
“Desde o Descobrimento, o homem branco destrói a cultura indígena.
Primeiro, foi para salvar sua alma, depois para roubar sua terra.”
Orlando Villas-Bôas
(Santa Cruz do Rio Pardo, 12 de janeiro de 1914 — São Paulo, 12 de dezembro de 2002)
Orlando, o último dos três irmãos Villas-Bôas, sertanistas e indigenistas, prosseguidores da obra de defesa das populações indígenas iniciada por Cândido Rondon e fundadores do Parque do Xingu, primeira reserva indígena brasileira.
Sobre ele e seus irmãos, Darcy Ribeiro – que compõe com os Villas-Bôas e Rondon a tríade dos grandes do indigenismo brasileiro escreveu:
“Orlando, Cláudio e Leonardo compuseram as vidas mais extraordinárias e belas de que tenho notícia. Pequeno-burgueses paulistas, condenados a vidinhas burocráticas medíocres, saltaram delas para aventuras tão ousadas e generosas que seriam impensáveis se eles não as tivessem vivido. Só se compara à de Rondon a façanha desses três irmãos que se meteram pelo Brasil adentro por matas e campos indevassados ao encontro de índios intocados pela civilização.
Usando do subterfúgio de se fazerem passar por caboclos goianos, conseguiram incorporar-se a uma expedição oficial de penetração no centro do Brasil. Tomaram conta da expedição, transcenderam dela e viveram mais de trinta anos nas matas que vão do Xingu ao Tapajós, convivendo com povos indígenas que eles souberam amar e respeitar.
Entre seus feitos, assinala-se a coragem com que, arriscando suas vidas, atraíram diversos povos indígenas à civilização. Triste coisa para estes povos. Menos má, porém, porque sua pacificação foi conduzida pelos Villas-Bôas, que souberam defende-los, garantindo-lhes uma sobrevivência melhor que a dos povos chamados ao nosso convívio.
Sua façanha mais extraordinária, ao meu ver, foi a criação, ou recriação, de todo um povo – os Yawalapitis, que só existiam dispersos nas várias aldeias xinguanas, até que os Villas-Bôas os juntassem novamente, para retomarem seu destino de uma das caras do fenômeno humano.”
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