”
    Onde há povo a política não morre, se transforma.

  24. Acho a proposta fantasiosa. Só é possível algo assim se houver vontade de ambos os lados e não é isto que eu vejo. Vejo um lado implorando por uma trégua e outro louco para uma ofensiva final e derradeira. E este último tem a faca e o queijo na mão. A direita mais racional quer conter alguns dos excessos de Bolsonaro porque teme que haja no futuro excessos no sentido contrário, mas está completamente comprometida com a maioria das medidas de seu governo, desde as privatizações selvagens até o sucateamento do Estado em particular da universidade e educação públicas. Não há neles nenhuma vontade de entrar em um grande pacto, salvo se for para salvaguardar a continuação da destruição que já está sendo feita. Outro ponto a se destacar é a falta de lideranças. Cogitar que FHC tenha hoje algum papel relevante como ator político chega a ser risível. A própria direita já o enterrou. Já a esquerda se recusa em fazer o mesmo com Lula, mesmo sabendo que ele serve hoje como um grande espantalho em favor da direita e ainda por cima tem pouquíssima disposição para o confronto que será necessário para se reequilibrar o jogo. Sobre os governadores do NE, a única liderança com um perfil nacional e diferente é Dino, os demais não parecem acrescentar nada de novo à política nacional e um curiosamente tem cara de Bolsonarista (governador da Bahia). Ainda sim, Dino estará inviabilizado eleitoralmente em 2022 pela falta de uma legenda capaz de lhe garantir alguma competitividade eleitoral. A verdade é que as pessoas clamam por uma saída sem uma ruptura institucional quando o que vemos claramente é que isso cada vez mais tem se revelado uma miragem.

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  25. Bombástico:
    “São Paulo e Rio de Janeiro se tornaram o túmulo da política”
    Onde há povo a política não morre, se transforma.

  26. pois é… eu também tentei. um dia, nem mais me lembro direito quando, tentei ser um homem bom. com os braços abertos. com o coração generoso. e a alma pura.

    mas como ficou a Espanha após Moncloa? como hoje está a Espanha?

    após os 16 anos de Felipe Gonzaléz, de 1982 a 1996, os resultados da concertação social da social-democracia não se mostraram exatamente diferentes da desertificação neoliberal levada a cabo por Margaret Thatcher.

    além de mais um “pacto civilizatório”, no qual nosotros sempre somos barbaramente esmagados, alguns setores do bloco dominante cogitam o impeachment do Capitão-Presidente.

    too late. não será tão fácil.

    foi exatamente este bloco dominante quem franqueou o caminho para junto com Bolsonaro os Porões da Ditadura Civil-Militar ocuparem o Palácio do Planalto.

    mas qual o segredo oculto na Casa da Morte?

    os Porões jamais poderiam operar sem bater continência aos Generais Ditadores, e muito menos sem o patrocínio dos grandes empresários.

    Mourão e Bolsonaro não existem um sem o outro. assim como os grandes empresários não existem sem os dois.

    quantos foram os “Cidadão Boilesen” reunidos nas tardes de sábado na OBAN (Operação Bandeirantes) para em meio a orgias se excitarem com o suplício dos torturados?

    nenhuma pax nos salvará. não haverá nenhum pacto. não estamos em nenhuma “normalidade democrática”.

    houve o Golpe de 2016. as Eleições de 2018 foram duplamente fraudadas: pela prisão e impedimento da participação de Lula e por um processo eleitoral comprometido de irregularidades.

    estamos, saibamos ou não, queiramos ou não, numa Guerra de Independência. não haverá nenhum retorno a mínimas condições de “normalidade democrática” enquanto não vencermos esta guerra.

    para isto, não basta que sejamos homens bons. precisamos nos questionar: bons para quem?
    .

  27. Estes governadores já Moncloaram, todos. O que foi que fizeram com nossa Previdência: aprovaram.

    Vamos esperar o que?

  28. Tomara mesmo…
    que toda esta desgraça causada pela eleição do filho da moléstia Bolsonaro acabe num forró arretado animando todo o país

    O Nordeste mudou, muda Brasil

  29. Começou a divisão do Brasil.O filho do presidente nos EUA vai assinar qualquer coisa. É a nova ordem mundial em que o Brasil não existirá mais.

  30. Não basta libertar Lula, que nem devia estar preso, nem condenado, nem processado, na absoluta ausência de crime comprovado. Pacto sem Lula é impossível. Ainda mais com quem o ataca, covardemente.

  31. O povo brasileiro já manifestou varias vezes q ñ quer o PSDB no comando do país. Essa sugestão parece mais um acordo das elites q nunca considera a vontade popular. O PT ,PC do B e PSOL tem demonstrado constantemente compromisso c o desenvolvimento do país e c classe trabalhadora. Respeito pela vontade popular é a saída.

  32. a maioria parece desconfiar, com razão, da
    possibilidade de um pacto….
    mas nunca é demais um pouco de esperança,
    apesar de tanta infamia que ja rolou desde o
    famigerado mensalão e das alienígenas
    manifestações de 2013 e demais
    golpes baixos desse tempo absurdo permeado por
    sucessivos estados de exceção..

  33. O Pacto de Moncloa foi um wishful thinking.
    Veja-se a diferença entre o que aconteceu em Portugal e a permanência, sob camadas de sedimentos, da situação em Espanha.

  34. Esse pacto do Nassif está mais para Projeto Dória 2022. Que tucanada! Nassif sai do PSDB, mas o PSDB não sai do Nassif.

  35. + comentários

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