21 de maio de 2026

O que se sabe da Operação Vérnix que prendeu Deolane

Influenciadora é alvo de investigação que aponta o uso de empresas de fachada para lavar dinheiro de facção
A influenciadora Deolane Bezerra. Foto: Divulgação/Instagram
A influenciadora Deolane Bezerra. Foto: Divulgação/Instagram

▸ Deolane Bezerra foi presa em Barueri na Operação Vérnix contra lavagem de dinheiro do PCC.

▸ Mandados incluíram Marcola, irmão e operadores financeiros; bloqueio de R$ 357,5 mi e sequestro de 39 veículos foram decretados.

▸ Investigação revelou repasses de mais de R$ 1 mi a Deolane entre 2018 e 2021; defesa dos presos ainda analisa os fatos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, deflagrada na manhã desta quinta-feira (21), prendeu a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra em sua residência, em Barueri, na Grande São Paulo. A ofensiva, batizada de Operação Vérnix, busca desarticular um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Além de Deolane, a Justiça expediu mandados de prisão contra figuras centrais da facção, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e seu irmão, Alejandro Camacho, ambos atualmente custodiados na Penitenciária Federal de Brasília. Também foram presos Everton de Souza, o “Player”, apontado como operador financeiro do grupo, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, que se encontra em Madri, na Espanha.

A influenciadora, que recentemente esteve em Roma, retornou ao Brasil na última quarta-feira (20). O nome dela chegou a figurar na lista da Difusão Vermelha da Interpol antes de seu regresso. Além das prisões, a polícia cumpre mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados à advogada, incluindo alvos como o influenciador Giliard Vidal dos Santos e um contador. Ao todo, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em bens dos investigados e o sequestro de 39 veículos de luxo.

Como Deolane entrou na investigação

O caminho até a prisão de Deolane foi pavimentado por uma investigação iniciada em 2019, quando a Polícia Penal apreendeu bilhetes com dois detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material revelou a estrutura interna da facção, contatos de alta hierarquia e planos de ataques contra servidores públicos.

Um dos trechos dos bilhetes mencionava uma “mulher da transportadora”, que teria fornecido endereços de autoridades para subsidiar ações violentas. Esse elo levou os investigadores a uma transportadora em Presidente Venceslau, usada como fachada para a lavagem de dinheiro do crime organizado.

A partir da Operação Lado a Lado, em 2021, a apreensão de um celular de um operador central do esquema revelou uma nova camada do crime: as conexões financeiras com a influenciadora. Segundo o MP, ela mantinha vínculos pessoais e de negócios com gestores da transportadora, utilizando contas bancárias próprias e de suas empresas para ocultar valores provenientes da facção.

No aparelho celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador financeiro da organização criminosa e homem de confiança da família de Marcola, policiais encontraram imagens de depósitos e conversas que, segundo a investigação, indicariam repasses financeiros para contas de Deolane e de Everton de Souza.

A polícia sustenta que Deolane recebeu entre 2018 e 2021 mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar mecanismos de controle financeiro.

Os investigadores também identificaram quase 50 depósitos destinados a empresas ligadas à influenciadora, somando R$ 716 mil. Segundo o inquérito, os pagamentos teriam sido feitos por uma empresa apresentada como banco de crédito, mas sem comprovação da origem dos recursos.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane. Para os investigadores, não houve comprovação da origem lícita do patrimônio vinculado à influenciadora.

Defesas e movimentações

O advogado de Deolane, Luiz Imparato, afirmou que está se “inteirando dos fatos”. A mesma posição foi adotada pelo advogado Bruno Ferullo, que representa Marcola.

Para os investigadores, a projeção pública da influenciadora servia como uma camada de “aparente legalidade” para a circulação de quantias milionárias. A Justiça entendeu que a prisão era necessária para garantir a ordem pública e evitar a destruição de provas, uma vez que a estrutura criminosa, mesmo com os líderes encarcerados, continuava operando ativamente.

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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