5 de junho de 2026

Paulo Guedes: o padrão goiabeira na economia, por Luis Nassif

Certa vez a Globonews convidou Armínio Fraga e Guido Mantega para um debate sobre economia. A intenção óbvia era permitir que o brilhante Fraga, o homem que trabalhou para George Soros, que conhece as entranhas dos mercados, arrasasse o pobre Mantega, economista visto como limitado até por sua escola de pensamento.

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Para surpresa geral, Mantega expos de maneira clamorosa a falta de conhecimento de Fraga sobre fatos econômicos internos e internacionais contemporâneos. Fraga não conseguira sair dos limites do padrão compro-vendo de ativos financeiros.

Paulo Guedes é pior.

Sua fala sobre o gás, colocando a Rússia na condição de país não produtor mostra uma ignorância à altura dos piores Ministros de Bolsonaro. A Rússia não é apenas o maior produtor de gás do planeta, como Guedes não acompanhou sequer as discussões sobre o gasoduto Russia-Alemanha, com profundas implicações geopolíticas.

Comportou-se como o inacreditável Ministro da Educação, que confundiu R$ 500 mil com R$ 500 milhões e, quando os jornalistas manifestaram estranheza com o valor, atribuiu o milagre da redução ao gênio de um assessor que acabara de ser nomeado.

Trata-se de uma ignorância crassa, bem de acordo com esses tempos de terraplanismo, de palpites leigos e de lacração. E fica mais chocante quando se compara com economistas históricos, como Celso Furtado e sua visão sistêmica de desenvolvimento, ou de Otávio Gouvea de Bulhões e Roberto Campos discutindo a organização das economias no pós-guerra.

A retórica de Guedes é a da lacração, as frases de impacto sem nenhuma fundamentação mais sofisticada, montadas de orelhada. E mostra também a lógica de um país atrasado em todas as frentes, especialmente em relação a Petrobras.

O excesso de pragmatismo político do PT expôs de maneira inédita a Petrobras, abrindo espaço para o ativismo político da Lava Jato. Depois, a compressão dos preços, ao mesmo tempo em que a Petrobras era incumbida do enorme desafio de explorar o pré-sal, permitiu que uma enorme manipulação midiática vaticinasse a quebra da empresa – enquanto a Petrobras colocava com sucesso, no mercado americano, por investidores bem informados, que sabiam que os problemas enfrentados pela empresa eram passageiros. Por aqui, escondeu-se até os impactos da queda do preço do petróleo nos resultados da empresa, afim de maximizar as denúncias de corrupção

A estratégia posterior, de Pedro Parente, foi tratar a Petrobras como uma empresa privada, que só presta contas a seus acionistas. Cometeu-se essa loucura, dos preços internos acompanhando os mercados internacionais, e aumentaram-se substancialmente os preços dos derivados, inviabilizando o gás nas casas de menor renda, voltando-se aos tempos da lenha.

Agora, Guedes diz que o preço do gás é caro por culpa do monopólio da Petrobras. E se propõe a reduzir 6 vezes mediante a mera mágica da privatização.

Qual a diferença de Guedes e de outros espécimens do zoológico bolsonarista, como Damares e Weintraub?

Não adianta. É um pais atrasado, com uma opinião pública sub-informada, massa de manobra para qualquer demagogo de plantão.

Como bem lembrou o economista Rogério Werneck, hoje no Estadão, foi o terrorismo de Guedes que travou os investimentos na economia. Se o país pode acabar se a reforma não for aprovada, quem vai se arriscar a investir?

Ou seja, o fator estultice está precificado na queda do valor Brasil no mundo. Aliás, relativamente precificado porque diariamente estão sendo batidos todos os recordes de idiotice institucional.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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