Passo fome, mas não roubo.

Passo fome, mas não roubo.

Várias vezes me deparei com pedintes nos semáforos com cartazes que podem apresentar diferentes textos, mas na base todos se resumem a frase: “Passo fome, mas não roubo.” No início me detive a analisar o sentido moral e ético da frase dentro do contexto do pedinte e da sociedade que o cerca, porém divagando em torno da ideia expandi a aplicação da frase a outros grupos que estão melhor colocados na distribuição de renda no Brasil.

Lendo a frase se vê que há um verdadeiro princípio moral propagandeado pelo pedinte que constitui um dos pilares éticos das sociedades em geral, ou seja, não roubar, e para o pedinte um princípio moral de não roubar mesmo que sua integridade física seja ameaçada pela falta de alimento.

Pois bem, saindo do nosso pedinte e expandindo ao universo das manifestações públicas nos dias atuais, comecei a pensar como seriam os cartazes que uma manifestação de juízes poderia fazer para justificar a manutenção dos seus penduricalhos no seu salário.

No início do raciocínio comecei a pensar em memes ou mesmo charges que poderiam ser construídas a partir do evento bizarro e totalmente não usual dos juízes. Porém ao aprofundar um pouco mais na reflexão sobre o assunto, me deparei com um verdadeiro problema moral, é ético ficar fazendo troça de algo que é muito mais sério do que se pode pensar num primeiro momento? Não seria o correto desdobrar toda a estrutura do pensamento para chegar a conclusões mais enfáticas? Respondida para a mim a questão, passo agora a descrever as considerações.

Independente do cartaz lido e dos não lidos, simplesmente porque não foram escritos, brasileiros arriscam a sua própria vida e a dos seus familiares em nome da moral e da ética, que para uma nação com capacidade de fornecer a todos seus habitantes o mínimo para sua sobrevivência, a alimentação, um BANDO DE DEGENERADOS AÉTICOS E AMORAIS, que utilizando sofismas não enganam ninguém que o que querem é garantir mais uma cota de desigualdade, de dinheiro público para que, de acordo com declarações claras e expressas de um desembargador, possam não precisar repetir as roupas e deixar de ir até Miami para renovar seu enxoval.

Há duas morais no Brasil, uma moral proletária em que esse ou essa se sujeita a trabalhar mais de oito horas ao dia para com isto conseguir um parco salário e subsistir com o máximo de dignidade e altivez, enquanto há uma moral oligárquica que mesmo sabendo que seu luxo e abastança será retirado dos milhões de miseráveis, se acham acima de tudo, com direitos alienáveis que foram concedidos por eles mesmo, num verdadeiro processo kafkiano, pois para justificar valores ilegais acima dos máximos constitucionais são utilizados valores ilegais atribuídos pelas próprias organizações judiciais, e para garantir a permanência de valores aludem argumentos jurídicos.

Como contraposição ao processo kafkiano que o judiciário se arma e reivindica os seus direitos, é exatamente o mesmo que o pedinte no semáforo atribuísse um pedágio para todos que passassem pelo seu ponto de coleta mesmo isto sendo contra outras normas legais vigentes, esta permissão seria atribuída por um dos governantes de um hipotético e inexistente poder jurisdicional dos pedintes. Caso questionado o pedágio esse seria julgado sua ilegalidade ou não pela governança dos pedintes.

Quando uma ética geral e igualitária, não norteia as ações das oligarquias, a única coisa que permite que juízes contestem os recebimentos indevidos, e ao mesmo tempo não permite que os pedintes estabeleçam um pedágio em cada esquina, é o mero poder despótico que as oligarquias sabem tão bem utilizar, por mais absurdos que sejam.

 

2 Comentários

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rdmaestri

- 2018-03-23 03:46:26

A minha crítica é extensiva a toda a oligarquia, tanto.......

A minha crítica é extensiva a toda a oligarquia, tanto a pública como a privada.

E quanto a crítica aos ganhos dos juízes, já leste tudo que escrevi na minha vida? Acho que não, logo recriminações do tipo que fizestes são meras retóricas.

Houve tempo em que os professores universitários, começaram a fazer demandas salariais absurdas, no meu ponto de vista, que fui até assembléias levantei a minha desconformidade com a pauta da greve proposta e não aderi a mesma.

Já havia aderido a greves desde o tempo dos governos militares.

Logo, meu caro amigo, se achas que sou oportunista, sinto dizer que as pessoas julgam os outros pelas suas próprias métricas.

 

P.S.: Só um detalhe, quem estabelece a remuneração são eles mesmos, logo se há crime, conforme colocas no fim do TEU TEXTO, os criminosos são os que geraram o problema, e não o Estado em geral que deve pagar.

Pedro ABBM

- 2018-03-14 22:56:36

Não são só os juízes

Não são só os juízes, nem eles são os maiores: vários membros do funcionalismo recebem adicionais em seus salários. A denúncia contra os "marajás" vem desde o tempo de Collor. Mas parece que vocês só descobriram isso depois que os juízes começaram a condenar petistas. Até o mensalão ninguém falava nada.

Os adicionais dos salários dos juízes são indevidos? Talvez. Mas que eu saiba, eles não precisaram falsificar nenhum documento para recebê-los. Se esses pagamentos são indevidos, a culpa é de quem os paga, não de quem os recebe. Um princípio basilar do direito afirma que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo.

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