5 de junho de 2026

PT deve priorizar retomada dos setores aliciados pelo bolsonarismo, aponta Edinho Silva ao GGN

Cotado para assumir a Secom do governo ou presidente o PT em 2025, Edinho fala sobre desafios para o próximo biênio
Edinho Silva
Foto: Agência Brasil

No apagar das luzes de seu mandato frente à Prefeitura de Araraquara (SP), Edinho Silva ocupa páginas do noticiário por estar cotado para dois cargos estratégicos para o governo Lula e o PT. Silva pode substituir Paulo Pimenta na chefia da Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República ou, ainda, suceder Gleisi Hoffmann no comando do PT. Independente de qual será seu destino, os desafios que o partido e Lula 3 precisarão encarar a partir de 2025 parecem claros para Edinho Silva.

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Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, apresentador do canal TV GGN, Edinho Silva pontuou que o campo democrático e o PT têm a missão de derrotar o fascismo na nossa quadra história. Não basta vencer as eleições de 2026, diz o prefeito: é preciso minar a influência que o bolsonarismo – a expressão do fascismo no Brasil de hoje.

A eleição de 2024 trouxe uma fotografia preocupante para o PT, para a centro-esquerda e campo democrático brasileiro. Mas temos a responsabilidade de construir o campo político para que possamos, em 2026, não só derrotá-los, mas fazer diminuir sua influência sobre a sociedade brasileira“, avaliou.

O governo Lula 3 precisa imprimir uma marca para além dos programas sociais já estabelecidos, uma tarefa nada simples diante das novas circunstâncias de governabilidade experimentadas pelo presidente. Segundo Silva, o país parece ter feito uma “reforma constitucional silenciosa” ao institucionalizar as emendas parlamentares nos valores vultosos em que se encontram hoje.

Há, ainda, outro nó a desatar. O PT precisa descobrir como retomar para si os setores médios populares que foram aliciados pelo bolsonarismo e seu discurso antissistema.

Cabe não só à esquerda, mas ao campo democrático começar a pensar que reformas de Estado precisamos pautar junto à sociedade para melhorar, porque dar o respaldo social à direita fascista é uma catástrofe“, disse Edinho Silva.

A ideia não é furar a polarização recuando das nossas posições, mas furar conseguindo conversar com setores que hoje são hegemonizados pelo bolsonarismo e, de certa forma, influenciados pelo pensamento fascista“, acrescentou ele, entrevista veiculada no Youtube, na noite de terça (17).

Confira os principais pontos da entrevista com Edinho Silva abaixo:

O combate ao fascismo

O grande desafio do campo democrático brasileiro – e da democracia no mundo inteiro – é derrotar essa nova roupagem do fascismo, que retoma a ofensiva no mundo todo. Temos que entender que, no Brasil, o PT tem uma força e responsabilidade imensas em isolar o fascismo que hoje se organiza por meio do bolsonarismo, que é maior do que o próprio Jair Bolsonaro.

Na minha avaliação, eles estão na defensiva por conta de todos os episódios que estamos vendo, inéditos. Não podemos banalizar uma conspiração para marcar o presidente da República, o vice-presidente e o presidente do Supremo Tribunal Federal. Isso é inédito na história! Isso mostra as forças políticas com que estamos lidamos, e sua capacidade de iniciativa. Vimos no 8 de Janeiro [de 2023] que eles têm capacidade de organização e base orgânica. É um cenário difícil para nós.

A eleição de 2024 trouxe uma fotografia preocupante para o PT, para a centro-esquerda e campo democrático brasileiro. Mas temos a responsabilidade de construir o campo político para que possamos, em 2026, não só derrotá-los, mas fazer diminuir sua influência sobre a sociedade brasileira.

O que preocupa é que esses fatos todos [escândalo dos golpistas] não estão chegando com a força que deveria chegar na sociedade brasileira. O conjunto da sociedade não está indignada com esses fatos, não vemos reação à altura da sociedade civil organizada e da imprensa brasileira. Essa normalização me preocupa muito.

Penso que temos que ter capacidade de articulação para que se fortaleça as instituições brasileiras. Nós, que defendemos as instituições e o Estado como indutor de políticos públicas, nos tornamos “o sistema”. E a direita que ataca as instituições se tornou o “anti-sistema”. Ou seja, a irresponsabilidade de uma direita fascista catalisa na sociedade algo preocupante. (…) É um processo difícil. Cabe não só à esquerda, mas ao campo democrático começar a pensar que reformas de Estado precisamos pautar junto à sociedade para melhorar, porque dar o respaldo social à direita fascista é uma catástrofe.

A cara do governo Lula 3

Precisamos debater que país queremos. Primeiro, devemos admitir que o Brasil não é mais um país presidencialista. Quando o Congresso executa 60 bilhões de reais do orçamento, isso é qualquer coisa, menos presidencialismo. É um parlamentarismo híbrido, ou presidencialismo híbrido, qualquer coisa, menos presidencialismo.


Eu não contra parlamentar participar [do orçamento] com apontamento de programas, porque todo parlamentar tem base social e sabe o que os municípios necessitam. O que penso é que não se pode drenar as atribuições do executivo. Lula foi eleito para desenvolver políticas públicas, mas quando você tem mais dinheiro para emendas do que para determinados programas… de onde vamos ter dinheiro? De fato, o parlamentar poder indicar recursos é legítimo, mas não pode para ele trazer para si atribuições do governo. (…) Nós fizemos uma reforma constitucional silenciosa quando fomos institucionalizando as emendas até elas ocuparem esse volume de recursos do orçamento público.


Precisamos debater a desoneração ad eternum a certas cadeias produtivas. (…) Me indigna que, quando o governo manteve desonerações, o mercado não reagiu. Mas quando falamos de isentar imposto de renda de quem ganha até 5 salários mínimos, estamos vendo o maior show da história do capital especulativo.

(…)

Já conversei com Lula. Penso que a esquerda tem que levantar a bandeira da educação integral universal. A mãe, seja ela evangélica, de religião afro, católica, quando ela deixar a criança na porta da escola às sete da manhã e pegar às seis da tarde, isso vai mudar a vida dela. Vai mudar a vida dessa criança. Vamos aumentar o padrão educacional, a capacidade reflexiva da sociedade brasileira.

Lula está trabalhando e o Brasil tem que estabelecer metas para os próximos anos.

A ideia não é furar a polarização recuando das nossas posições, mas furar conseguindo conversar com setores que hoje são hegemonizados pelo bolsonarismo e, de certa forma, influenciados pelo pensamento fascista.

Como recuperar as bases populares

O debate é imbricado. Nós perdemos apoio de setores médios, que perderam renda, poder de compra, estão mais empobrecidos e foram cooptados pelo sentimento antissistema criado pela direita – como se a direita, negando o sistema, pudesse restabelecer o que esses setores alcançaram um dia.

Em 2024, esse antissistema político desceu um setor para baixo. Nós perdemos os setores médios populares. Tivemos muitas dificuldades eleitorais onde a classe média é extensa. Ganhamos em Fortaleza numa margem muito apertada porque a classe média é extensa. Tivemos mais facilidade em cidades menores do Nordeste, porque os setores médios são menos e têm menos impacto na política.

O eleitorado está tão conservador que se tem um prefeito no cargo, entre o ‘mais ou menos’ e o ‘desconhecido’, o eleitorado acaba mantendo quem está.

Nos setores médios, encontramos outra dificuldade. Os evangélicos foram totalmente cooptados pela direita, e os trabalhadores das novas profissões. A categoria de entregadores é a maior do país hoje, não é sindicalizada, e não se sente classe trabalhadora, se sente empreendedora.

Enfim, nós do PT temos que entender rapidamente o que está acontecendo, formular, ter propostas para retomar diálogo com esses setores médios populares e ter capacidade de diálogo com as novas profissões.

Em relação aos evangélicos, temos que retomar a concepção de organização de base. Se não estivermos presente na vida dos evangélicos, se não tivermos diálogo e lideranças evangélicas militando no PT, se não mostrarmos que não existe o antagonismo que se criou, evidentemente a situação será diferente.

Desafios para 2026

As nossas gerações têm que ter a dimensão de que cabe a nós derrotar o fascismo no Brasil. E a gente, às vezes, minimiza isso ou banaliza. Nós tivemos agora uma conspiração para assassinar um presidente da República e isso passa [pelo debate público] como uma coisa qualquer!

O PT tem que voltar a debater voto em lista, porque não é possível que a cada eleição, 5 ou 6 influencers ganhem votos e fiquem maiores que os partidos.

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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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4 Comentários
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  1. Jotaaa.Marcelooo

    18 de dezembro de 2024 4:45 pm

    Cíntia,penso q o ano de 2025 será a batalha da comunicação principalmente pelos protagonista do mundo como Rússia,China,Brasil e os Euaaa traíra, os seus lideres darão a direção ao mundo agora internamente se o pt colocar marqueteiro o mercado vem por fora e duplica o preço no minimo para sabotar o projeto,Lula é comunicador nato dá de dez a zero no Thuamp(se pronuncia assim)até acredito q o lider dos euaaa traíra copia Lula e os CEO bilionários mimados vão copiar a nossa terceirização,vão meter a não na grana pública para os projetos privados da sua turma de meia dúzia!!!

  2. José de Almeida Bispo

    19 de dezembro de 2024 11:54 am

    A briga real do PT, de fato não é contra o bolsonarismo. Torna-se, num primeiro momento. Isso é o que quer “os donos do poder”: polarização entre “os marginais”. Os da esquerda e os arruaceiros e assassinos da extrema-direita. Só que do lado do PT menos cabeça, de fato, isso é o único objetivo; e dos lado dos bolsomínios, reles pistoleiros da direita que são, o único objetivo é “exterminar essa raça ruim pelos próximos 50 anos”. A contrariedade de parte da direita com Bolsonaro é porque, como Hitler, ele não cumpriu o contrato implícito de exterminar “a União Soviética”. Só. Escravista sempre será escravista.

  3. Douglas da Mata

    19 de dezembro de 2024 12:30 pm

    (risos) Mas é de nervoso.

    Eu não sei qual a equação “mágica” que Litte Ed fará para “minar” o fascismo, sendo o governo que ele representa tão parecido ao antecessor, salvo nas “perfumarias” identitárias.

    Economia? Iguais, confere.

    Submissão geopolítica? Iguais, o Bozo aos EUA, e Lula com a Europa e China.

    Gente incapaz no governo? Iguais, confere.

    Segurança pública? Iguais, a mesma abordagem classe média-histérica-falaciosa-hipócrita, confere.

  4. Prof. Romildo Barreto

    20 de dezembro de 2024 2:02 pm

    Concordo, e o pior que está tal de democracia brasileira não resolveu os principais problemas da população. Assim, o povo está descrente com a mesma, com isso estão preferindo o autoritarismo, o fascismo, o populismo extremista, etc. Portanto, estamos correndo um sério risco de retrocesso político sem precedentes.

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