O passado de Nunes Marques com o contraventor Rogério Andrade, um dos mais poderosos do Rio

Indicado ao STF por Bolsonaro, Nunes Marques cultiva decisões que favorecem o contraventor que já foi acusado por assassinato

A recente decisão de ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, determinando a retirada da tornozeleira eletrônica do contraventor Rogério Andrade – surpreendendo os colegas de corte – tem como pano de um fundo uma relação processual antiga entre o magistrado e o contraventor, que foi exposta em reportagem do portal Sportlight em 2022.

Dois anos atrás, Andrade foi preso em operação que apura exploração de jogos de azar e pagamento de propina a policiais para acobertar os crimes no Rio de Janeiro. Mas Kassio Nunes Marques, primeiro como desembargador do TRF-1 e depois como ministro do STF, proferiu decisões que atendem aos interesses de Andrade e seus aliados – neste ou em outros processos.

Rogério Andrade, assim como o senador Flávio Bolsonaro, são curiosos elos entre Nunes Marques e a contravenção e as milícias do Rio. Flávio foi quem apadrinhou a indicação do ministro indicado por Jair Bolsonaro ao STF. No gabinete de Flávio, como é de conhecimento público, trabalharam Fabrício de Queiroz – que passou tempo escondido em Rio das Pedras, área comandada por milícias – e a esposa e mãe do miliciano Adriano da Nóbrega, morto em operação da polícia da Bahia.

Informações recebidas pelo GGN dão conta de que o filho de Rogério Andrade tinha como segurança pessoal ninguém menos que o miliciano Ronnie Lessa – que assim como Adriano da Nóbrega, fazia parte de grupos de extermínio no Rio, o Escritório do Crime, e foram implicados no assassinato de Marielle Franco.

O contraventor é também o mais novo patrono (sucedendo a seu tio) de uma escola de samba do Rio (Mocidade Independente de Padre Miguel), onde outro figurão próximo da família Bolsonaro, Alexandre Ramagem, lançou sua pré-candidatura à prefeitura do Rio. Em 2024, Nunes Marques assistiu ao desfile das escolas de samba do Rio pela primeira vez.

Rogério Andrade, completamente solto agora por Nunes Marques, é considerado um dos homens mais poderosos da contravenção no Rio. Tanto que 17 policiais militares da ativa foram presos recentemente por fazer sua segurança, inclusive usando software da PM para monitorar MP-RJ/GAECO.

O passado de Nunes Marques com Rogério de Andrade

Reportagem do site Sportlight mostra que Nunes Marques atuou em processos onde tomou decisões que acolhiam os interesses de Rogério Andrade e de um empresário aliado chamado Eduardo Giraldes, dono da Lecargo Comércio – que inclusive, em 2021, se casou com Júlia Lotufo, viúva de Adriano da Nóbrega.

Consta que Nunes Marques, ainda no TRF-1, permitiu que a empresa de Giraldes não pagasse impostos pela importação de alho chinês para revenda no Brasil. Os fatos se deram em agosto de 2020.

Na sequência, em 2021, Nunes Marques ascendeu ao STF por indicação de Jair Bolsonaro. Em setembro daquele ano, Nunes Marques suspende mandado de prisão contra Rogério Andrade pelo homicídio do rival Fernando Iggnácio. Em dezembro de 2021, Nunes Marques votou para arquivar ação contra Rogério.

Em agosto de 2022, Nunes Marques suspendeu um segundo mandado de prisão contra Rogério Andrade na esteira da operação Calígula. Rogério Andrade, porém, permaneceu preso em virtude de outro mandado. O STJ, porém, determinou sua soltura em dezembro de 2022, mas com uso de tornozeleira eletrônica – removida agora por Nunes Marques.

Redação

6 Comentários

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  1. Típica ação de Máfia. Com braços, com agentes infiltrados na estrutura dos Poderes públicos.
    E esse Kássio Nunes tem mesmo todo o jeito de estar completamente submetido à estrutura corrupta, criminosa da quadrilha, quer dizer, da família B olsonar.

  2. Não me lembro onde li, mas me lembro que agentes do Estado presos ou detidos por trabalhar para Andrade… a liberação do sinistro abrange todos?

  3. Ou alguém acha que um “magistrado” como Nunes Marques só foi alçado ao Supremo pelo seu “notável saber jurídico”? A “reputaçãoa ilibada” também conta.

  4. Um curriculum vitae invejável !!!
    Deve-se acrescentar as festinhas na Mansão do ” novo rico”
    do STF , que só terminam com a chegada da Rádio Patrulha
    às 05 da madrugada . A vizinhança não prega os olhos .
    Este Ministro vai dar uma série na Netflix .

  5. Enquanto não se enfrentar os bandidos do judiciário, todo esforço contra a corrupção é inútil. Essa abominação indevidamente chamada Conselho Nacional de Justiça virou um sindicato de magistrados. Hoje a maior organização criminosa do Brasil se chama poder judiciário.

  6. Parabéns a matéria jornalistica. Não há se de falar em “enfrentar os bandidos do judiciário”. Nunes Marques e André Mendonça são lembranças de Bolsonário, inclusive esse segunda citado, não foi para a Corte Superior por conhecimentos jurídicos, mas sim, por ser terrivelmente evangélico.

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