Porque o Império não deseja a intervenção militar.

(Subtítulo: Mas nada impede que ela ocorra)

Há imensos setores da população de baixa educação política que desejam uma intervenção militar, mas com um governo cambaleante, ineficiente e totalmente sem base nenhuma a pergunta que se faz é:

Por que os militares ainda não interviram?

A resposta é muito simples, pois apesar de uma tropa de generais ainda descendentes da última ditadura, bradarem aos quatro ventos que os militares deveriam assumir o poder, ainda não há um movimento que com um sopro derrubasse o governo ilegítimo.

A última afirmação não responde a nada, passa de uma pergunta a outra que não há ainda a clareza do ânimo beligerante nas forças armadas.

Lá por volta de 1965 ou 66 meu pai que era um empresário e tinha uma ideologia empresarial tinha contato com o comando do na época comando mais forte do Brasil, o terceiro exército. Ao conversar com o comandante do terceiro exército e perguntar como foi a operacionalização do golpe de 64 o comandante explicou que tinha sido fácil. Havia os conspiradores de plantão, que mantinham contato com os governadores civis e com o apoio Norte Americano e o resto da tropa se mantinha fora deste esquema.

Com o agravamento da situação insuflada pela ação principalmente da imprensa (que já era golpista) e com partidos conservadores e movimentos de extrema direita que eram importantes na época TFP (Tradição, Família e Propriedade) o comando central dos golpistas militares começaram a fazer suas contas, simplesmente telefonavam ou mantinham contato direto com os comandantes dos diversos quartéis e sabiam que se estes eram contra ou a favor do movimento. Quando o número de tropas comandadas por aqueles que eram a favor ultrapassaram em muito os que eram contra o golpe foi marcado e executado, diga-se de passagem, que o General Olympio Mourão Filho (atenção: não é o atual Antonio Hamilton Martins Mourão) que era do Movimento Integralista Brasileiro (extrema direita de ideologia fascista) se antecipou aos golpistas que estavam ainda traçando suas estratégias e saltou na frente com tropas insuficientes e mal armadas. Como não houve resistência do governo, o golpe colou e ao chegar no Rio os verdadeiros conspiradores comandados pelo Marechal Humberto de Castelo Branco tomou o poder e deu um tapinha nas costas do Mourão e disse:

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– Bom rapaz, muito bom, come a tua raçãozinha que daqui por diante nós tomamos conta.

Resumindo, para haver um golpe militar é necessário dois pressupostos, ter apoio externo (USA) que está ligado diretamente ao auto comando dos golpistas, e ter apoio da maioria dos comandantes das três armas.

Agora vamos analisar a situação atual começando com o apoio do Império.

Para haver apoio do Império, ele tem que ter uma razão estratégica que o beneficie para fazer isto, ou seja, em 1964 a razão era simples, Cuba levava medo aos norte-americanos e uma queda para a esquerda do Brasil seria o pior dos mundos. Logo os riscos de um governo ditatorial de direita eram mínimos em relação a um governo reformista como o de Jango, logo o apoio foi claro e foi mandado uma frota chefiada por um porta-aviões que chegou meio tarde devido a antecipação da data feita pelo General Mourão Filho.

Porém em 2018 as coisas mudam de figura, o Império não está mais satisfeito com um mero governo de direita chefiado por militares, pois o que o Império quer é o domínio total da economia sem interferências de militares ou mesmo políticos conservadores brasileiros. Um governo Temer, que tem no seu comando um General Sergio Etchegoyen, um autentico liberal que não se incomoda nem um pouco de entregar as riquezas brasileiras ao Império do Norte, satisfaz o menu econômico que norteia o Imperialismo, logo a única vantagem de um governo militar é que poderão governar com censura, prisões arbitrárias e mais alguns itens obrigatórios, como colocar os partidos de esquerda (principalmente o PT) e prender mais algumas lideranças para fazer companhia a Lula.

Entretanto há outros fatores que são levados em conta pelo Império que o inibem até o momento a aprovação automática de um golpe militar, a imprevisibilidade do futuro. Todos sabem que a data para os militares assumirem o poder no Brasil, com o fraco governo Temer, é uma questão de marcar o dia e a hora, pois a sua sustentação simplesmente não existe. Porém se defenestrar o Temer é algo simples e econômico em termos políticos, resta saber qual é o LUCRO que o Império pode obter com isto. Vamos explicar melhor:

Se por acaso, dentro de uma parte do exército, na marinha ou na aeronáutica tiver um setor mesmo que pequeno que tem algum sonho distante de independência, por menor que ele seja, não poderá ser simplesmente preso, e destituído das forças armadas como os elementos legalistas restantes em 1964 foram, ou seja, em 1964 diriam que eles eram comunistas e os prendiam para posteriormente serem caçados. Nos dias de hoje, não dá para pegar nem que seja meia dúzia e prende-los acusando-os de serem contra a ocupação estrangeira do país, pega muito mal! Ou seja, se houver um golpe militar, os golpistas terão que perigosamente conviver com elementos contra o golpe que poderão inclusive continuar a fazer a sua pregação ideológica que será de pôr e prática o que teoricamente as forças armadas tem que fazer, defender o país contra invasores estrangeiros.

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Porém o assunto é mais enrolado do que isto, o Imperialismo internacional tem uma nova bandeira, não é suficiente para o funcionamento do mesmo a compra de ativos no país e o lucro com isto, mas é necessário a DESTRUIÇÃO DO ESTADO NACIONAL, e é por aí que o bicho pega. Porém só dizer isto sem comprovar é um discurso vazio, então vamos as provas.

O Imperialismo do fim do século XIX e início do século XX até a segunda grande guerra era caracterizado por Estados Nacionais fortes nos países centrais e colônias ou semicolônias nas outras regiões, o que se chama de globalização ou mesmo de pós-capitalismo é simplesmente a expansão extra região de influência política do imperialismo internacional, por exemplo, as fábricas de automóveis competem pelo monopólio internacional em todos os países do mundo, ou seja, o carácter nacional do imperialismo se perdeu em parte e fábricas alemãs, francesas sofrem a concorrência de outras dentro de seu território e ao mesmo tempo concorrem com as outras fora do seu território ou colônias. O objetivo final é o monopólio ou simplesmente o oligopólio como no setor de indústria de aviões.

Essa extraterritorialidade do capital internacional se vê inibida pelo Estado Nação, para combater isto, já se vê claramente nos acordos internacionais de comércio a própria negação da soberania nacional dos legislativos dos países e das leis por eles criadas. Por exemplo, na Austrália, como foi feita uma legislação que inibia o fumo, as industrias Imperiais entraram com uma ação contra o governo Australiano para que ele pagasse o que eles perderiam das receitas com esta lei. Para a felicidade do antitabagistas a reivindicação era tão absurda que os ÁRBITROS INTERNACIONAIS e não o judiciário australiano deu ganho de causa ao governo.

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A necessidade do poder extraterritorial do Imperialismo tem exatamente função de impedir a surtos de nacionalismo que países democráticos ou mesmo autocráticos tenham, o exemplo da Turquia é revelador. O presidente Erdogan, ameaçado por um golpe semelhante ao brasileiro pôs juízes, representantes da grande imprensa e oficiais do exército na cadeia, e a sua política de apoio ao Imperialismo Norte-americano simplesmente está se perdendo para novos aliados (China e Rússia).

Como se pode ver, um governo fraco e extremamente dependente representado na figura de Temer é mais maleável a imposições do Imperialismo.

Mas voltando ao aspecto de como se faz um golpe militar, falei do apoio externo, mas o apoio interno da tropa, ou de meia dúzia de comandantes que chefiam unidades importantes e que tem o respeito dos seus subordinados é extremamente difícil de ser controlado em governos militares, pois como disse anteriormente o discurso oficial de defesa dos valores nacionais, pode por alguns comandantes além de repeti-los artificialmente podem ser levados a sério pelos mesmos, e não é necessário muitas tropas para derrubar um governo militar desacreditado pela maioria da população.

Para mostrar a necessidade de algum crédito dos militares quando estão o poder, lembro que a criação do BNH, que serviu como uma política habitacional durante um curto período, o reforço e criação de novas estatais, a criação do Estatuto da Terra e outras ações midiáticas que tentavam representar uma forma de nacionalismo nos governos pós 64 foram utilizadas, porém naquela época como havia uma União Soviética o Imperialismo estava disposto de ceder os anéis para não perder os dedos, e atualmente o caso seria de ceder os anéis o relógio e parte da camisa para não perder os braços.

 

 

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