20 de junho de 2026

PMs do Batalhão de Choque são presos por furto de armas em megaoperação no Rio

Prisões ocorreram após a análise das câmeras corporais, que registraram o furto de dois fuzis
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Nesta sexta-feira (28), cinco policiais do Batalhão de Choque foram presos no Rio de Janeiro, suspeitos de crimes cometidos durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro.

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As prisões ocorreram após a análise das câmeras corporais, que registraram o furto de dois fuzis por policiais durante a operação. Todos atuam no Batalhão de Choque, tradicionalmente acionado em operações de alto risco e controle de territórios dominados pelo crime organizado.

Quem são os policiais presos

  • Subtenente Marcelo Luiz do Amaral
  • Sargento Charles William Gomes dos Santos
  • Sargento Diogo da Silva Souza
  • Sargento Eduardo de Oliveira Coutinho
  • Sargento Marcus Vinicius Ferreira Silva Vieira

Investigação e mandados

Até o momento, dez PMs estão sob investigação, com mandados de busca e apreensão cumpridos no batalhão e em residências. A Corregedoria identificou que dois grupos não registraram fuzis apreendidos, incluindo um caso em que seis policiais recolheram uma arma na comunidade e depois se encontraram com outros dois em uma padaria.

As câmeras corporais mostram policiais manipulando e tentando ocultar armamentos, e trechos indicam conversas sobre esconder fuzis antes de deixar a área, reforçando a suspeita de conduta dolosa. Isso levou à prisão de cinco militares, entre eles um subtenente e quatro sargentos.

A defesa do sargento Diogo da Silva Souza afirma que a prisão é “desnecessária”, alegando que os policiais agiram em legítima defesa, possuem bons antecedentes e estavam em serviço no momento da operação.

O massacre e a narrativa oficial

A operação Contenção mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e deixou 122 mortos, segundo dados oficiais da PMERJ. As mortes seguem sendo investigadas por órgãos de controle e pelo Ministério Público.

Especialistas e organizações de direitos humanos afirmam que a ação configurou execuções sumárias com o uso excessivo da força, transformando as favelas em verdadeiras zonas de guerra. O jornalista Sérgio Ramalho, em entrevista à TV GGN, resumiu a percepção de muitos.

“Não foi retomada de território. Foi extermínio. Não se mantém controle, não se investiga, não se garante segurança para a população. A PM entrou, matou, levou corpos e saiu. Isso não é pacificação; é execução.”

Para Ramalho, a operação reforça um padrão histórico de seletividade da violência no Rio, que afeta desproporcionalmente comunidades pobres e periféricas, enquanto legitima a brutalidade institucional.

Com informações do G1

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