Em uma entrevista transmitida ao vivo na noite de quarta-feira (18) pelo programa TV GGN 20 Horas, do canal TV GGN no YouTube, o jornalista Luís Nassif conversou com o promotor Lincoln Gakiya, especialista no combate ao crime organizado. A discussão abordou a expansão do crime organizado no Brasil, especialmente sua infiltração no mercado financeiro e na política, com Nassif destacando que o crime organizado hoje atua nesses setores.
O promotor Lincoln Gakiya explicou que o PCC, organização que ele investiga, está “muito capitalizado” desde 2017, quando entrou “definitivamente no ramo do comércio do tráfico internacional de cocaína para a Europa”. Ele informou que a arrecadação anual do PCC passou de 10 milhões de reais em 2012 para cerca de 2 bilhões de dólares, principalmente com o tráfico. Essa capitalização gerou uma demanda por operadores financeiros, que inicialmente usavam doleiros e, posteriormente, se sofisticaram com bitcoins, fintechs e fundos de investimento privado para lavar dinheiro.
Gakiya afirmou que o crime organizado busca oportunidades de negócios em mercados com deficiência de regulação ou fiscalização, e o mercado financeiro, especialmente as fintechs, se tornou um “terreno fértil”. Ele atribuiu isso a brechas regulatórias e fiscalizadoras, além da “absoluta falta de compliance” de instituições financeiras e fundos de investimento que, em busca de lucro fácil, abriram mão da verificação da origem ilícita do dinheiro.
Luís Nassif questionou a expansão do crime organizado através das organizações sociais (OSs) em contratos com prefeituras. Gakiya avaliou que os órgãos de controle, incluindo o Ministério Público, atuam “a posteriori”, após o dano já ter ocorrido, e defendeu a criação de mecanismos para que pudessem agir de forma mais coordenada e concomitante às contratações. Ele citou investigações onde criminosos compraram hospitais ou montaram OSs para prestar serviços a municípios, comparando a situação à infiltração da máfia italiana no setor de saúde.
Autoridade nacional anti-máfia
O promotor defendeu a criação de uma “autoridade nacional anti-máfia” para coordenar as investigações entre estados, municípios e o governo federal, especialmente em casos que afetam múltiplos entes federativos. Gakiya revelou que atua sozinho como promotor em seu Gaeco desde 2012 e convive com escolta desde 2013 devido a ordens do PCC para matá-lo, o que ele atribui à sua atuação proativa.
Gakiya descreveu o PCC como a “primeira máfia do Brasil”, com formação empresarial, atuação transnacional, finalidade de lucro, proteção armada de seu território, corrupção de agentes públicos e infiltração nos poderes do Estado. Ele mencionou que o PCC domina toda a cadeia produtiva do tráfico de cocaína para a Europa, desde a aquisição na América do Sul até a logística de transporte, associando-se à máfia italiana para a distribuição na Europa e dividindo os lucros.
Ele identificou as “BETs” (casas de apostas) como o “grande problema” atual em termos de regulação, criticando a falta de auditoria e o uso de nomes de influenciadores para lavar dinheiro do crime organizado. Sobre o Banco Master, Gakiya esclareceu que não havia ligação direta com o PCC, mas que empresários criminosos, em um esquema de fraude tributária e adulteração de combustível, aplicaram dinheiro ilícito em fintechs e fundos, como o fundo Reag, que por sua vez fez aplicações no Banco Master.
Assista a entrevista completa abaixo:
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