21 de maio de 2026

“A pressão no preço dos alimentos vem da produção agrícola e da agroindústria”, explica economista

Mercado internacional é o grande motor da alta no preço dos alimentos, uma vez que o agronegócio brasileiro é guiado para a exportação
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Por Lorena Tabosa

Em O Joio e o Trigo

“A pressão no preço dos alimentos vem da produção agrícola e da agroindústria”

Uma grande produção agrícola vinculada ao mercado internacional encarece os preços dos alimentos. Para o economista José Giacomo Baccarin, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e um dos fundadores do Instituto Fome Zero (IFZ), a inflação de alimentos não está baseada em desastres climáticos ou nos ciclos da pecuária, como afirmaram ministros do governo.

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Em entrevista ao Joio, o professor avalia que o país deveria voltar os olhos para a produção agrícola e pensar uma política de abastecimento que restrinja as possibilidades de aumento de preço momentâneo. “É preciso fazer um Plano Safra não simplesmente anunciando crédito, preço mínimo e seguro rural. Mas fazendo uma avaliação da agricultura, tendo uma estratégia para intervir, para ter uma ação sobre a agricultura brasileira”, diz. Baccarin aponta que, apesar de necessárias, políticas de aumento da renda da população não são o bastante para lidar com os preços dos alimentos e explica como a inflação afeta as famílias de forma diferente conforme a faixa de renda.

A seguir, leia trechos da entrevista.


Os desastres climáticos do ano passado foram apontados pelo governo como um dos principais fatores inflacionários nos preços dos alimentos. Como você avalia esse cenário?

Eu não atribuo a questões climáticas, não. O que aconteceu no final do ano passado, de setembro a dezembro, foi um salto do preço das carnes puxado pelo preço internacional e por uma grande desvalorização do real. Então, teve um aspecto conjuntural ligado ao comércio internacional. Mas isso tem também algo estrutural ligado ao comércio internacional. Não foi só no final do ano passado, nós estamos vivendo um encarecimento relativo do preço dos alimentos desde 2007. Não temos uma crise de abastecimento, não dá para dizer isso. Mas essa reação [à alta dos preços] abriu espaço para que a gente discutisse com mais profundidade o que está acontecendo no Brasil.

Foto: Unsplash

A hipótese que eu estou trabalhando é que nós vivemos uma inflação de alimentos no Brasil, e é bom conceituar o que eu entendo por isso. Inflação de alimentos é um aumento, um encarecimento relativo dos alimentos maior do que os outros bens por um período considerável de tempo. Não é por um momento, mas por um, três, cinco anos. E nós vivemos isso no país desde 2007.

Se você pega as médias de IPCA e do Índice de Preço de Alimentação e Bebidas, nesses 18 anos, de 2007 a 2024, nós tivemos o IPCA variando 5,7% em média anual. E o IPAB, que é um dos componentes do IPCA, variando 7,8%. São 2,1 pontos percentuais a mais do que o IPCA. Na maior parte dos anos, esse índice ficou mais alto que o IPCA. Não é momentâneo.

A que eu atribuo isso? A uma grande produção agrícola. Mas como uma grande produção agrícola traz aumento de preço de alimentos? Sendo uma grande produção agrícola vinculada ao mercado internacional, em que os preços encareceram neste século. Ao pegar os índices de preço da FAO, verificamos que a alimentação ficou bem mais cara neste século do que no final do século passado. Nós tivemos um encarecimento da alimentação.

Como o Brasil virou um grande exportador agrícola, ele se beneficia disso, tem mais dólar, mas, ao mesmo tempo, o mercado interno sofre mais influência dessa situação. Tanto na exportação, quanto na importação. Se sobe, por exemplo, o preço da soja, o que deve acontecer agora, o pessoal vai aumentar o plantio de soja. Vai pegar sua terra, seu capital, e usar mais na soja. Pode tirar investimento do feijão. Ou seja, sobe o preço da soja, diminui o investimento e a produção do feijão, e o preço do feijão também aumenta.

Os preços dos produtos sem participação expressiva no mercado internacional acabam sendo contaminados também. A explicação mais geral é uma crescente presença do Brasil no mercado internacional no momento de preços internacionais muito altos.

Quais fatores levaram à alta internacional dos preços? 

Há vários fatores, eu destacaria dois. Um foi o encarecimento de custos. A agricultura depende muito do combustível, tanto para operações agrícolas quanto para o transporte. Por outro lado, tem um efeito na demanda, que é o mais importante. 

A China não participava do comércio internacional antes deste século. Quando entra no comércio internacional, ela vem como uma grande compradora de produtos agrícolas. Mas a China não produz? Ela tem a maior agricultura do mundo. Uma área menor em termos agricultáveis que o Brasil, porque a Ásia tem uma relação população por terra muito grande, tem muita gente. Temos uma área parecida com a China, duas vezes e meia talvez que a Índia, só que nós temos 220 milhões de habitantes, eles têm cada um 1,4 bilhão de habitantes. É outra proporção.

Foto: Portal Educação

A China entra no mercado internacional como compradora, ainda tem uma renda per capita baixa, mas está aumentando a renda da população. Eles retiraram 800 milhões de pessoas da pobreza. Os mais pobres, quando aumentam o salário, puxam muito o consumo de alimentos. As pessoas vão comer mais e começar a importar.

Quase todo o aumento da exportação brasileira nesse século foi para atender o mercado chinês. Isso provocou uma pressão sobre os preços internacionais. Então, a culpa é do chinês? Tem que tomar muito cuidado com esse tipo de coisa. Eles têm todo o direito de melhorar o seu padrão de vida, se alimentar mais.

Só que, mesmo que a produção mundial tenha crescido bastante, cresceu num ritmo um pouco menor que o consumo mundial de alimentos, pressionando o preço. E nós temos um problema: será que daqui para frente, com os problemas climáticos que estão acontecendo, isso não se acirra ainda mais? O alimento, portanto, não volta mais a ter o patamar do começo do século. Acho que essa é a grande tendência.

Que políticas públicas poderiam ser implementadas para conter essa pressão nos preços?

Estão criticando a ideia de intervenção pública. Não sei por quê. Vamos chamar de ação pública, já que estão questionando também as medidas heterodoxas. Bom, mais heterodoxo do que o mundo está hoje, eu nunca vi. Cada dia o Trump tem uma medida heterodoxa, para não chamar de outra coisa… uns absurdos. Estamos vivendo em um mundo em que os países tendem a adotar políticas de proteção à sua economia e à sua população.

Nós temos que estar atentos para isso. Na minha avaliação, a intervenção pública deveria se dar nos momentos de repique de preço. A ação pública deveria agir no mercado internacional via imposto de exportação ou até contenção da exportação. Tem que ver se a legislação hoje permite, porque mudou tanto na época do Bolsonaro, do Paulo Guedes, que pode ser que não haja mais essa possibilidade. O governo deveria ter alguma ação imediata quando você tem um pico de preço, como no caso da carne.

Foto: Pexels

Até agosto, as carnes reduziram 2,5% de preço. De setembro a dezembro, em quatro meses, aumentaram 23%. O que explica esse aumento em quatro meses? Por que de repente a carne dispara e causa todo esse alvoroço no Brasil? Eu não avalio isso como um problema de oferta. O ciclo pecuário esperou setembro, entrar a primavera, para se manifestar? Podia ser mais gradual. Por que de repente?

Associo isso ao movimento de desvalorização cambial, que foi muito forte no ano passado. Como a desvalorização cambial afeta o preço dos alimentos? Se você tem um câmbio 6 por 1, você vende US$ 1 e ganha R$ 6. Nós tivemos uma desvalorização cambial de 27% no ano passado. Isso afetou muito. Penso que isso aconteceu na carne e na soja. A carne bovina tem um peso muito grande. Se a soja sobe, não causa tanto transtorno. Se a carne sobe, causa muito transtorno. 

Entendo que o governo deveria ter medidas para intervir nesses momentos e agir politicamente. Acho que o presidente Lula levantou essa bola e tem razão, isso atinge mais os mais pobres. Ele poderia ter chamado os frigoríficos ao invés dos supermercados. Chama os frigoríficos e pergunta o que aconteceu. Por que em quatro meses vocês subiram tanto preço? Tem explicação? Tem causa no mercado para justificar isso? Ou é um aproveitamento de uma desvalorização cambial em termos especulativos? 

Outra questão fundamental este ano é conseguirmos fazer com que o câmbio continue num patamar menor. Já está acontecendo, estamos passando por uma valorização cambial. A cotação do dólar chegou a R$ 6,2 por US$ 1. Agora está baixando para R$ 5,7 por dólar. Isso é positivo em termos de inflação. Tem ações que podem ser feitas, que não são tanto do Executivo, são mais do Banco Central.

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Eu não acredito em independência de ninguém [em referência ao Banco Central]. Sempre tem um vínculo político. Mas é operacional [nesse caso]. Se a moeda nacional se valoriza, diminui a pressão vinda lá de fora para aqui dentro.

Essa desvalorização da nossa moeda teve relação com a taxa de juros nos Estados Unidos, como disse o Ministério da Fazenda?

Tem fatores externos, mas avalio que o Banco Central, na gestão anterior, olhou aquilo de maneira displicente. De 2001 a 2023, nós tivemos um aumento do preço dos alimentos lá fora e uma valorização do real com flutuações. Mas a tendência foi essa. Um aumento dos preços dos alimentos e a moeda brasileira se valorizando. Isso serviu de amortecimento para o mercado interno. Se não tivesse acontecido isso, a inflação de alimentos no Brasil seria ainda maior. 

O ano passado juntou duas coisas. Cresceu o preço dos alimentos lá fora e a moeda se desvalorizou. E nós ficamos olhando. A nossa reação política foi muito fraca. Deveríamos ter questionado mais essa displicência, na minha avaliação, da presidência do Banco Central. Espero que agora, numa nova gestão, isso seja tratado não displicentemente. 

Em relação às famílias mais pobres, que consequências a alta nos preços dos alimentos deve trazer nos próximos meses? 

A alimentação representa em torno de 20% do que a família brasileira gasta nos supermercados, considerando alimentação para o domicílio. Só que isso, para quem é rico, é menor. Talvez ele gaste 10, 5% da sua renda com comida. Para quem é mais pobre, representa 30%, às vezes até 40% da sua renda vai para comida. Não sobra dinheiro para outras coisas. Então, o impacto sobre 10% é um, sobre 20% é outro, e sobre 30% é bem maior.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Além disso, a gente tem que pensar o seguinte: a cesta de consumo de alimentos do rico é farta. Aliás, até estimula a jogar comida fora, porque ele compra mais comida do que precisa. No lixo do rico tem comida. Comida que perdeu a validade e que não foi consumida. Essas questões culturais que o consumismo nos leva a assumir. 

Então o rico, se aumenta o preço da carne e ele não for dono de frigorífico ou pecuarista, ele vai se incomodar. “Opa, meu filé mignon ficou mais caro, minha picanha ficou mais cara.” Mas vai deixar de comprar? Talvez tenha que tirar R$ 100, R$ 200 do que ele aplicava no banco todo mês e gastar mais na carne. Então, ele vai comprometer um pouco seus investimentos.

Se isso acontece com o mais pobre, que tem uma cesta de alimentos restrita, significa que ele tem que reduzir o seu consumo ou trocar o consumo. Se eu estava conseguindo comprar carne para comer três vezes por semana, agora eu vou passar a consumir duas vezes por semana. Vou trocar carne por uma outra proteína, por um embutido, por ovo de galinha, se o preço também não tiver aumentado. 

Rafa Neddermeyer – Agência Brasil

O mais pobre vai comprometer mais a sua renda, e de uma maneira muito mais forte, em termos percentuais, quando a alimentação encarece, e pode chegar a diminuir a quantidade física. Passar a ter uma situação de insegurança alimentar moderada ou grave. Então, o efeito não é o mesmo de acordo com o nível de renda das pessoas. É muito mais forte e é muito mais sentido pelas famílias com menor renda do que pelas famílias que têm folga orçamentária.

Os supermercadistas entraram na discussão da inflação de alimentos com uma série de propostas ao governo, como ampliar o prazo de validade dos produtos alimentícios. Isso tem alguma conexão com os preços dos alimentos?

Os problemas não estão nos supermercados, estão na agricultura e na agroindústria. A agroindústria frigorífica, de laticínios, a indústria de açúcar, suco de laranja, que faz o primeiro processamento do produto agrícola. É daí que vem a pressão no preço dos alimentos. É produzido na agricultura, passa pela agroindústria, vai para a indústria alimentícia, passa pelo varejo, pelos supermercados e chega ao consumidor. Então, você tem uma cadeia.

A pressão podia vir da indústria alimentícia e dos supermercados. Na minha avaliação, a pressão vem das condições de produção agrícola e da agroindústria. É aí que tem que intervir. A conversa com o supermercado, o supermercado leva lá algumas demandas, prazo de validade… para mim é um pedido oportunista, aproveitar um estouro do preço para deixar eu vender o produto com prazo de validade maior. É se aproveitar de uma situação para ganhar algo. Até podemos discutir se tem que fazer ou não, mas não por causa do que aconteceu com os preços.

E em relação aos frigoríficos, por que eu acho que temos, democraticamente, o direito do presidente [Lula] chamar os frigoríficos? Porque no ano passado eles convocaram a nação para brigar com o supermercado que estava dizendo que a nossa carne tinha problema sanitário e que a Europa deveria impedir a importação. E a nação, de certa maneira, se mobilizou em favor deles. Vamos retribuir isso. Eles convidaram a nação a defender os interesses deles, que também são interesses do Brasil, agora vamos chamá-los para defender o interesse da população brasileira. Espero que seja deles também, mas aí já não tenho tanta segurança.

Pelo que se observa, parece não haver um caminho de ação mais imediata para conter os preços. Mesmo um maior investimento do Plano Safra, apontado como uma solução pelo governo, e a recuperação de estoques públicos, essas seriam ações de médio e longo prazo, certo?

Todo ano eu leio o Plano Safra. E a quê ele se resume? A dizer como é que vai ser o crédito, um pouco de preço mínimo e um pouco de seguro rural. Esse é o Plano Safra? Ou deveria ser mais? Quem sabe agora possamos chamar todo mundo e perguntar: o que nós pretendemos no ano que vem? O que queremos incentivar de produção? Nós pretendemos armazenar alguma coisa? Como fazer isso?

Tem muita gente que fala: “Precisa armazenar, recuperar estoques reguladores”. Eu também acho, mas não é de uma hora para outra. E nós não deixamos de ter estoques reguladores agora. O último momento que nós tivemos estoques reguladores para valer foi na década de 1980, depois não tivemos mais. Nem nos governos Lula 1 e 2.

É preciso fazer um Plano Safra não simplesmente anunciando crédito, preço mínimo e seguro rural. Mas fazendo uma avaliação da agricultura, tendo uma estratégia para intervir, para ter uma ação sobre a agricultura brasileira. Porque não adianta falar que o Plano Safra colocou R$ 200 bilhões.

É um número impressionante, continua sendo impressionante. Mas o que são esses R$ 200 bilhões? São recursos de crédito, grande parte. Não é dinheiro público e pouca gente sabe disso. É dinheiro dos bancos. Todos os bancos comerciais no Brasil têm que aplicar na agricultura. São obrigados a pegar de 25% a 30% do seu depósito à vista e emprestar para agricultores, e não podem cobrar juros acima do que é fixado pelo governo.

Isso é uma intervenção. Por que essa palavra está tão proibida hoje? O governo obriga os bancos a fazerem isso desde 1965, quando se criou o Sistema Nacional de Crédito Rural e os bancos tiveram que disponibilizar 10% do depósito à vista para emprestar para a agricultura.

Mas não basta só isso. Nós temos que pensar em outras questões, ter uma visão mais estratégica e analisar os dados. Olhar os produtos que estamos produzindo e avaliar o que não está atendendo à nossa necessidade de crescimento. O Plano Safra não tem nada de pesquisa. Talvez mais importante que o crédito rural no Brasil, para o desenvolvimento da agricultura, foi a pesquisa. E como é que está Embrapa? O que a Embrapa está pesquisando? Como é que estão os recursos da Embrapa?

Acho que nós pecamos um pouco pelo sucesso. Está dando certo, a agricultura brasileira está indo bem, aí vem a turma do agronegócio e fica falando as barbaridades que falam, dizendo que nós somos o celeiro do mundo e essas coisas todas. Exagerando no tamanho do agronegócio, e de onde saiu esse agronegócio todo? Nós fomos aceitando esse discurso e perdendo capacidade de elaboração, de análise mais fundamentada.

Agora é o momento de fazer uma síntese e melhorar a formulação pública. Pública não é governamental: é pública. Pensar um projeto nacional que leve em conta os interesses privados, mas leve em conta também os interesses da população brasileira.

Espero que dessa discussão toda haja ação. Porque senão daqui a pouco sai de moda também e vamos continuar do jeito que está.

E como fazer essa síntese?

Precisa chamar os especialistas para conversar e afinar mais a ação pública. Porque fazer a comida ficar barata é uma grande ação pública.

Estamos em um momento, sob o ponto de vista de segurança alimentar e nutricional, de pensar o seguinte: o Brasil agiu correto nessa área nesse século? Pelo lado do aumento da capacidade de compra da população, sim. Você tem o Bolsa Família, tem o Benefício de Prestação Continuada, tem o sistema de previdência social, tem aumento real do salário mínimo. Tudo isso é muito importante, porque você aumenta a capacidade de compra da população. Aí nós temos muito o que mostrar.

Pelo lado da produção, nós tivemos uma ação pública minimamente efetiva, se é que foi minimamente efetiva. Talvez seja o momento da gente pensar pelo lado da produção, em ações que façam com que o alimento não falte, não fique caro no Brasil.

Avançamos muito um lado, talvez porque estava dando certo, produção crescendo, “olha o agronegócio aí” e toda a propaganda que eles fazem de que é a salvação do Brasil. E ninguém tendo coragem de dizer “olha, não é bem assim”. Talvez seja um momento de termos a coragem de dizer que interessa para nós todo o desenvolvimento tecnológico da agricultura, mas interessa também que se consiga isso com preservação ambiental e com a segurança alimentar da população.

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  1. Rui Ribeiro

    7 de março de 2025 1:56 pm

    A produção dos países ricos visa primeiramente abastecer o mercado interno, exportando-se o excedente. A produção dos países pobres visa prioritariamente o abastecimento do mercado externo, sendo o mercado interno de tais países abastecido com as sobras das exportações.

    Veias Abertas da América Latina. Saudoso Eduardo Hughes Galeano.

    1. Padawan

      8 de março de 2025 9:54 pm

      A fisiocracia foi a primeira escola econômica da história.
      A riqueza é produzida pela agricultura e somente por ela. Era um dogma.
      Será que essa fé ressurgirá com a inflação dos alimentos?
      E não serão tocados o azeite e o vinho …

  2. Sergio Navas

    7 de março de 2025 6:32 pm

    Hora dos deputados e senadores patriotas apresentarem e votarem em regime de urgência, projetos de Reforma Agrária e Agricultura familiar.

  3. Cezar Perin

    8 de março de 2025 2:51 pm

    O crédito para soja é o mesmo do que para o feijão. Temos que distinguir isso:Cesta básica da soja…A Agricultura Familiar tá plantando soja. Pelo amor de Deus!!!!Deixando a produção de leite. Deixando de produzir milho, frutas etc..

  4. Cezar Perin

    8 de março de 2025 2:56 pm

    Outra coisa! Muitos municípios do RS estão incentivando a diversidade. Com Leis e subsídios.por na base estão vendo o sumiço da diversidade.

  5. Rui Ribeiro

    8 de março de 2025 3:15 pm

    Enquanto na indústria manufatureira o preço do bem é determinado pelo mínimo de tempo de trabalho empregado na na sua produção, na indústria agrícola, ocorre o contrário: o preço dos produtos agrícolas é determinado pela maior quantidade de trabalho empregado na sua obtenção, pois à medida que a população aumenta, mais solos menos férteis precisam ser cultivados, e quanto mais solos menos férteis são cultivados, mais renda para os donos de propriedade agrícolas com solos de maior fertilidade. Ou seja, o crescimento do PIB agrícola não beneficia os trabalhadores, mas apenas aos latifundiários, que aumentam suas rendas.

    Nesse sentido, Marx escreveu:

    “Vimos que, segundo a doutrina de Ricardo, o preço de todos os objetos é finalmente determinado pelo custo de produção, inclusive o lucro industrial; em outros termos, pelo tempo de trabalho empregado. Na indústria manufatureira, o preço do produto obtido com o mínimo de trabalho regula o preço de todas as outras mercadorias da mesma espécie, visto que se podem multiplicar ao infinito os instrumentos de produção menos custosos e mais produtivos, e que a concorrência determina necessariamente um preço de mercado, ou seja, um preço comum para todos os produtos da mesma espécie.

    Na indústria agrícola, ao contrário, é o preço do produto obtido com a maior quantidade de trabalho que regula o preço de todos os produtos da mesma espécie. Em primeiro lugar, não se pode, como na indústria manufatureira, multiplicar à vontade os instrumentos de produção do mesmo grau de produtividade, isto é, os terrenos do mesmo grau de fecundidade. Em seguida, à medida que a população aumenta, passam a ser explorados terrenos de uma qualidade inferior, ou a ser feitos no mesmo terreno novos investimentos de capital, proporcionalmente menos produtivos do que os primeiros. Em um e outro caso, faz-se uso de uma maior quantidade de trabalho para obter um produto proporcionalmente menor. Tendo as necessidades da população tornado indispensável este acréscimo de trabalho, o produto do terreno de uma exploração mais custosa tem o seu escoamento forçado da mesma maneira como o do terreno de uma exploração que produz mais em conta. Como a concorrência nivela o preço do mercado, o produto da terra melhor será pago tão caro quanto o da terra inferior. É o excedente do preço dos produtos da terra de melhor qualidade sobre o custo de sua produção que constitui a renda. Se se tivesse sempre à disposição terras do mesmo grau de fertilidade; se se pudesse, como na indústria manufatureira, recorrer sempre a máquinas menos custosas e mais produtivas, ou se os segundos investimentos de capitais produzissem tanto quanto os primeiros, então o preço dos produtos agrícolas seria determinado pelo preço dos artigos produzidos pelos melhores instrumentos de produção, como constatamos para os preços dos produtos manufaturados. Mas também, a partir desse momento, a renda teria desaparecido”. – Marx

    “O preço dos víveres tem subido quase continuamente, enquanto que o preço dos objetos manufaturados e de luxo tem quase continuamente baixado. Considerai a própria indústria agrícola: os produtos mais indispensáveis, tais como o trigo, a carne, etc., sobem de preço, enquanto que o algodão, o açúcar, o café, etc., baixam continuamente numa proporção surpreendente. E o mesmo se passa entre os comestíveis propriamente ditos, os produtos de luxo, tais como as alcachofras, os espargos, etc., e estão hoje relativamente por preços menores do que os gêneros de primeira necessidade. Em nossa época, o supérfluo é mais fácil de produzir do que o necessário. Afinal, em diversas épocas históricas, as relações recíprocas dos preços são não somente diferentes, mas opostas. Em toda a Idade Média, os produtos agrícolas eram relativamente mais baratos do que os produtos manufaturados; nos tempos modernos eles estão em razão inversa. A utilidade dos produtos agrícolas terá por isso diminuído depois da Idade Média?” – Marx

    Quanto maior a produção de commodities para abastecimento do mercado externo, mais a fome triunfará sobre o mercado interno. É por isso que o PIB cresce enquanto o padrão de vida da população piora.

  6. Rui Ribeiro

    8 de março de 2025 3:29 pm

    “Nós nos negamos a escutar as vozes que nos advertem: os sonhos do mercado mundial são os pesadelos dos países que se submetem aos seus caprichos. Continuamos aplaudindo o sequestro dos bens naturais com que Deus, ou o Diabo, nos distinguiu, e assim trabalhamos para a nossa perdição e contribuímos para o extermínio da escassa natureza que nos resta.

    Exportamos produtos ou exportamos solos e subsolos? Salva-vidas de chumbo: em nome da modernização e do progresso, os bosques industriais, as explorações mineiras e as plantações gigantescas arrasam os bosques naturais, envenenam a terra, esgotam a água e aniquilam pequenos plantios e as hortas familiares. Essas empresas todo-poderosas, altamente modernizadas, prometem mil empregos, mas ocupam bem poucos braços. Talvez elas bendigam as agências de publicidade e os meios de comunicação que difundem suas mentiras, mas amaldiçoam os camponeses pobres. Os expulsos da terra vegetam nos subúrbios das grandes cidades, tentando consumir o que antes produziam. O êxodo rural é a agrária reforma; a reforma agrária ao contrário.

    Terras que poderiam abastecer as necessidades essenciais do mercado interno são destinadas a um só produto, a serviço da demanda estrangeira. Cresço para fora, para dentro me esqueço. Quando cai o preço internacional desse único produto, alimento ou matéria-prima, junto com o preço caem os países que de tal produto dependem. E quando a cotação subitamente vai às nuvens, no louco sobe e desce do mercado mundial, ocorre um trágico paradoxo: o aumento dos preços dos alimentos, por exemplo, enche os bolsos dos gigantes do comércio agrícola e, ao mesmo tempo, multiplica a fome das multidões que não podem pagar seu encarecido pão de cada dia”.

    Eduardo Galeano

  7. FABIO REIFF BIRAGHI

    8 de março de 2025 4:10 pm

    A agropecuária traz dolares para o Brasil e o pais precisa muito disso.
    Não há que se criticar o agro negócio,o que deve ser criticado é o modo como esse governo conduz a economia dificultando, em tudo, oa empreendimentos e seu foco principal e combater os ” fascistas” do agro. Diminuir custos trabalhista para incentivar outras áreas produtivas, industria, serviços. O objetivo do governo é gastar. Gastar irresponsavelmente. O bolsa família deveriacser um programa que junto com outras políticas, para criar emprego, tirassem os dependentes desse programa de esmolas, mas ele é contínuo,não estimula a procura por trabalho e cria uma condiartificial de renda, baixa produtividade e consequente inflação.

    1. Rui Ribeiro

      8 de março de 2025 5:57 pm

      “A política de isenção fiscal, a política extrafiscal reversa, na qual você tem, na verdade, um incentivo fiscal para um setor que mais gera danos, nocividade para a saúde e para o meio ambiente do que exatamente um retorno para o país, para o desenvolvimento”, e completa. “Isso, na prática, significa onerar o poder público, porque quem gasta com o tratamento de pessoas intoxicadas é o sistema único de saúde, basicamente. A gente tem dados [que afirmam que] o SUS é onerado, em cada caso de intoxicação, U$D 1,28 dólares”.
      De acordo com relatório da Comissão Pastoral da Terra, registros de contaminação por agrotóxicos no Brasil aumentam 950% em 2024.

  8. FABIO REIFF BIRAGHI

    8 de março de 2025 4:12 pm

    A agropecuária traz dolares para o Brasil e o pais precisa muito disso.
    Não há que se criticar o agro negócio,o que deve ser criticado é o modo como esse governo conduz a economia dificultando, em tudo, oa empreendimentos e seu foco principal e combater os ” fascistas” do agro. Diminuir custos trabalhista para incentivar outras áreas produtivas, industria, serviços. O objetivo do governo é gastar. Gastar irresponsavelmente. O bolsa família deveriacser um programa que junto com outras políticas, para criar emprego, tirassem os dependentes desse programa de esmolas, mas ele é contínuo,não estimula a procura por trabalho e cria uma condiartificial de renda, baixa produtividade e consequente inflação.

    1. Rui Ribeiro

      8 de março de 2025 5:56 pm

      O agronegócio se apresenta ao mundo como a base de sustentação da economia brasileira, além de “pop, tech, e tudo”, de acordo com as propagandas que têm inundado as telas de emissoras, financiadas, sobretudo, com essa publicidade. De fato, os números são impressionantes. Em 2023, apenas as exportações do setor ultrapassaram os 800 bilhões de reais. Mas para onde vai todo esse dinheiro?

      “Essa riqueza produzida pelo agronegócio, às custas do Estado brasileiro e, por conseguinte, do povo brasileiro, serve para continuar enricando uma pequena parcela da sociedade brasileira, sem gerar efetivamente nenhum retorno efetivo para o povo brasileiro, muito pelo contrário, as consequências do agronegócio são muito mais danosas para a sociedade brasileira”, afirma Débora Nunes, da direção nacional do MST. Para ela, é preciso desmistificar a ideia, propagada nos meios de comunicação pelo próprio agronegócio, de que se trata de um setor essencial para a economia do país.

      “É importante que nós tenhamos clareza de que essa lógica de reprodução que o agronegócio tem é uma lógica altamente dependente do Estado brasileiro. Toda a dinâmica do agronegócio é produzir commodity para a exportação. Lógico que isso influi diretamente no equilíbrio da balança comercial. Nós não estamos aqui questionando isso. Isso acontece. No entanto, a grande questão é que essa riqueza que o agronegócio produz, que é exportada, é revertida em que para o povo brasileiro e a que custo é feito isso”, analisa Nunes

      Você critica o bolsa família mas se cala quanto à isenção e incentivos para o agronegócio, que só enriquece meia dúzia de brasileiros.

      1. Tânia Bigolin

        8 de março de 2025 8:48 pm

        Gostaria muito que quem critica o “agro”viesse aqui na roça, plantar,carpir e ver nossa produção se terminando com o sol. Os colonos indo nas agência em busca do seguro e levando porta na cara. Qual é o incentivo? Vocês que criticam nosso trabalho precisam ficar sem trigo pro pão, sem leite,sem carne…..pra valorizar o quê fazemos.

        1. Rui Ribeiro

          9 de março de 2025 1:12 am

          Temos trigo para o pão, temos leite e carne não por causa do agronegócio, mas apesar dele.

        2. Rui Ribeiro

          9 de março de 2025 1:39 pm

          A sociedade tem trigo para o pão, tem leite e carne não por causa do agronegócio, mas apesar dele.
          O agronegócio é um peso morto para a sociedade brasileira.

  9. solle

    8 de março de 2025 7:39 pm

    Empresas do agro, muitas listadas em bolsa, com mais de 100 mil hectares de terra, esse é o grande problema. Tem que liberar crédito só pra agricultura familiar e aumentar o imposto no agro só exportador de commodities

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