A recente decisão de Washington de classificar as duas maiores facções criminosas do Brasil — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como organizações terroristas provocou uma aparente onda de euforia na extrema-direita brasileira, celebrada como um golpe contra o crime organizado. No entanto, sob as lentes da geopolítica e da segurança pública real, a medida desenhada pelo secretário de Estado Marco Rubio carrega um paradoxo perigoso: em vez de sufocar o crime, ela pode acabar fortalecendo o tráfico transnacional.
Em entrevista à TV GGN, o cientista político Pedro Martins, doutorando em Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), jogou luz sobre os bastidores institucionais dessa mudança e alertou para as consequências imediatas. Segundo o pesquisador, o principal erro de diagnóstico da opinião pública é acreditar que o selo de “terrorismo” amplia os canais de cooperação bilateral. Na prática, ocorre o oposto. Confira a entrevista completa pelo link abaixo.
O fechamento dos canais de inteligência
Historicamente, o combate ao narcotráfico nas Américas opera em uma lógica de via dupla: o Brasil fiscaliza a produção e o trânsito interno, enquanto agências americanas como o FBI e a DEA (agência de combate às drogas) monitoram o mercado consumidor e, crucialmente, o contrabando de armas que saem dos EUA para abastecer o crime carioca e paulista.
Com a nova designação, o jogo muda de mãos dentro do Estado americano. Sai a polícia, entra a espionagem.
“Com crime organizado, as instituições que se envolvem são a DEA e também o FBI. Para terrorismo, você já passa para a CIA e algumas inteligências militares. Isso muda o escopo temático, até o orçamento e o campo institucional mudam”, explica Pedro Martins.
Essa dança das cadeiras rompe com um formato que levou anos para ser institucionalizado. A Polícia Federal brasileira e o Ministério da Justiça possuem canais fluidos e cotidianos de troca de informações com os Estados Unidos. Com a entrada da CIA e de órgãos de inteligência militar na equação, o caso deixa de ser tratado de forma aberta pelas polícias e passa para o campo da espionagem, onde o sigilo absoluto e os segredos de segurança nacional dos EUA impedem qualquer compartilhamento de informações com o Brasil.
“Por o terrorismo ser uma questão muito sensível, muito delicada e muito premente nos Estados Unidos, o normal é que a cooperação seja mais dificultada, que você tenha menos troca de informações e compartilhamento de informações entre Brasil e Estados Unidos”, aponta o pesquisador.
Os “pontos cegos” da cadeia produtiva
O crime organizado contemporâneo funciona como uma corporação multinacional. A droga sai dos produtores andinos, transita pelo território brasileiro, alimenta o mercado consumidor americano e europeu, enquanto o pagamento retorna em dólares ou em armamento pesado de fabricação norte-americana.
Para desmantelar uma estrutura desse porte, a coordenação entre as pontas é vital. Se Washington decide “fechar as cortinas” de sua inteligência militar, o fluxo de informações trava. E o crime organizado se alimenta, justamente, das brechas do Estado.
“A única forma de você combater é se você botar todo esse pessoal conversando. Se você não coordena, você não consegue. Sem isso, você acaba dificultando a cooperação e, de uma forma indireta e subsequente, facilitando a proliferação desse crime organizado, porque sem uma resposta coordenada eles conseguem achar brechas e falhas em cada ponto da cadeia”, adverte Martins.
Para além do impacto técnico nas polícias, há um forte componente de política interna nos EUA. A “canetada antiterrorista” serve como resposta a uma crise severa de segurança pública e consumo de drogas que consome o próprio solo doméstico americano, afetando diretamente a avaliação popular do governo Trump.
“Os Estados Unidos têm um problema de segurança pública muito elevado. Eu olhei dois rankings internacionais diferentes e ambos colocam várias cidades americanas — principalmente Detroit, Atlanta, Baltimore, Memphis e Nova Orleans — entre as cidades mais violentas do planeta. Isso não é uma notícia trivial”, contextualiza Pedro Martins.
Com as eleições de meio de mandato (midterms) batendo à porta, a medida ganha forte contorno eleitoral para o governo Trump, servindo tanto para o público norte-americano quanto para alimentar discursos polarizados por aqui.
“Quando o governo Trump faz isso, ele tá buscando mostrar pra sua base de que tá combatendo o crime organizado. Isso é um artifício retórico tanto pro cenário interno dos Estados Unidos quanto para alguns políticos, principalmente mais à direita, dentro do cenário político eleitoral brasileiro”, explica o pesquisador.
O lobby de Flávio Bolsonaro e as reais intenções da extrema-direita
A aparente “vitória” celebrada pela oposição nas redes sociais traz a assinatura direta do clã Bolsonaro. Dias antes do anúncio oficial do secretário Marco Rubio, o senador Flávio Bolsonaro esteve em Washington, no Salão Oval, em uma ofensiva de lobby direto com Donald Trump para cavar a classificação de “terroristas” para o PCC e o Comando Vermelho. Ao pegar carona na canetada da Casa Branca, o senador, que se coloca como pré-candidato à Presidência, tenta construir um palanque eleitoral baseado na entrega da soberania nacional, desenhando uma narrativa de que o governo federal é incapaz de gerir a segurança pública e que o Brasil precisa de tutela estrangeira para enfrentar o crime.
No entanto, a tentativa de faturar politicamente abriu uma crise de imagem que expõe o tamanho do telhado de vidro do bolsonarismo quando o assunto é o submundo do crime. Ao focar os holofotes de Washington exclusivamente no tráfico de drogas paulista e fluminense, a extrema-direita tenta manter fora do radar internacional as milícias e seus operadores financeiros – estruturas com as quais o clã historicamente mantém laços.
Para o pesquisador, porém, o feitiço do lobby pode se voltar contra o feiticeiro, já que as restrições financeiras do Tesouro americano não costumam poupar as conexões políticas que dão sustentação ao crime organizado, venha ele do tráfico ou das milícias.
Confira o programa completo pelo link abaixo:
Eduardo Pereira
30 de maio de 2026 11:23 amRachadinha detonou uma bazuca no joelho
Carlos
30 de maio de 2026 1:48 pmNo crime haverá ganho cultural pois, a partir deste enquadramento, falar inglês nao será privilégio do capos, como vimos recentemente em reunião nos eua. Agora até a molecada do crime precisará aprender ingles para, no mínimo, pedir “please don’t kill me”, quando os eua invadirem a favela.
jose carlos lima
31 de maio de 2026 5:24 amUm dos 3 paises do mundo que nao assinaram o tratado que permite a outro pais classificar como terrorista organizacai criminosacem seu proprio pais é os EUA
Pq sera heim patriotario
nao eh sobre combater pcc e cv e sim usar isso como desculpa pravtomar nossas riwuezas e tudo o que der lucro pra empresas americanas,, invkudive usar o terrorismo como desculpa pra extinguir o pix para que empresas americanas voltem a lucrar com o aumento do uso do cartao de credito caso o pix seja ectinto
e tem mais uma: como é a CIA que vai comandar essa farsa, os milicianos parceiros cadelinhas do Imperio serao blindados
povo inocente e alienado, que nao percebe a realidade na frente do proprio nariz
o mito da caverna, de Platao, explica esse alheiamento da realidade e encantamento diante das sombras da realidade projetadas por bolhas virtuais tevnofascistas
caia na real meu povo e parem de acreditar nas falsas narrativas dessa direita colonial antipovo entreguista
Leonardo Leão
31 de maio de 2026 11:50 amE tem mais: se Lula, com firmeza e habilidade, expuser que o Brasil faz sua parte e eles nada.
A carta, creio, é boa para nós: Trump não pode exacerbar o embate com Lula. Ele precisa de nós e sabe que não vai controlar o Brasil escancaradamente enquanto Lula for presidente.
Vai ficar nesse ribuliço de mulé parida por um mês, mês e ‘cadim, depois Trump TACO, dá ré pra traz.