21 de maio de 2026

Protestos contra feminicídio mobilizam milhares em mais de 20 estados

Segundo dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, 3,7 milhões de mulheres sofreram violência doméstica no último ano
Crédito: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Milhares protestaram em 20 estados e no DF contra feminicídios e violência de gênero, organizados pelo Levante Mulheres Vivas.Em 2025, o Brasil já registrou 1.180 feminicídios; violência doméstica atingiu 3,7 milhões de mulheres no último ano.Manifestações ocorreram em SP, RJ, DF, MG e SC, com participação de parlamentares e críticas à omissão estatal e ao machismo.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Milhares de pessoas tomaram as ruas de ao menos 20 estados e do Distrito Federal neste domingo (7) em atos simultâneos contra o feminicídio e outras formas de violência de gênero. A mobilização nacional, organizada pelo movimento Levante Mulheres Vivas, ocorreu após uma sequência de crimes brutais que chocaram o país e reacenderam o debate sobre a omissão do Estado na proteção das mulheres.

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Segundo dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, 3,7 milhões de mulheres sofreram violência doméstica no último ano. Em 2024, foram registrados 1.459 feminicídios, o equivalente a quatro mulheres mortas por dia. Em 2025, o país já ultrapassou 1.180 assassinatos motivados por gênero. Pela lei brasileira, feminicídio é o homicídio de uma mulher cometido pelo fato de ser mulher, tipificado como crime hediondo e punido com 20 a 40 anos de prisão.

Ato nacional

A convocação do Levante Mulheres Vivas ocorre na esteira de crimes recentes que repercutiram nacionalmente. Entre eles:

  • o assassinato da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos, encontrada carbonizada em um quartel em Brasília;
  • o estupro e feminicídio da professora Catarina Kasten, 31 anos, em Santa Catarina;
  • os assassinatos de Daniele Guedes Antunes, 38 anos, e Milena de Silva Lima, 27 anos, ambas mortas por ex-companheiros na Grande São Paulo;
  • o ataque que deixou duas funcionárias do Cefet-RJ mortas por um colega;
  • o caso de Tainara Souza Santos, atropelada e arrastada por cerca de 1 km no Rio de Janeiro;
  • as agressões contra Aline Nascimento, esfaqueada pelo ex-companheiro em Irajá (RJ), mesmo com medida protetiva.

São Paulo

Na Avenida Paulista, em frente ao Masp, centenas de pessoas se reuniram ao meio-dia com faixas como “Mulheres Vivas”, cobrando justiça e políticas públicas efetivas. A manifestação destacou o luto e indignação pelos feminicídios ocorridos no mesmo dia na Grande São Paulo.

“Todas merecem dignidade e proteção. Estamos na rua para dizer que nenhuma mulher será esquecida”, afirmou a deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

Rio de Janeiro

Em Copacabana, a concentração começou ao meio-dia no Posto 5 e reuniu centenas de pessoas. O estado do Rio registra 79 feminicídios e 242 tentativas apenas em 2025, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP).

Cartazes pediam o fim da impunidade e denunciavam episódios recentes, incluindo o ataque contra Aline Nascimento, que já possuía medida protetiva.

Distrito Federal

Em Brasília, milhares se reuniram na Torre de TV mesmo sob forte chuva. A Batalha das Gurias realizou uma apresentação em homenagem às vítimas.


A assistente social e rimadora Elisandra “Lis” Martins encerrou sua participação com versos que ecoaram pelo ato. “Querem nos manter de bocas fechadas, mas nem a morte irá nos calar. Mulheres vivas!”

O protesto contou com a presença de ministras, parlamentares, lideranças sociais e da primeira-dama Janja Lula da Silva.

Diversas falas criticaram a omissão das instituições e o machismo estrutural no sistema de Justiça. “As mulheres fogem da violência doméstica e encontram violência institucional nos tribunais. As denúncias não podem continuar sendo deslegitimadas”, disse a ativista Vanessa Hacon.

Minas Gerais

Em Belo Horizonte, manifestantes iniciaram a concentração na Praça Raul Soares e seguiram até a Praça da Estação. Cartazes pediam: “Basta de feminicídio”, “Não me mate”, “Pare de matar as mulheres”.

Organizadoras reforçaram que a mobilização é resposta à escalada de violência e que o país precisa de políticas mais firmes de prevenção.

Santa Catarina

Em Florianópolis, centenas caminharam da Ponte Hercílio Luz até o Ticen em homenagem à professora Catarina Kasten. Faixas pediram justiça e destacaram a urgência em proteger mulheres no estado, que registra aumento nos casos de violência de gênero.

*Com informações do g1 e Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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2 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    7 de dezembro de 2025 7:17 pm

    Cidadão mata um ser humano e sai em seis anos.

    Na maior parte dos casos o certo seria jogar fora a chave.

    Para assassinato sou punitivista.

  2. AMBAR

    8 de dezembro de 2025 9:18 am

    Não adianta anunciar medidas punitivas ou protetivas se não houver disposição de conter os mentores de assassinatos, os grupos de homens cheios de ódio que promovem a mortandade impune das mulheres. Tipos como Alexandre Correa, Leonardo Stoppa, o Calvo do Campari, entre muitos, que além do discurso de ódio, ainda colaboram com a promoção de atos e até associação ao crime organizado para promover a “punição” das mulheres, especialmente os homens separados e divorciados de mau caráter que se acham “injustiçados” por terem sido abandonados pelas mulheres agredidas. Leonardo Stoppa, o “esquerdomacho de ocasião” disse no seu canal que aceitou colaborar com integrantes do crime organizado fornecendo tecnologia de comunicações e outras especialidade para perseguir as mulheres e se opõe frontalmente à Lei Maria da Penha, tanto quanto seus amigos machos frustrados, procurando jogar lama sobre a reputação de cada pessoa que defende o direito de sobrevivência das mulheres.
    Alie-se a tudo isso as igrejas, o discurso fundamentalista da direita e a sua propalada “superioridade” masculina. O curioso nesse tipo de pessoa é quanto mais errada, mais no direito de agredir e eliminar as outras se acha. Seria lindo se fossem tratados da mesma maneira. Quem sabe talvez alcançassem a iluminação.

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