
A visão de mundo dos que propugnam a igualdade, e a dos que impõem a dominação, difere quanto a vários pontos, entre eles o significado da prisão.
Para um fascista, um assecla do poder, a prisão constitui uma forte humilhação, uma vez que manifesta a dominação. Pouco importa ao fascista que a prisão seja justa ou injusta, categoria irrelevante para ele, interessa-lhe a manifestação de poder: o que manda prender o exerce, o preso é subjugado; a relevância está na subjugação, na opressão.
Para o igualitarista, no entanto, a prisão injusta consolida a opressão, talha o mártir, o herói.
Há profunda diferença na concepção de justiça de um e de outro. Para o fascista, justa é a vontade dos poderosos; para o igualitarista o conceito é mais sutil.
A glória do fascista consiste em oprimir; a do igualitarista em resistir à opressão e sobrepujá-la. A indignação e o heroísmo do mártir advêm da injustiça.
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A justiça é cega, não olha a quem beneficia, não faz pré-julgamentos, distinções prévias. O judiciário brasileiro é caolho, vê apenas o que quer, observa o mundo sob as lentes dos poderosos. Ainda não temos justiça.
Ecoa, frequentemente, em nossas terras o bordão: “bandido bom é bandido morto”, definindo claramente nossa “justiça”, e nossos bandidos. Fica implícito, mas com nitidez, que o “bandido” referido não é o assassino que ordena a sentença, nem o que a executa. Fica claro que o “bandido” aduzido pelo refrão é sempre o pobre, o despossuído. Que não ouse o pobre resistir às imposições dos poderosos. Policiais percorrem as favelas “pacificando” os pobres, velando para que se mantenham cabisbaixos, enquanto dizimam sumariamente os que ousam pleitear alguma dignidade ante o poder opressivo. Bandido bom é bandido morto, enquanto o crime é ter nascido pobre.
As prisões brasileiras também foram feitas exclusivamente para os pobres. Não é bandido o assassino uniformizado, nem o corvo togado que o acoberta, é bandido apenas o pobre. A prisão brasileira é local de tortura e humilhação, destinada a mostrar ao pobre o seu lugar, a lembrar quem é que manda. Os mais pobres conhecem bem essa face tenebrosa do país, nunca os deixam esquecê-la.
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Houve um herói operário que desafiou os militares e que conheceu os calabouços da ditadura por ousar afrontar o poder; a humilhação que lhe impuseram foi também seu heroísmo. Não teria sido o herói se não tivesse passado pelo suplício da masmorra, não teria sido o herói se não tivesse resistido a opressores cruéis, se arriscado frente aos facínoras.
Agora, o mesmo poder, revestido de roupagem liberal, torna a ameaçá-lo com a prisão. Tendo compartilhado o poder, querem humilhá-lo, enfatizar que não o reconhecem entre eles, que não o acolhem entre eles, os poderosos. Espicaçam-no com novas ameaças do mesmo antigo opressor, agora sem uniforme militar, mas travestido com a toga.
Mas não há herói sem percalços e não haveria heroísmo sem adversários ameaçadores, como os fardados, ou como os comandantes da “justiça caolha”. A mesma antiga luta se renova; reerga-se o herói.
Viva Lula!
Ana oliveira
6 de março de 2016 5:11 pmEstaremos nas ruas para
Estaremos nas ruas para defendê-lo,será este o nosso dever ,para quem fez tanto em tão pouco tempo.