A campanha de José Serra, candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, entrou com um pedido de resposta na Justiça Eleitoral contra propaganda do candidato do PT, Fernando Haddad, que mostrou o caminhoneiro José Machado, paciente da rede pública, se dizendo “desmoralizado” pelo tucano após uma suposta quebra de seu sigilo médico pela prefeitura.
O programa foi ao ar no horário eleitoral da noite de sexta-feira (14) e traz também declarações de vizinhos de José Machado no bairro Cidade Tiradentes (zona leste). “O que eu tenho para falar para o Serra é uma coisa só: deixa a gente em paz”, diz um dos moradores.
O pedido de direito de resposta e suspensão imediata da propaganda foi feito no sábado pela coligação Avança São Paulo (PSDB, PSD, PR, DEM e PV).
De acordo com o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), o juiz Henrique Harris Júnior, da 1ª zona eleitoral, tem a até as 18h de amanhã para decidir se concede o direito de resposta, mas no sábado (15) ele já deferiu liminar (decisão provisória) garantindo a suspensão imediata da propaganda por entender que há “risco de dano irreparável ou de difícil reparação” no conteúdo veiculado.
Machado apareceu pela primeira vez no programa de Haddad no dia 24 de agosto dizendo que tinha catarata, mas não conseguia cirurgia na rede pública de saúde. Segundo reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, a prefeitura negou que o paciente tivesse catarata e divulgou dados do prontuário médico para expor suposto erro no programa petista.
Na quinta-feira (13), nova reportagem do jornal informou que exames comprovaram que Machado tem, de fato, catarata. No horário eleitoral de sexta-feira, o paciente disse se sentir com “a alma lavada”.
“O estrago que ele causou na minha vida, não tem dinheiro nenhum que paga. Por que um homem ser desmoralizado perante a opinião pública não tem dinheiro que pague. Se ele não tem coragem de me pedir desculpa, que pelo menos fale ao jornal: ‘foi engano’”, disse Machado.
Se o pedido for aceito, o direito de resposta do PSDB entrará no espaço reservado à campanha de Haddad na TV. Para Fernando Neisser, um dos advogados do PT, a peça não é ofensiva.
“Não há nada ofensivo ao José Serra [na propaganda]. A campanha levou a situação do senhor José Machado, e a prefeitura quebrou o sigilo médico dele. Depois, a doença foi comprovada. O cidadão tem o direito de ouvir todas as partes. Nossa defesa é de que ali não há qualquer ofensa”, disse.
A propaganda petista suspensa também mostrou o vídeo de uma entrevista de José Serra na qual o tucano classifica como “corretíssimo” o procedimento da prefeitura e diz que, se fosse prefeito, também teria quebrado o sigilo médico do paciente. “Teria feito a mesma coisa”, diz Serra no vídeo.
A candidatura do tucano tem o apoio do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD).
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