
Quem está em crise não é a Petrobras é o Shale Oil nos USA
Por Rogério Maestri
Os primeiros números oficiais do efeito do petróleo barato começam a aparecer e pode-se se dizer que são piores do que as previsões.
Na Dakota do Norte, onde se encontram os campos de Óleo de folhelho mais tradicionais (ou óleo apertado ou impropriamente dito o óleo de xisto) a queda da produção foi extremamente rápida em relação ao que se previa.
Segundo relatório do NDIC Department of Mineral Resources (https://www.dmr.nd.gov/oilgas/directorscut/directorscut-2015-03-12.pdf) os dados de janeiro de 2015 apresentaram uma queda de 1.227.483 barris/dia em dezembro de 2014 para 1.190.490 barris/dia em janeiro de 2015. Uma queda de 3% em grandes campos convencionais offshore poderia ser considerada como resultado da parada de uma plataforma ou qualquer acidente numa delas, porém como esta produção é resultado de 12.000 poços não é possível atribuir a isto. Também as condições meteorológicas citadas no relatório do NDIC não indicam que este é o motivo. O número de poços em funcionamento apresentou uma pequena elevação, mas devido a fatores econômicos na exploração destes poços determinadas ações mais caras para retirar o óleo e o gás foram paradas e a produção caiu.
Porém o mais surpreendente de tudo não é a queda da produção, mas sim a queda na quantidade de sondas de perfuração. Como não é novidade para quem se acompanha notícias do petróleo o decaimento na produção de um poço pode atingir entre 60% a 70% no primeiro ano de exploração, logo no caso do Shale Oil é necessário uma contínua perfuração para manter a produção constante.
O número máximo de sondas de perfuração nos campos da Carolina do Norte foi de 218 sondas em 29/05/2012, e estima o NDIC que para manter a produção seria necessário uma quantidade de 115 plataformas. No mês de dezembro estavam em perfuração 181 plataformas, em janeiro este número já caiu para 160 e em fevereiro 133 (no dia da emissão do relatório, 12/3/2015 estavam em ação 111 plataformas).
Como o número maior de poços foram cavados em maio de 2012 a tendência de queda deve se acentuar mais, pois estes poços cavados em 2012 já devem estar com no máximo 10% da sua produção inicial, logo se tem uma curva de queda de volume de petróleo por poço, queda do número de poços (talvez já em fevereiro) e uma não reposição de poços novos.
A perda de produção mensal deverá superar os 3% do intervalo entre dezembro e janeiro e se persistir por mais meio semestre o preço baixo do petróleo, extrapolando os dados de Dakota do Norte a perda de produção poderá atingir valores do entorno de mais de 40% na produção do Shale oil.
Nos campos mais novos, como a perfuração era intensa há seis meses, com o término desses poços novos a produção de petróleo norte-americano pode se conservar alta ainda até a metade do ano de 2015, porém se neste momento não houver uma forte recuperação no preço do petróleo a produção norte-americana começará a degringolar.
Ivan de Union
13 de março de 2015 6:47 pm(Acabei de ouvir no radio que
(Acabei de ouvir no radio que os precos do petroleo so vao se segurar por mais uns 2 meses e depois vao cair de novo, Rogerio! Logo na 1010Wins…)
rdmaestri
14 de março de 2015 3:20 amCerto mesmo é em seis meses.
Pelo que leio quase todos os dias dos mais diversos analistas de petróleo é que devido uma grande quantidade de estoques, os maiores de todos os tempos, o preço do petróleo poderá cair ainda mais, até quase US$30,00/barril, porém com este preço a perfuração de novos poços de Shale oil cairá praticamente a zero (restando somente a perfuração necessária para as companhias não perderem a concessão).
Com a queda na perfuração, que deverá se agravar nos próximos meses, e com a diminuição da velocidade de retirada do petróleo também para baixar o preço na exploração, em seis meses o petróleo deverá retomar valores acima de US$55,00/barril a US$60,00/barril.
Na mesma direção, ninguém sabe quanto tempo a Arábia Saudita, poderá manter a produção alta, pois rumores de esgotamento de seus campos já se fala há mais de dois anos, há inclusive relatórios abertos do Pentágono sobre isto (não são lá muito confiáveis!).
Tem mais outro problema, com a queda do preço do petróleo dezenas de milhares de postos de trabalho bem remunerados estão já nos dias atuais sendo perdidos. Só a Halliburton que já demitiu algo entre 5000 a 6500 empregados no mundo inteiro (1000 nos Estados Unidos – dados de fevereiro), a Baker Hughes vai despedir 7.000 trabalhadores, isso é cerca de 11 por cento de sua força de trabalho, a Schlumberger já planejava a algum tempo (em Janeiro) demitir 9.000 funcionários.
Quanto as empresas menores de extração de shale oil estas em breve terão que vender seus ativos as grandes petroleiras.
Estes dados foram noticiados em janeiro e fevereiro e se o petróleo cair mais dobra esta quantidade. Estão sendo demitidos quadros superiores com altíssima qualificação e com salários três ou quatro vezes maiores dos que os homólogos da Petrobras (uma vantagem da Petrobras!).
Ninguém aqui no Brasil está se dando conta, mas a crise da Petrobrás está embutida numa crise enorme em toda a indústria, e não sei até quando os USA não vai providenciar um atentado ou um ataque de terroristas a Arábia Saudita (com seus próprios terroristas sauditas!).
Cuidado, há um relatório fajuto da Energy Information Administration EIA que está segurando o otimismo de muitos investidores que foi lançado a pouco com dados de dezembro do ano passado e por simulações numéricas feitas a partir de dados anteriores a esta data, uma verdadeira enganação para segurar a política norte-americana de deixar o petróleo cair de preço, mas já no início do mês de abril, quando os dados de janeiro e fevereiro e parte de março estiverem publicados, acende-se o pavio da bomba.
DanielQuireza
13 de março de 2015 6:47 pmA despeito disso a Petrobrás
A despeito disso a Petrobrás também está em crise, não nos enganemos.
Há dois problemas conjunturais, que são a operação lava jato e todo o bojo de problemas relacionados a ela, como o balanço, etc e a baixa do Petróleo.
O fator que estava dando folga ao caixa da Petrobras, a importação de derivados, já está se invertendo novamente agora, com essa alta do dólar. Ou seja, ela ficou 3 anos levando prejuizo na operação. Finalmente, com a queda do petroleo, pasou a ter lucro, que durou coisa de 2, 3 meses e essa alta do dolár já pode até ter invertido a situação novamente.
Dai o erro do Governo em deixar a empresa sangrando com prejuizos nessas operações durante 3 anos. O Governo, deliberadamente, sangrou o caixa da empresa, agora vieram fatores conjunturais e tudo isso afeta a companhia. Há estimativas que falam em perdas de 60 bi nesse periodo.
Uma empresa não é só operação, produção ou estoque (reservas). Ela tem que atuar bem na parte financeira apresentando lucros consistentes, margens boas, eficiencia, endividamento e custo de dívida razoável.
A Petrobras vem piorando TODOS esses indicadores, desde 2010 (daí a queda de cotação e o rebaixamento da nota de rating, todos subjetivos, mas plenamente justificados) e isso tem que ser revertido o quanto antes. Vamos aguardar os novos balanços e torcer para uma melhora.
Pedro Pereira
13 de março de 2015 7:57 pmVocê acha que
o início da produção de diesel na RNEST pode aliviar de alguma forma a empresa?
http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/refinaria-abreu-e-lima-inicia-operacao-da-unidade-de-hidrotratamento-de-diesel.htm
DanielQuireza
13 de março de 2015 8:07 pmSempre há a tendência de
Sempre há a tendência de melhora, é bem provável que melhore, pois é menos necessidade de importação.
Mas não tenho os números para saber o quanto isso impacta e também não tenho as margens que essa operação na Rnest vão gerar, em comparação com a importação. Então é bem dificil avaliar.
altamirano
13 de março de 2015 11:46 pmAté hoje, na história,
Até hoje, na história, nenhuma refinaria de petróleo, independente do combustível que irá produzir, custou tanto dinheiro. O recorde até o momento pertence à refinaria Al Zour, um projeto que ainda não foi tirado da gaveta pela estatal petrolífera do Kuwait (KNP, na sigla em inglês). Pelas estimativas da KNP, a refinaria está avaliada em US$ 19 bilhões. Já a refinaria mais cara já construída é a de Jamnagar, na Índia. Trata-se do maior complexo de refino de petróleo do mundo, com capacidade de processar mais de 1,2 milhão de barris por dia, cinco vezes a capacidade projetada para a Abreu e Lima. Há quem diga, no entanto, que números absolutos não são os melhores indicadores para definir se uma refinaria é cara ou não. Em geral, o mercado usa a relação do custo da refinaria com o número de barris de petróleo que ela é capaz de processar. Usando esse parâmetro, a Abreu e Lima também é recordista. No projeto do Kuwait, o custo de processamento por barril é de US$ 30 mil. Na refinaria indiana, ele cai para US$ 10 mil. Na Abreu e Lima, o custo para se refinar um barril de petróleo já esta na casa dos US$ 75 mil e subindo.
Almeida
14 de março de 2015 12:19 amO câmbio também pode ajudar a Petrobrás.
A queda do preço do barril de óleo afeta toda produção de petróleo não-convencional. Nas categorias de petróleo não-convencionais estão enquadradas, tanto o shale oil ou tight oil, como queira, quanto o petróleo de águas ultra-profundas, que é o caso do pré-Sal; todos esses tipos são petróleos caros, para sua exploração é necessário uma cotação internacional elevada do preço do barril, caso contrário, será mais interessante importar do que extrair aqui um barril. Uma cotação desfavorável para importação pode tornar atraente a produção interna.
altamirano
14 de março de 2015 1:28 amAjudar ?
Ao mesmo tempo temos a dívida da empresa que cresce (esta indexada em US$) , os gastos crescem (a locação de equipamentos, os contratos de exploração, os especialistas,…) são indexados em US$. Os investimentos também ficam mais caros.
As receitas caem (em R$)–> Os preços dos produtos são indexados nos preços internacionais mas os preços de venda estão em Reais (Gasolina, Diesel, Óleos, Parafinas, …). Se o Governo não autoriza os aumentos a margem cai..
Por esta razão a Petrobras anunciou uma redução nos investimentos(redução de 30% de US$39 bilhões para US$32 bilhões). Outra revisão está prevista para junho.
A cada 1% que o real se desvaloriza, a Petrobras precisa aumentar os combustíveis em 2,5% — ou que o petróleo caia 5% — só para manter a situação atual (que já é muito apertada).
A dívida da Petrobras:
Entre 2015-2018, a estatal também gastará 210 bilhões de reais amortizando sua dívida bruta, que, com o câmbio atual, chega a 330 bilhões de reais (cálculo feito com o Dollar a R$3,10!!!)
A Petrobrás tem que torcer para o Aumento dos preços internacionais e uma redução no valor do Dollar(pouco provável já que o dollar se valoriza frente a todas as moedas). Nos consumidores temos que torcer para a manutenção dos preços internacionais do Petróleo. Se isto não acontecer Diesel e Gasolina sobem—> inflação.
Com esta situação é necessário financiar a empresa: Empréstimos internacionais ? Não muito caros (grau especulativo); um aumento da dívida lastreada pelo Tesouro ? Piora a situação fiscal do país (ainda mais); aumento forte dos combustíveis ? Adeus imagem do governo; Venda de ativos (mais) ? talvez a úni possibilidade….
O ministro Levy tem que escolher entre salvar a Petrobras ou salvar o Brasil
rdmaestri
14 de março de 2015 4:05 amAs coisas não são tão lineares!
Eu há quinze anos quando comecei a me interessar por petróleo fazia estas continhas de chegar (do tipo, 1% de desvalorização 2,5% de aumento nos combustíveis) , porém o número de variáveis é tão grande que qualquer tentativa deste tipo cai no esquecimento. Se pode piorar? Pode. Se pode melhorar? Mais provável.
Estás considerando por exemplo que o custos dos investimentos permanecerão constantes, mas por exemplo para uma fornecedora que já colocou 10% da sua força de trabalho para rua, a margem de manobra da Petrobras (assim como outras petroleiras) aumenta, e os custos podem ter significativa redução.
Outra coisa, projetar o preço do petróleo até 2018 com valores dos dias de hoje, isto vai contra a análise de TODOS analistas do setor (analistas internacionais), até 2018 há cenários que já pensam em petróleo bem acima de US$100,00/barril.
Mais outra, o dólar se valorizou perante todas as moedas, inclusive o Euro, e isto pode ser um alívio temporário, mas um pesadelo futuro.
Não há esta dicotomia de salvar o Brasil ou salvar a Petrobras, e uma coisa que aprendi com o tempo é não fazer projeções a partir dos desejos e sonhos políticos.
altamirano
14 de março de 2015 12:20 pmesqueci nas minhas continhas
esqueci nas minhas continhas as multas dos processos nos USA.
Infelizmente as projeções, lá fora, indicam posições acima de 100USD após 2020.
Tem outro problema…os US criaram uma bolha com juros quase 0% e ela deve esvaziar ou explodir em breve…o que significa mais juros para se financiar as dívidas.
PS: os nossos fornecedores nacionais não terão impactos com o dollar ?
rdmaestri
15 de março de 2015 11:15 pmProjeções do preço do petróleo para 2020, faz me rir!
Eu trabalho com dados de analistas de petróleo para investimento na bolsa, e não com fantasias de agências governamentais, e as projeções são exatamente as que falei, possíveis quedas ainda nos próximos meses, estabilização com pequena alta em seis e oito meses e aumento de 2016 para diante. Eles sugerem isto para investidores, e não para políticos montarem suas plataformas.
altamirano
16 de março de 2015 1:17 amMaestri, você tem razão eu
Maestri, você tem razão eu utilizei as projeções do banco mundial de janeiro e da comunidade europeia de fevereiro. Talvez tenhamos um aumento de preços devido à retomada da Europa( tá difícil.. )…já que os USA retomarão a alta dos juros para conter a inflação( olha a bolha !), a China freia devagar e o resto do mundo não tem consumo para alterar os preços substancialmente…podemos pensar numa redução da oferta da Opep, mas o racha interno é forte…Na minha opinião os USA trabalham num “perdão” ao Irã e permitirão a comercialização do óleo iraniano( amizade fraternal ou mais oferta de óleo?), o Iraque vende para se recontruir( com ajuda americana), o Kwait faz o jogo americano, os Emirados abrem as torneiras( inviabilizar concorrentes mais caros [xisto, águas profundas]? jogo americano ? )…por trás de tudo acho que os americanos forçam o preço baixo visando atingir Venezuela e Rússia por motivos obvios e, de quebra, estimulam a economia…apenas suposição
Almeida
14 de março de 2015 6:57 amEu disse: “pode”.
Não fiz uma afirmação taxativa, tipo: ajudará. Sem a exploração das águas ultra-profundas do pré-Sal, a produção da Petrobrás decairá, o que deixaria a empresa na mesma situação de dificuldade frente suas dívidas. Sem a produção do pré-Sal, o país dependerá de fortes importações de petróleo e terá desequilíbrio em suas contas externas. Com cotações internacionais do barril em baixa, nenhum outro grupo se aventura em águas ultra-profundas: ou é o estado, ou é… o estado.
O caminho mais rápido para um país afundar é deixar suas grandes empresas quebrarem. Durante a crise de 2008, o governo americano estatizou, para não deixar quebrar, a AIG, Fannie Mae e Freddie Mac, fora a ajuda dada aos grandes bancos, um programa de estatização trilionário, que não se via desde a Revolução Russa, daí surgir a anedota de que os republicanos estavam a criar a URSSA.
altamirano
14 de março de 2015 10:46 pmA melhor maneira para uma
A melhor maneira para uma empresa não quebrar é melhorando seus resultados. Isto não quer dizer produzir mais(ex: se o petróleo chega a 20USD/barril e o nosso custo de produção é 30USD, temos que baixar a produção, pois perderemos 10USD por barril produzido. ex:shale oil). Importar petróleo não é obrigatoriamente ruim(Coreia do Sul, Holanda, Alemanha, França etc) e produzi-lo não é necessariamente bom(Venezuela, Rússia, Nigéria etc). Tem aqueles que produzem e importam , Canada, USA(alguem já viu Obama preocupado com o volume de produção do Texas, desonerando empresas produtoras ?).
Para mim, imaginando que os problemas de corrupção foram resolvidos, os principais problemas da Petrobras sao o tamanho da dívida e, principalmente, a baixa geração de caixa(preço barril, Taxa de cambio e má administração). Pré-sal ou não, a empresa tem que ter resultado, para: pagar dívida, acionistas, salários, fornecedores e…realizar investimentos.
Levy já escolheu salvar o país(podia ter capitalizado a Petro via Tesouro, não ? aí quem perdia o grau de investimento era o Brasil)…= Pesadelo macro-economico
A Petrobras agora terá que correr sozinha, com a torcida de todos, mas não será fácil. A margem para erros, se ainda existir, é pequena.
Almeida
15 de março de 2015 6:25 am“… alguém já viu Obama preocupado com … a produção do Texas”
Já, todos os dias. No EUA existem subsídios, na ordem de dezenas de bilhões de dólares, para suas indústrias de combustíveis fósseis, o fracking deitou e rolou nesses subsídios. Nenhum país do mundo descuida de sua matriz energética, o EUA não difere, tem uma secretaria para assunto energético, desde a grande crise do petróleo nos anos 1970; foi durante essa grande crise, que o país fez uso da legislação para impedir a exportação de petróleo produzido internamente, como comento numa postagem acima; de lá para cá, todos os presidentes seguiram essa determinação. Petróleo é o sangue da civilização atual, não é mercadoria qualquer, é disputado na política e na sua continuidade, nas guerras. Todos os dias se lê manchete sobre o envolvimento do Tio Sam, em assuntos em que o plano de fundo é petróleo. Obama não se preocupa apenas com o petróleo do Texas, mas com o petróleo em todo mundo, gasta grandes recursos com sua máquina militar, que come a parte do leão em seu orçamento, para garantir o fluxo mundial do petróleo.
O presidente Nixon admitiu numa entrevista, que a guerra no Oriente Médio terminará com o fim do petróleo na região, ninguém vai fazer uma disputa na bala por um monte de areia. Sem o petróleo, o modelo econômico atual desaba no mundo; a globalização nos atuais níveis não existiria sem o sistema de transporte movido hoje em quase cem por cento a petróleo; sem ele, voltaremos ao vapor a carvão; quando este acabar, a lenha, a vela, ao remo…
Concordo com você que ser exportador de petróleo não é nenhuma maravilha, quase todos exportadores são países pobres, ou remediados quando muito, com exceções para confirmar a regra. O Brasil não tem uma inserção no mercado internacional, com uma diversidade de exportações fora do setor primário, que lhe permita uma grande dependência de importações de petróleo, a Petrobras foi criada com a missão de reduzir essa dependência, por esta razão ela é uma empresa do estado, não pode ser administrada indiferente à sua missão principal e ao interesse do seu controlador.Não sei se você sabe, mas a lei que criou a empresa foi apresentada pela UDN, partido que representava a corrente do pensamento econômico liberal no país em sua época.
P.S.: Até hoje o governo americano não permitiu que a GM quebrasse, além das três empresas que citei acima e de muitos bancos. O que você acha que aconteceria com o grau de investimento do país, se o governo permitir a quebra de algo do tamanho da Petrobras? Será a mesma coisa que assistir a quebra da padaria do Manuel da esquina?
altamirano
15 de março de 2015 1:44 pmAlmeida, eu não afirmei que
Almeida, eu não afirmei que eles não cuidam da matriz energética. Ao contrário, eles a protegem proibindo a exportação e consumindo o dos outros(preservando o deles para “eventualidades”). As energias e o combustíveis alternativos saco estimulados e isto reduz o consumo de petróleo–>aumentando estoques–>reduzindo preços(nesta semana anunciaram estoques mais altos que o previsto e o preço do barril caiu no mesmo dia).
Se a GM quebrasse hoje o governo americano pouco faria, mas na época pensaram nos problemas sociais e no lobby( a Enron, maior empresa de energia do mundo,quebrou e…quebrou). Detroit tem longo histórico de fechamento de fabricas.
As financeiras FM & FM e a seguradora AIG(muitas financeiras tinham segurado as suas operações com derivativos imobiliários) só foram salvas pelo risco de quebra que elas provocavam no resto do sistema(para não deixar quebrar como foi feito em 1929. Lembrando que Bernanke é especialista sobre 1929). Muitos bancos menores e financeiras quebraram após 2008. Para os grandes bancos, o maior castigo foi a obrigação de se fundir com outro grupo em melhores condições.
Você toca no ponto certo quando toca no assunto da diversidade de exportações, este o ponto que deveria ser priorizado. Como? criando estatais ? não, as estatais federais e estaduais saco mal geridas(fazem politica de governo, não de estado; recheadas de apaniguados; com funcionários protegidos por uma estabilidade nociva ao desempenho etc). Devem ser dadas as condições à industria criar as suas soluções( desburocratizando, simplificando leis). Não ser bom em tudo também(como na década de 70, quando tentamos desenvolver todos as áreas ao mesmo tempo).
A Petrobras tem que ser salva para evitar uma crise maior. O controlador tem que ser o Estado( sempre foi o governo de ocasião-quem sabe a UDN não pensou nisso?-, que nomeia presidentes e diretores conforme humor do partido e dos aliados).
rdmaestri
15 de março de 2015 11:23 pmSinceramente, a conta petróleo deveria trabalhar zerada.
Não digo que a exportação do petróleo deveria ser proibida, poém ao meu ver a conta petróleo deveria trabalhar na tendência de zero, somando o que temos e o que não temos deveriamos zerar. O petróleo é um bem precioso demais para ser desperdiçado, que deveria ser utilizado como propaganda de bebida, USE COM MODERAÇÃO.
rdmaestri
14 de março de 2015 3:32 amTem uma grande diferença em relação as outras companhias!
Os indicadores da Petrobras cairam, e caíram em relação a outras companhias de petróleo pelo simples fato que ela foi a única a conseguir recompor suas reservas nos últimos 15 anos, e para colocar estas reservas em uso tem que investir muito.
No mercado internacional o pessoal sabe muito bem do motivo que levou o endividamento da Petrobras, e já começam alguns analistas mais abertos a sugerir a compra de ações da Petrobras.
Por um lado até é bom que haja uma desaceleração nos investimentos do pré-sal, pois as reservas ficarão guardadas para daqui a algum tempo quando o petróleo retomar valores acima de US$100,00/barril, ou mesmo, se comece a utilizar o petróleo somente para atividades mais nobres como a petroquímica, deixando de se queimar para movimentar automóveis particulares! Ou seja, há males que vem para o bem!
Mariano S Silva
13 de março de 2015 10:22 pm100 barris diários por poço?
100 barris diários por poço? QuaQuaQuaQua! Isto é que é produtividade!
Esses “porcarias” desses poços do pré-sal produzindo a bagatela de 20.000 barris diários…
Almeida
13 de março de 2015 11:30 pmOs números atualizados da contagem da Baker Hughes.
Eles atualizam toda sexta-feira. Neste dia treze de março, os números estão aqui ==> http://gis.bakerhughesdirect.com/Reports/StandardReport.aspx
A queda afeta também o número de equipamentos para exploração de gás, mas a queda mais significativa é para o petróleo, que chegou ao recorde histórico, 1609 equipamentos, em outubro passado e já aproxima de uma queda pela metade, estão hoje em 866 equipamentos.
A figura abaixo mostra a evolução da contagem total dos últimos meses até o dia de hoje:
luiz valentim
14 de março de 2015 1:42 amvalor crítico para o
valor crítico para o petróleode xisto é 60 dólares.
valor crítico para p Pré-sal, segundo dopoimento de sergio gabrieli é 40 dólares, mas , com a exploração turbinando já nos 700 mil barris diários cada vez mais a operação tenderá a ter menores custos, uma mistura de experiência, tinovação tecnológica e maior volume.
Cancei de assistir os senadores entreguistas tucanos e demos dizerem da tribuna que pré-sal era um sonho e que ninguem sabia da possibilidade de dar certo e que a tecnologia de exploração era desconhecida .
até hoje eles desdenham o pré-sal. desdenham pra vender pras multis e torrar o dinheiro das concessões como fizeram em são paulo com as consseções das estradfas.
agora quem paga pra sempre são os caminhoneiros.
e tem mulito caminhoneiro ignorante que ainda acredita nesses caras. temos que alertá-los.pois, a depender dos tucanalhas pagaremos muito caro os combustíveis se essa corja voltar ao poder.
rdmaestri
14 de março de 2015 3:50 amA tendência é cair mais o preço da exploração.
Com a crise que vivem já nos dias de hoje as empresas de prestação de serviços como a Halliburton, Baker Hughes, Schlumberger e dezenas de outras, e com a tendência dos dias atuais da Petrobras ser mais rigorosa com os fornecedores, muitos contratos poderão ser renegociados. iminuindo o preço da produção do petróleo.
altamirano
14 de março de 2015 9:50 pmMaestri, estamos falando de 3
Maestri, estamos falando de 3 monstros que operam em quase todos os poços do mundo, muitas vezes em posições quasi-cartelizadas(1 ou 2 concorrentes), com tecnologias próprias das quais, muitas vezes, somos dependentes…(se não fosse assim já teríamos “nacionalizado”), num volume de exploração baixo(sobre o total mundial)…falarmos com eles que o mercado está em crise não os fará piscar. Se eles baixarem os preços aqui, o que impediria de receberem pedidos de revisão de preços no mar do norte, no golfo, no Alasca….
A Petrobras já é muito rigorosa nos contratos(pesadas multas por interrupção de serviço, atrasos etc), com isto todos os contratos com a Petrobras embutem um sobre-preço devido ao risco de sanções.
Almeida
14 de março de 2015 9:00 amO gráfico abaixo ilustra os preços de equilíbrio do oil shale.
Abaixo de 60 dólares, a grande maioria das “reservas” deixam de ser reservas, os preços as tornam inviáveis para exploração.
rdmaestri
14 de março de 2015 3:43 amTem mais um benefício para o Canadá!
Com o petróleo ao preço que está, a exploração das areias betuminosas no Canadá talvez sofram uma boa redução. Como a exploração destas areias está causando uma verdadeira crise ambiental no Canadá, talvez com o fim do OBA-OBA os canadenses reflitam mais e repensem o que eles estão fazendo.
Na questão ambiental do fracking para a extração do Shale Oil, também nos Estados Unidos os ambientalistas ganharão um novo impulso, permitindo uma regulamentação bem mais rigorosa e impedindo alguns desastres que estão ocorrendo.
A grande dificuldade dos ambientalistas anti fracking, é que a extração do Shale Oil estava virando a verdadeira salvação da colheita em vários estados norte-americanos e com a queda nos impostos e empregos a visão mudará, trazendo todos ao bom senso. Só para informar, vários estados já no mês de fevereiro viram seus impostos e outras taxas minguarem.
Almeida
14 de março de 2015 8:45 amToda produção não-convencional é afetada pela baixa cotação.
Inclui areias betuminosas, oil shale, petróleos extra-pesados e de águas ultra-profundas. A produção de óleo convencional já passou pelo pico. O crescimento da produção mundial dos últimos anos coincide com o crescimento das areias betuminosas canadenses, somados com o crescimento do oil shale no EUA, os demais países juntos apresentaram um resultado pífio; deve ser notado que na produção desses países, também entrou produção não-convencional de extra-pesados, na Venezuela, e de águas ultra-profundas, no Golfo do México, no Mar do Norte e nos dois lados do Atlântico Sul.
Sem a produção de óleo não-convencional mais caro, a produção mundial cai e cairá ainda mais, na medida que os depósitos de petróleo convencional estão em processo de depleção pós-pico. No século XIX, em A Questão do Carvão, Jevons observou que o preço era balizado pela mina menos produtiva; sem ela, a oferta cai e a demanda puxa o preço até tornar novamente a mina efetiva.
Ou a economia mundial entra em recessão braba, para se adaptar a uma oferta mais baixa de petróleo, ou os preços retornarão mais altos, para viabilizar a produção mais cara, o que poderá provocar recessão e levar a nova queda de preços… As cotações do petróleo no momento de pico de produção serão de extrema volatilidade, mas com a característica de oscilarem num crescente, com uma curva assemelhada a esta:
Em tempo, o governador de Nova York proibiu o fracking recentemente em seu estado, leia a repercussão em New York Fracking Ban.
Almeida
14 de março de 2015 7:15 amPetroleiras pedem a Obama fim da proibição de exportar petróleo.
No país que apregoa o livre comércio para todos, existe lei que proíbe exportações de determinados bens. A matéria pode ser lida aqui ==> http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-03-13/oil-ceos-said-to-press-obama-administration-to-lift-export-ban
A lei data dos anos 1920, foi aplicada ao petróleo e gás nos anos 1970, quando estourou a primeira crise dos preços do petróleo, durante um governo republicano, mas teve continuidade em todos governos seguintes, democratas ou republicanos. Como uma das consequências, existe uma defasagem nas cotações do WTI, referência do mercado americano, para o Brent, referência no mercado europeu, que hoje está situada em cerca de dez dólares por barril, conforme se observa aqui ==> http://www.oil-price.net
São dois os interesses que convergem para a suspensão da proibição. Em primeiro, o interesse óbvio dos produtores, para se alinhar aos preços mais altos do mercado internacional. Em segundo, as grandes refinarias que estão adaptadas para o processamento de petróleos mais pesados, importados principalmente do México e Venezuela; o petróleo extraído do ‘oil shale’ é de tipo mais leve.