5 de junho de 2026

País vive epidemia de violência contra a mulher, diz Márcia Tiburi em entrevista ao GGN

Escritora feminista fala sobre a construção da subjetividade de homens que praticam violências como forma de provar virilidade

Um tenente-coronel mata a esposa. O caso é exposto na imprensa e uma série de diálogos é divulgada ao público. O militar linha-dura coloca-se como “macho alfa” e quer uma mulher submissa. Preso sem algemas, é acolhido com um abraço por um colega homem. A cena ilustra bem o pacto do machismo com violência de gênero. É como se um homem, ao violentar e até assassinar uma mulher, estivesse provando sua masculinidade para os semelhantes, que por sua vez o recebem com compreensão e braços abertos.

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Essa formação do caráter do homem machista e propenso à violência de gênero já configura uma epidemia no País, aponta a escritora feminista e política Márcia Tiburi, autora do livro “Ninfa Morta: Uma história do ódio às mulheres”, que trata das bases culturais, as “motivações fundamentais que mobilizam uma sociedade misógina” que, em seu sentido mais extremo, chega ao feminicídio.

Em entrevista ao canal TV GGN, no Youtube, Tiburi foi categórica: “De fato, estamos vivendo aquilo que as pessoas estão chamando de surto ou de epidemia. São termos usados como metáforas. Mas existe, sim, um a contaminação simbólica, imaginária e linguística, que têm se transmitido, entre os homens, de um informação, que é justamente a violência contra as mulheres.”

Segundo Tiburi, “estamos lidando com uma situação muito difícil, porque por mais que a gente não queira psicopatologizar essa discussão, existe a questão que é a subjetividade desses homens: como eles se formam, como se tornam assim [violentos], o que aconteceu para esses sujeitos chegarem a esse nível de delírio.”

No livro, Tiburi aborda a dinâmica da formação da personalidade desse machista que, em alguma oportunidade, vai acabar provando sua virilidade com a violência de gênero. “Os homens informam uns aos outros, dão prova de masculinidade no momento em que cometem algum tipo de violência. O estupro é um meio de comunicação, é uma informação que os homens mandam uns para os outros, e no meu livro eu falo que o feminicídio também é isso. É a informação que diz: ‘eu sou homem’. É a prova da virilidade”, disse Tiburi.

Por isso o PM, quando mata a mulher e vai para a prisão, ele é abraçado pelo seu colega como se fosse uma vítima. São brothers. Ele foi bem recebido como homem. Embora não se possa mais alegar legítima defesa da honra, os homens continuam nessa troca de ‘honras’ entre si”, explicou.

A escritora ainda comentou que a percepção da sociedade em relação a esses casos têm sido maior graças à consolidação de dois momentos: primeiro, as mulheres têm notificado mais os casos de abusos e violências; segundo, a imprensa, finalmente, passou a noticiar mais esses casos, como forma de conscientizar o público.

Durante a entrevista aos jornalista Lourdes Nassif e Icaro Brum, Márcia Tiburi falou um pouco sobre a máquina que ajuda a alimentar o machismo. Um dos seus braços é o grupo denominado “redpill”. “São homens organizados que vendem ódio como mercadoria. O ódio às mulheres é uma mercadoria comparável ao racismo, que também é uma mercadoria política forte. (…) O ódio às mulheres, pra mim, é o ódio fundador do ódio político. A primeira inimiga construída na história foi a mulher.”

Assista a entrevista completa abaixo:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. Jossimar

    23 de março de 2026 4:47 pm

    Hoje de madrugada a Comandante da Guarda Municipal de Vitória, no Espirito Santo, foi assassinada pelo ex companheiro – um policial rodoviário federal – com cinco tiros na cabeça. Ele não aceitava o fim do relacionamento e invadiu a casa dela enquanto ela dormia para praticar o feminicídio.
    Depois de assassinar a ex companheira, o animal se suicidou com um tiro na própria cabeça.
    Está na hora de reavaliar esses concursos de admissão. Tem que ser mais do que uma prova onde o sujeito faz um decoreba de apostilas. Tem de achar uma maneira de fazer uma profunda avaliação psicológica nesse pessoal antes de dar poder e entregar uma arma.

    1. AMBAR

      23 de março de 2026 10:50 pm

      A Márcia Tiburi tem que botar as barbas de molho porque o Leonardo Stoppa arranjou para ela pelo menos 300 mil inimigos mortais em seus programas diários. Ele ainda apregoou que deixaria a esquerda e favoreceria até o crime organizado com os seus conhecimentos técnicos para que pudessem prejudica-la e às feministas em geral. O sujeito estava com ódio até da mãe dele. Frustrado, recalcado porque esperava que a esposa crente fosse tolerar suas idiossincrasias até o fim da vida, após a separação, surtou, perseguiu, caluniou, e só não foi para a violência física (ainda) porque tem medo de cadeia. Então, que ela se cuide, porque os red-pill estão ouriçados.

      1. Paulo Dantas

        24 de março de 2026 6:28 pm

        Você parece querer a senhora morta.

        Uns dos problemas é que banalizamos a violência.

  2. Paulo Dantas

    23 de março de 2026 9:28 pm

    Não tem um dia que não tenha uma mulher morta por um homem próximo.

    E assustador como é comum nas forças policiais.

  3. Jose

    24 de março de 2026 2:04 pm

    Sim mas, no lado oposto, há uma epidemia de falsas acusações, que viraram um direito pra destruir vidas e reputações

    A falsa acusação não pode continuar sendo um direito, ao contrário, deveria ser crime hediondo

    Não há democracia processual em se tratando de falsa acusação, por isso muitos homens que são alvo de falsas narrativas tiram a própria vida, como fez o reitor Cancellier

    Todo o apoio aos direitos das mulheres mas não através deste jogo sujo praticado por quem se aproveita das leis de proteção às mukgeees pra faturar uma grana fazendo falsa acusação, pois isso atrapalha quem de fato é alvo de violência

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