▸Professor da Unicamp destaca ligação entre defesa e inovação em seminário do Jornal GGN em São Paulo.
▸Transformações tecnológicas históricas têm origem em demandas militares, aponta especialista.
▸Brasil precisa garantir soberania tecnológica e aumentar investimento em defesa, alerta professor da Unicamp.
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Resumo gerado por Inteligência artificial
A defesa nacional não se faz apenas com armas, mas com conhecimento. Foi com essa perspectiva que o professor da Unicamp, Marcos Barbieri, especialista em indústria aeroespacial e de defesa, afirmou que a defesa e a inovação são dimensões inseparáveis de um mesmo projeto de país. A declaração foi feita nesta quinta (30), durante o seminário Soberania, Inovação eDesafios Nacionais, promovido pelo Jornal GGN, em São Paulo.
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“A defesa e a inovação estão intrinsecamente ligadas. Toda disputa militar é, antes de tudo, uma disputa tecnológica. A supremacia militar e econômica depende da supremacia tecnológica. Uma inovação tecnológica na área de defesa não precisa de um elemento fundamental, que é a viabilidade econômica. Eu não preciso ser, do ponto de vista econômico, viável. Eu preciso estar superior ao meu oponente. As guerras demandam inovações e, por sua vez, as inovações militares propiciam grandes mudanças disruptivas”.
O seminário Soberania, Inovação e Desafios Nacionais, promovido pelo Jornal GGN em parceria com o Projeto Brasil e o Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Sustentável, CT&I e Complexo Econômico-Industrial da Saúde (GPCEIS) da Fiocruz, foi realizado no auditório da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
Durante o evento, o professor lembrou que boa parte das grandes transformações tecnológicas da história, da microeletrônica à internet e ao GPS, nasceram de demandas militares.
“Desde a Revolução Industrial, os avanços em defesa moldam o desenvolvimento das nações. Hoje, o desafio está nas novas fronteiras tecnológicas — da inteligência artificial às disputas por terras raras”, observou.
Soberania tecnológica
O professor da Unicamp relembrou a Estratégia Nacional de Defesa de 2008, formulada por Nelson Jobim e Mangabeira Unger, que propõe uma estrutura baseada em monitoramento, mobilidade e presença. Para Barbieri, o Brasil precisa decidir quais tecnologias deve dominar e como garantir o controle nacional sobre elas.
“Não podemos depender de empresas estrangeiras como a Starlink, do Elon Musk, ou de subsidiárias israelenses para nossas comunicações táticas. A soberania tecnológica é uma questão de segurança nacional”, alertou.
Barbieri defendeu também uma reorganização das aquisições militares e a criação de um núcleo dentro do Ministério da Defesa que integre as políticas industrial, científica e tecnológica. Ele criticou o modelo atual, fragmentado entre as Forças Armadas, e lembrou que os recursos destinados à defesa são insuficientes.
“O Brasil gasta apenas 1,1% do PIB com defesa, enquanto a média mundial é superior a 2%. Com esse orçamento, é inviável sustentar uma estrutura mínima para um país das nossas dimensões”, afirmou.
Assista à fala completa de Barbieri pelo link abaixo:
Há anos, o cientista político Hélio Jaguaribe afirmava que o Brasil tinha um Exército/FFAA de parada. Perfeitos para desfilar garbosos no sete de setembro, e pouco mais do que isso.
Perfeita a perspectiva do professor da Unicamp, Marcos Barbieri. Ciência, tecnologia e inovação são elementos fundamentais para o sucesso operacional de quaisquer FFAA. É só visitar museus militares mundo afora para compreender esta centralidade.
O comandante Robinson Farinazzo, canal Arte da Guerra no YouTube, é um entusiasta do estudo da tecnologia militar russa. Um nome fundamental para num futuro encontro discutir o futuro das nossas FFAAs.
Não tem sentido manter as FFAA na estrutura atual, onde entre 75 a 85% do orçamento é utilizado para pagamento de salários, aposentadorias e pensões. Na França é 45%.
Institutos militares como a “Morte Ficta” são um convite ao golpismo castrense, pois, até agora, o risco máximo que o militar corria era ser declarado “morto”, de mentirinha, e sua esposa receber a pensão do marido.
Na aposentadoria militar nos EUA, cada ano de serviço gera um benefício de 2% do salário final na ativa. Para receber 50% do salário, é preciso completar 25 anos de serviço.
Diferente do Brasil, onde um ex-militar, julgado, condenado e expulso das FFAAs, recebe há décadas, dez(10) salários mínimos atuais. Uma triste realidade.
O ministro Fernando Haddad negociou com o ministério da Defesa, a eliminação de alguns privilégios militares, entre eles a “Morte Ficta”. Suas propostas estão formalizadas no Projeto de Lei nº 4.920/2024, em tramitação no Congresso, e sem perspectiva de ser colocado em votação. Talvez Lula 4.0 possa alterar esta inércia e lograr sua aprovação. Sem isso, é inútil esperar alguma alteração no “status quo” atual.
Aumentar o orçamento de defesa de 1, 1 para 2,0% do PIB, sem mudanças de monta na atual estrutura militar e sua previdência, é uma gastança inútil.
O aumento do orçamento de defesa para 2% do PIB é o objetivo de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de 2023, apresentada pelo senador Carlos Portinho.
O professor Manuel Domingos Neto (PI) tem um livro publicado, “O que Fazer com o Militar”, anotações para uma nova defesa nacional, onde ele alinha sugestões para uma reforma nos instrumentos de força do Estado. Entre elas, a redução da estrutura do Exército e o aumento da Marinha. É outro nome fundamental a participar de um futuro evento, após o sucesso do Seminário “Soberania, Inovação e Desafios Nacionais”, realizado em 30 de outubro.
Robert Red
30 de outubro de 2025 6:13 pmAceitamos sim os 2% de gastos com defesa, mas não com camarão pra jantar de oficiais…
Aurélio Medina Dubois
31 de outubro de 2025 3:06 pmHá anos, o cientista político Hélio Jaguaribe afirmava que o Brasil tinha um Exército/FFAA de parada. Perfeitos para desfilar garbosos no sete de setembro, e pouco mais do que isso.
Perfeita a perspectiva do professor da Unicamp, Marcos Barbieri. Ciência, tecnologia e inovação são elementos fundamentais para o sucesso operacional de quaisquer FFAA. É só visitar museus militares mundo afora para compreender esta centralidade.
O comandante Robinson Farinazzo, canal Arte da Guerra no YouTube, é um entusiasta do estudo da tecnologia militar russa. Um nome fundamental para num futuro encontro discutir o futuro das nossas FFAAs.
Não tem sentido manter as FFAA na estrutura atual, onde entre 75 a 85% do orçamento é utilizado para pagamento de salários, aposentadorias e pensões. Na França é 45%.
Institutos militares como a “Morte Ficta” são um convite ao golpismo castrense, pois, até agora, o risco máximo que o militar corria era ser declarado “morto”, de mentirinha, e sua esposa receber a pensão do marido.
Na aposentadoria militar nos EUA, cada ano de serviço gera um benefício de 2% do salário final na ativa. Para receber 50% do salário, é preciso completar 25 anos de serviço.
Diferente do Brasil, onde um ex-militar, julgado, condenado e expulso das FFAAs, recebe há décadas, dez(10) salários mínimos atuais. Uma triste realidade.
O ministro Fernando Haddad negociou com o ministério da Defesa, a eliminação de alguns privilégios militares, entre eles a “Morte Ficta”. Suas propostas estão formalizadas no Projeto de Lei nº 4.920/2024, em tramitação no Congresso, e sem perspectiva de ser colocado em votação. Talvez Lula 4.0 possa alterar esta inércia e lograr sua aprovação. Sem isso, é inútil esperar alguma alteração no “status quo” atual.
Aumentar o orçamento de defesa de 1, 1 para 2,0% do PIB, sem mudanças de monta na atual estrutura militar e sua previdência, é uma gastança inútil.
O aumento do orçamento de defesa para 2% do PIB é o objetivo de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de 2023, apresentada pelo senador Carlos Portinho.
O professor Manuel Domingos Neto (PI) tem um livro publicado, “O que Fazer com o Militar”, anotações para uma nova defesa nacional, onde ele alinha sugestões para uma reforma nos instrumentos de força do Estado. Entre elas, a redução da estrutura do Exército e o aumento da Marinha. É outro nome fundamental a participar de um futuro evento, após o sucesso do Seminário “Soberania, Inovação e Desafios Nacionais”, realizado em 30 de outubro.