O jornalista Luis Nassif e a bancada do programa “Nova Economia” – formada pelos economistas Antônio Lacerda, João Furtado, Fernando Mattos, Leda Paulani e o jornalista econômico Sergio Leo – entrevistaram, nesta quinta (23), Paulo Alberto Nussenzveig, professor do Instituto de Física da USP e atual pró-reitor de pesquisa e inovação.
Nussenzveig comentou os avanços dos centros de pesquisa universitários, em especial na USP, tendo em vista a urgência das demandas por soluções locais e globais que impactem a sociedade.
Um dos principais pontos ressaltados pelo cientista ao longo do debate é a mudança de cultura entre os pesquisadores, uma vez que no espaço acadêmico agora não se têm mais a visão de que alguns tipos de pesquisas podem levar anos ou décadas, mas que as ideias e o conhecimento podem ter impactos significativos na sociedade em curto e médio prazo, ainda que nem todos os projetos são pautados pelo imediatismo.
Já o setor privado, que costumava usar a falta de celeridade nas conclusões de pesquisas e projetos de inovação como desculpa para não investir em inovação, está cada vez mais consciente de que, para competir localmente e se estabelecer em um cenário de competição global, é preciso investir em processos novos e transformadores. E esta disrupção não acontece sem o conhecimento profundo fomentado pelas universidades.
Combustível promissor
Para viabilizar pesquisas e trazer novas soluções para o mercado, Paulo Nussenzveig conta que seu trabalho enquanto pró-reitor de pesquisa e inovação da USP consiste em conduzir projetos em conjunto com outros quatro atores sociais: governo, setor privado, empreendedores e capital de risco.
Assim, a universidade tem projetos sobre gases de efeito estufa em que, a cada real financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Shell deveria aportar outro real na pesquisa. Hoje, o centro de pesquisa recebe R$ 6 do setor privado a cada R$ 1 gasto pela Fapesp.
Uma das pesquisas de destaque na USP é o uso do etanol de terceira geração como fonte de produção do hidrogênio verde, tendo em vista que este último deve ser a fonte de energia mais promissora do futuro, graças à ausência de poluentes e por ser ‘carbono negativo’.
“Um dos problemas do hidrogênio verde é o transporte, porque o volume ocupado em estado gasoso é muito grande, além de problemas de reatividade do hidrogênio. O que se faz, em geral, é tentar transportá-lo em forma líquida. Mas o hidrogênio se liquefaz a menos 263ºC. Então, o transporte exige caminhões com tratamento criogênico. Uma das belezas do projeto de RCGI (Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa) é que a conversão do etanol em hidrogênio pode ser feita no posto de abastecimento”, comenta o físico.
ASSISTA TAMBÉM:
Deixe um comentário