4 de junho de 2026

Os impactos imediatos de uma mentira difundida na rede, por Leonardo Sakamoto

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Do Blog do Sakamoto

Dez impactos imediatos causados por uma mentira difundida pela rede

Leonardo Sakamoto

Um jornal impresso de Minas Gerais estampou em sua manchete de capa uma foto minha e uma declaração atribuída a mim – mas que nunca dei – de que “aposentados são inúteis à sociedade”. Dentro, uma entrevista – que também nunca concedi – com várias barbaridades contra os aposentados que eu nunca falaria. Ao que tudo indica, alguém pegou um post meu do ano passado, inverteu o sinal de tudo e o transformou em entrevista.

O que acontece no período entre uma difamação ser lançada na rede e o jornal, no caso o “Edição do Brasil”, soltar uma nota informando que a entrevista era falsa?

Desta vez, tive a curiosidade de registrar passo a passo o que acontece. Agora trago um grande passeio pela natureza humana na web. Isso pode ser útil quando disserem a vocês algo do tipo: “Ah, relaxa, é só a internet! Não dá em nada.”

1) Pessoas que não conhecem as ideias deste autor começam a compartilhar o texto, indignadas.

2) Mensagens espumando de raiva chegam até mim. Muitas de aposentados. As mais leves, desejam muita dor e sofrimento.

Como a de Durval Alves Correia Alves, do Rio de Janeiro (RJ): “Seu verme. Deveria ter vergonha do seu pai e da sua mãe que os colocou no mundo. Deveria ter a sensibilidade de saber que o idoso contribui muito mais do que você como jornalista. Acredito que você deverá morrer antes dos seus 40 anos, senão de alguma doença incurável ou de tiro. Toma vergonha na puta da sua cara e vê se faz alguma coisa de bom para aqueles que precisam de pessoas de dignidade. Seja homem e não um marginal. Cuidado com as merdas que fala, você é um ser mortal… Não se esqueças disso seu filho da puta, pela saco, inútil é você. Me processa.” Não costumo dar nomes, mas a postagem dele foi aberta.

3) As conhecidas redes de ódio e intolerância, mesmo sabendo que aquilo não condiz com o pensamento deste autor, se apropriam do conteúdo e começam a dispara-lo como se não houvesse amanhã. Surge o primeiro “esse desgraçado é vendido para o governo federal”, afirmando que me pagam para falar mal de aposentados. Evitam dizer que sou crítico ao governo Dilma e às mudanças na Previdência e na legislação trabalhista que ela namora. Surgem os memes, que alimentam as hordas do Fla-Flu político nacional que, de forma leviana, reduzem todos que são de esquerda a um partido político.

escoria

4) Alguém relaciona a entrevista falsa ao nazismo e diz que o nazismo e o socialismo são a mesma coisa. E que ser de esquerda significa querer acabar com os mais velhos. “Nazista é gente boa perto desse animal”, é um exemplo desses elogios. Alguém sugere a hashtag #Heil_Sakamoto.

5) Chegam as ameaças de morte.

Como a de Jullio Cavalcante Fortes, de Rio Branco (AC): “Este filho da puta, desgraçado, deve ser caçado e morto a faca. Vou distribuir este escarnio para todo o Brasil. E vamos aguardar no que vai dar. Gostaria muito de enfiar 5 balas 1.40 no meio da testa deste filho da puta para ele nunca mais falar mau dos idosos. Desgraçado (sic)”. A mensagem foi pública, por isso publico aqui.

6) Dou uma explicação simpática no Facebook, dizendo que nunca disse aquilo e aponto para o texto que escrevi defendendo o aumento do salário e que foi desvirtuado por ignorância ou má fé. Há pessoas que não acreditam (“se está se justificando é porque fez”) e outras simplesmente ignoram o claro sentido do texto e continuam me xingando.

7) Leitores frequentes do blog, que concordam com ele ou não, tentam convencer os amigos na rede de que aquilo não faz sentido e a acusação é falsa. Mostram o texto original de onde foi inspirada a falsa entrevista, explicam a distorção de tudo. Parte dos amigos dos leitores, em fúria, ignoram as explicações, dizem que nada disso importa. O que importa é que ele é de esquerda. E se é de “esquerda” pode até não ter tido culpa nisso, mas alguma culpa ele tem. E, seguindo a lógica do linchamento (se a turba está contra ele é porque é o culpado), sentam o pau.

8) O primeiro colega jornalista entra em contato para repercutir a matéria. O texto atinge, em pouco tempo, cerca de 15 mil compartilhamentos.

9) O próprio jornal reconhece que não dei a entrevista a eles. Alega que ela foi respondida por uma pessoa que se fez passar por uma assessora minha para prejudicar a mim e ao jornal (justificativa que eles deram em nota que substituiu a entrevista falsa). Claro, nunca me ligaram para checar qualquer informação antes de colocá-la na capa.

10) Mas não importa mais, não depende mais do jornal. As redes de ódio ignoram e continuam divulgando o conteúdo original. Como um desmentido não é lido com a mesma voracidade que uma acusação, e como as pessoas só leem título e foto na internet antes de comentar, a porrada continua. Na verdade, o conteúdo não mais importa, nem o desmentido, nem a informação. Passo a ser obrigado a provar de que não falei aquilo e não o contrário. É raiva, apenas raiva que flui.

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Tomarei as medidas judiciais cabíveis. Mas o próximo passo, eu já conheço: ser xingado no supermercado ou ser vítima de agressões e cusparadas na rua, como já aconteceu comigo quando circularam outras difamações no ano passado. Esses casos têm cauda longa, duram meses e anos, arrastando-se pela internet e sobrevivendo de incautos e ignorantes. É conteúdo que ficará circulando para ser capturado por grupos que promovem o ódio, saindo da rede e sendo transportados por pessoas sem discernimento que, no limite, fazem Justiça com as próprias mãos.

Tudo isso para me lamentar da vida? Não, longe disso. Quem atua na área de direitos humanos sabe que isso pode acontecer.

Isso é para lembrar que você ganha um pontinho no céu e um bebê panda sorri na China toda vez que você checar uma informação antes de compartilha-la em redes sociais. Então, não faça isso por mim ou pela verdade dos fatos. Faça pela sua alma. E pela alegria dos pandas.

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

17 Comentários
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  1. Eduardo.

    11 de fevereiro de 2016 5:30 pm

    O custo
    Se ainda houver juízes em Berlim a indenizacao deverá quebrar os donos desse jornaleco

  2. Alan Souza

    11 de fevereiro de 2016 6:48 pm

    Só pra ajudar o Sakamoto

    Esse Julio Cavalcante Fortes é advogado, e velho conhecido de polêmicas. Já foi condenado uma vez, mas parece que não aprendeu:

    http://routenews.com.br/index/?p=709

    http://www.altinomachado.com.br/2011/10/ofensas-jesus-cristo-e-virgem-maria.html

    1. Angelo G.Frizzo

      12 de fevereiro de 2016 2:11 am

      Se o cara é advogado é MUITO

      Se o cara é advogado é MUITO burro. Vai ter que pagar bastante por sua ignorância. Cobra dele na justiça (e da tal publicação) tudo que for possível Sakamoto.

  3. Alan Souza

    11 de fevereiro de 2016 6:57 pm

    Comovente o Julio Cavalcante Fortes

    O sujeito enterou com uma ação na Justiça contra o Google, por ter imagens “ofensivas” a Cristo e à Virgem Maria. Católico pio, cristão exemplar!

    E, de repente, quer matar caçado a faca e com cinco balas na testa alguém que ele nunca viu, que nunca fez nenhuma mal a ele.

    Que exemplo de fé cristã!

  4. J

    11 de fevereiro de 2016 6:59 pm

    A legitimação do ódio

    Esses casos ganharam peso por causa do tudo ou nada, da terra arrasada e salgada, da ofensiva para o aniquilamento que o desespero da velha mídia, do PSDB, de setores de corporações públicas como PF, MP, Judiciário, TCU os levou a abraçar OFICIALMENTE a intolerância. Figuras como Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Aécio Neves, FHC, Juiz Moro, Procurador Dallagnol, Irmãos Marinho e seus porta vozes, Civita, Frias, e porta vozes, assinaram embaixo e promoveram figuras de extrema direita, autênticos nazi-fascistas, saudosos da ditadura. 

    O longo período petista no poder trouxe à tona aquilo que a direita mais se esforçou para esconder, ou seja, sua verdadeira face, a face de sua ideologia sem os salamaleques  dos intelectuais, sem o discurso populista que aquece o coração dos incautos, sem as ilusões da desinformação, do engodo, da farsa. Depois deste estouro da boiada reacionária do último ano, a maré tsunâmica tende a refluir, e deixará à mostra toda a destruição desta louca ofensiva autodestrutiva, para o país, e para a própria direita. É claro que a esquerda foi triturada pelos cascos das vacas loucas, e elas ainda vão continuar perseguindo seus líderes e seus adeptos, mas como toda ofensiva, se você não fizer paradas estratégicas, a força do ataque pode se dissipar pela fadiga natural. A posição de defesa é uma posição naturalmente mais forte, desde que exercida com competência, com os contra-ataques que fustigam e desgastam o oponente. O próprio fato de ter que tomar a iniciativa, gera “atrito” para as forças ofensivas, desgastando, e se o outro lado efetivamente se defende, pode ser altamente desestimulante.

    O progressismo segue vivissimo e muito forte(na sociedade). Os generais Jaques Wagner e Berzoini estão nos lugares certos. Já o general Cardozo é inepto para esse tipo de guerra. Seu flanco está sendo penetrado por vasta coluna de blindados, sem nenhuma reação. A marechal Dilma parece paralisada pelo fogo dos canhões que atiram de dentro de seu próprio exército. O PT e seus governos tem grandes realizações que estão na memória do povo, mas a muralha vermelha está sendo estilhaçada pelos dois lados. É preciso agir com rapidez e efetividade. Ou troca-se o general Cardozo por uma liderança efetiva, ou vai-se sangrar por todos os poros. Sakamoto é um desses poros. A direita tem a simpatia de um terço da população, mais ou menos. A extrema direita, não mais que 5%.O governo deixou-se anular na tv e rádio por colheres e panelas. Não construiu uma contra ofensiva neste caso. Tem que construir, pois a frente midiática é onde o jogo se desequilibra. É presiso que o Min.da Justiça seja capitaneado por figura de grande expressão e peso político, e amplamente testada na guerra total.Que não se omita, melhor dizendo, que não se mije quando as balas começarem a buscá-lo como alvo. 

     

  5. Carlos Hildo França

    11 de fevereiro de 2016 7:04 pm

    Não estou falando de prisão, não…

    Já passou da hora de os profissionais da imprensa responsável exigirem das autoridades públicas uma  lei que punam com mais severidade essas babaridades promovidas pela web – uma multa acachapante para esses  internautas infratores caía muito bem.

  6. Flavio de Oliveira Lima

    11 de fevereiro de 2016 7:27 pm

    Sakamoto, me solidarizo com

    Sakamoto, me solidarizo com voce, e me promovo aqui como mais um dos seus defensores. Quando vi a postagem de amigos progressistas, expliquei quem vc é e o que faz. Se precisar de ajuda nas medidas judiciais, estamos aí.

    Abraço e força!

  7. Ninguém

    11 de fevereiro de 2016 8:37 pm

    Tomara que o Sakamoto processo o jornal.

    E arranque os fundilhos das calças de seus proprietários. Mais um jornaleco de quinta que, se desaparecer, não fara a menor falta. Nenhuma novidade. O que esse pasquim fez é só copiar o que fazem todos os dias a falha, o escrotão e o golpe.

    Por falar em processo, a quantas anda o processo que a Dilma ia mover contra a veja? (Não precisa responder. É só uma pergunta retórica.)

    1. luiz fazza antonio

      11 de fevereiro de 2016 11:43 pm

      “jornaleco de quinta”

      Meu caro Ninguém, se vc conhecesse o tal de Estado de Minas, jamais chamaria este Edição do Brasil de jornaleco de quinta….pois se vc estiver certo, estou convicto que somente na “ducentésima quinta categoria” seria possível incluir o lixo chamado de Estado de Minas, certamente sob intensos protestos dos jornalecos classificados abaixo de 250…

  8. Arthemísia

    11 de fevereiro de 2016 8:41 pm

    Para quem pensou que o ódio
    Para quem pensou que o ódio ficaria apena parao o PT……

  9. Frederico69

    11 de fevereiro de 2016 9:37 pm

    uma hora um louco desses resolve cumprir a promessa,

    aí quero ver dizer que era brincadeirinha.

  10. Vagalume do Brejo

    12 de fevereiro de 2016 4:41 pm

    Jornalismo é a profissão mais

    Jornalismo é a profissão mais baixa que existe.

  11. Ricardo Staack

    14 de fevereiro de 2016 9:19 am

    Essa perseguição ao Sakamoto é a da Globo contra Getúlio Vargas

    Imaginem agora um Sakamoto presidente do Brasil, pois é isso que a UDN-Globo, gênese do golpe fascista de 1964, sempre fizeram com o Getúlio Vargas. Há muitos brasileiros que caem nessas notícias falsas, a Globo e a BAND são campeãs da calúnia infundada que só se prestam a prejudicar o Brasil, e ajudar os que só querem nos roubar, os gringos bilionários espertos e gananciosos para despejar milhões de dólares para comprar os judas nativos, a dissimularem a roubalheira. Globo chega de roubar descaradamente o Brasil, vai pra aquele lugar, esses xingamentos recebidos indevidamente pelo Sakamoto cabem como uma luva na platinada neonazista Global.

  12. S.Levt

    15 de fevereiro de 2016 8:37 pm

    Midia, Mentiras, Manipulações, Mitos.

    Infelizmente gente a tendência é das pessoas acreditarem e aceitarem cegamente as infomações publicadas em primeiro. Não adianta desmentir, comprovar a falsidade, acusar, ameaçar.  O mal está feito e é assim que começa uma reaçaõ popular de ódio, raiva, agressão.

     

    É assim que funciona essa mídia e imprensa internacionais e nacionais, com seu racismo e ódio contra Israel, por parte de editores, reporteres, funcionários que NUNCA foram para Israel e tampouco sabem bem onde se encontra este pais.

    Pior, não medem as consquencias das suas alegações e antisemitismo.

    Ainda bem que existem os Sakamotos da vida para ilustrar e reforçar meus pensamentos e posição.

    Obrigado.

    SL

     

     

  13. Fernando Reis

    16 de fevereiro de 2016 12:21 pm

    As razões de coisas como esta acontecerem

    Não acho que calúnias, brincadeiras irresponsáveis e de péssimo gosto, que podem comprometer seriamente a vida de qualquer pessoa, sobretudo se for uma pessoa pública e que já tenha (naturalmente, como todo jornalista ou profissional de comunicação tem) alguns olhares de desprezo ou aversão, por parte do público, mereçam um tratamento da justiça que seja menos proporcional a aqueles que efetivamente produzem prejuízos físicos e morais nas vítimas, como atentados, perseguições e insultos públicos.
    E a principal razão para que eu tenha esta opinião é o fato de que as “inofensivas” notas podem, de fato, produzir ações inconsequentes entre gente com o juízo um bocado fora de ordem.
    O desenvolvimento e popularização de ferramentas com as quais podemos produzir peças com algum grau de sofisticação técnica, quase tais como os veículos de mídia impressa e eletrônica “oficiais” é algo ao mesmo tempo fascinante e preocupante (quando sabemos que, por serem públicos e bastante acessíveis, caem nas mãos de imbecis, também).

  14. veranis

    19 de fevereiro de 2016 10:30 pm

    NÃO SE PREOCUPEM AMIGOS.

    NÃO SE PREOCUPEM AMIGOS. SEGUNDO A MOÇA DO HORÓSCOPO DO UOL/FOLHA, ISSO TUDO, ESSE ÓDIO É CONFIGURAÇÃO ASTRAL QUE TERMINA EM 2017. ENTÃO AMIGOS VAMOS AGUARDAR PARA 2017, O FIM DOS ESPÍRITOS TREVOSOS  SOBRE O BRASIL. QUEM SABE UM POUCO  DE ÁGUA BENTA AJUDE!

  15. JÚLIO CÉSAR DE OLIVEIRA PRADO

    21 de agosto de 2016 9:05 pm

    https://jornalggn.com.br/noticia/os-impactos-imediatos-de-uma-men

    E para fechar com chave de ouro você entra com uma ação de reparação por danos e o juiz fixa uma indenização de 10.000,00 reais porque valores acima de 100.000,00 são para celebridades, políticos e apaniguados porque para os cidadãos vassalos da república medieval do século XXI valores altos representam enriquecimento injustificado…

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