21 de junho de 2026

O ponto onde Bolsonaro e Maduro convergem: zika e opressão às mulheres

"São líderes populistas que as ignoram pelo silêncio da doença, instituições políticas que não enfrentam as consequências da epidemia", afirma artigo de Debora Diniz e Giselle Carino

Jornal GGN – A cientista política Giselle Carino (International Planned Parenthood Federation) e a antropóloga Débora Diniz (Instituto Anis) assinam artigo no El País alertando sobre como o assunto zika vírus sumiu do noticiário e das campanhas do governo brasileiro porque deixou de ser considerado uma “epidemia”.

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Enquanto, sob Jair Bolsonaro, o silêncio esconde o desamparo às principais vítimas da doença (mulheres pobres), na Venezuela, que também é foco da zika na América Latina, sequer há dados e informações públicas.

“Na Venezuela, simplesmente não há estatísticas públicas sobre os casos de Zika, silenciando violentamente as mulheres”, escreveram. “Zika nos mostra como os dois países abandonam as mulheres e suas necessidades de vida. São líderes populistas que as ignoram pelo silêncio da doença, instituições políticas que não enfrentam as consequências da epidemia, seja por políticas públicas ou garantia de direitos”, afirmaram as autoras.

“O silêncio pode assumir diferentes formas para mover a opressão: se, no Brasil, é pela negligência, na Venezuela é pela violência. A história de Zika é parte da história política da América Latina em que as mulheres estão cada vez mais no centro da onda populista”, acrescentaram.

Segundo as pesquisadoras, somente em 2018 foram 1.657 recém-nascidos notificados como em risco para os efeitos do Zika no Brasil.

“As mulheres são as mesmas do tempo em que a ciência falava em epidemia pelas estatísticas. Elas são pobres, vivem na região mais vulnerável do país e é um povo acostumado a não ter suas dores estampadas nos jornais.”

O artigo lembra que o Supremo Tribunal Federal deve abrir, em 22 de maio, o julgamento de uma ação que pede a despenalização do aborto em caso de zika. No Congresso, uma frente parlamentar “pró-vida” já atua movimentando projetos de lei para tornar o debate no STF inócuo.

“Pouco se fala do risco de transmissão sexual do vírus, os repelentes desapareceram dos serviços de pré-natal. Falar da ação judicial é tocar em temas sensíveis à política bolsonarista, tais como saúde reprodutiva e políticas de assistência social.”

Leia o artigo completo aqui.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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13 Comentários
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  1. Wilson Alves

    5 de maio de 2019 3:02 pm

    A Venezuela está atravessando uma crise sem precedentes provocada pelos EUA.

    1. Denilson José da Silva

      5 de maio de 2019 4:46 pm

      Sem Dúvida! PIOR QUE IRÃ 1953! A CIA TÁ JOGANDO DURO RAPÁ! SÓ CANELADA NA VENEZUELA!

  2. Jorge Leite Pinto

    5 de maio de 2019 3:36 pm

    Bem engraçada esta comparação. Se no Brasil o problema é intencionalmente ignorado, o mesmo não se pode afirmar sobre o vizinho, pois lá existe um bloqueio criminoso e um clima de guerra civil literal. Onde falta até comida, será que sobra verba para isso? Por essas e outras não leio El País, uma espécie de “Falha” espanhola…

  3. Bonobo de Oliveira, Severino

    5 de maio de 2019 3:50 pm

    Por falar em Zika virus, vem à lembrança uma outra questão absurda que desvia o assunto de volta ao GOLPE de 2016.
    Alguns haverão de lembrar que no esforço para destruição da imagem de Dilma Roussef, para insuflar o ódio na população contra ela, além de redirecionar as manadas de junho da temática sobre o valor das passagens do transporte coletivo de São Paulo para descontentamento difuso contra o Governo Federal, a GLOBO passou a associar a ocorrência de casos de doenças registradas na população, causadas pelo Zika Virus, diretamente à responsabilidade das políticas públicas de saúde do Governo Federal.

  4. Anônimo

    5 de maio de 2019 4:13 pm

    Só há uma enorme diferença que estas senhoras parecem desconhecer.
    Maduro faz frente ao Imperialismo Norte-americano.
    Bolsonaro é um títere de Imperialismo Norte-americano.
    Uma coisa é REAL e outra são conclusões tiradas da política de saúde de países subdesenvolvidos.

  5. Denilson José da Silva

    5 de maio de 2019 4:45 pm

    AS DUAS ACADÊMICAS BURGUESAS…
    Esqueceram de dizer que a Venezuela vem sofrendo perseguição econômica dos EUA…
    O Presidente Maduro tem uma Vice! No Brasil o Vice tratou a presidente como Lixo!

    O EL PÁIS APOIOU! VÁ SE F*RRAR! EL PAÌS RACISTA? O GOLPE CONTRA A DILMA FOI RACISTA TAMBÉM! O EL PAÍS ESTAVA ONDE? DO LADO DO AÉCIO!

    BURGUÊS É ISSO! MENTE PARA FALAR QUE TUDO É IGUAL!

    Por isso o Bolsonaro trata FEMINISTA como lixo! Elas tem medo de FASCISTAS!

    “Bolsonaro: Mulher tem que receber salário menor, porque pode engravidar?”
    https://www.youtube.com/watch?v=8Ror3MKK8Tk

  6. Anônimo

    5 de maio de 2019 4:48 pm

    Indo um pouco adiante na discussão sobre o artigo e olhando as ONGs que pertencem estas senhoras, vemos que a primeira International Planned Parenthood Federation é uma entidade muito antiga vinculada nas suas origens a Margaret Sanger que no seu documento de 1919 “Birth Control and Racial Bettement” escreve:
    “We who advocate Birth Control, on the other hand, lay all our emphasis upon stopping not only the reproduction of the unfit but upon stopping all reproduction when there is not economic means of providing proper care for those who are born in health.”
    Tradução via google:
    Nós, que defendemos o Controle da natalidade, por outro lado, colocamos toda a nossa ênfase em parar não apenas a reprodução do inapto, mas também a interrupção de toda reprodução, quando não há meios econômicos de prover cuidados apropriados àqueles que nascem na saúde.
    Já a segunda instituição, Instituto Anis, é vinculado a chamada BIOÉTICA, que desliza perigosamente entre conceitos eugênicos do início do século XX e uma modernidade de melhoras genéticas que simplesmente até os dias atuais, não há nenhuma ação ou proposta concreta, ou seja, mais algo que devemos acompanhar com profundo cuidado.

    1. Joel Lim

      5 de maio de 2019 6:22 pm

      E você, Maestri, a qual instituto ou algo similar você é ligado?

      1. Anônimo

        6 de maio de 2019 3:14 am

        O Instituto Maestri para velhos aposentados!

        1. Joel Lima

          6 de maio de 2019 12:36 pm

          Agora quando eu ler seus posts vou levar essa informação em conta kk

  7. republicano arrependido

    5 de maio de 2019 8:18 pm

    vão me chamar obviamente de misógino mas
    o mais evidenteé que essas senhoras
    defendem os interesses norte-mericanos tipo aquelas
    figuras que fazem patriotadas para trair seu país em seguida…
    opra, comprar bolsonaro com o bolivarianismo
    é de uma estupidez insana…
    primeiro porque parecem esquecer
    que os eua boicotam a venezuela….
    em segundo, porque a venezuela defende os
    interesses da maioria da população e bolsonaro quer
    mesmo é matar todo mundo com o seu fascismo infame….
    em terceiro, porque el pa[ís éum periódico conservador
    embora abrigue florestan fernandes,
    um herói, um genio da humanidade….

  8. Luis Campinas

    5 de maio de 2019 11:18 pm

    Aliás, embora muito do que o Nassif publique aqui eu concorde e ou ache interessante, ele é um dos que nos últimos vídeos aí, coloca Nicolás Maduro como um déspota. Eu gostaria de entender bem como isso se dá na cabeça dele Nassif. Compara-o a outros lideres, que embora mais polêmicos em relação ao termo usado, ainda assim teríamos que buscar entender bem a cabeça do jornalista. O que estes lideres têm em comum são serem contra os interesses dos EUA se tornarem hegemônicos no mundo!

  9. Rui Ribeiro

    6 de maio de 2019 8:00 am

    Se os Imperialistas estão de fato comovidos com o sofrimento dos Venezuelanos, porque eles bloquearam e mantem bloqueados o acesso do regime chavista aos recursos provenientes da exportação de petróleo e ativos venezuelanos no exterior?

    O sofrimento da população Venezuelana, provocada pelos imperialistas, é apenas um pretexto para esses imperialistas se apoderarem novamente do petróleo do referido país a preço de banana em fim de feira.

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