Rafael Valim é alvo de represália da Lava Jato

Em dezembro de 2017, professor da PUC-SP assinou, junto com Jesse Souza, um artigo na Folha denunciando o avanço do estado de exceção após o impeachment de Dilma Rousseff
 
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(Valim, o primeiro a esquerda, durante o lançamento do Lawfare Institute, em Londres).
 
 
 
Por Miguel do Rosário
 
A nota publicada na coluna de Monica Bergamo, sobre a busca e apreensão, determinada pela Lava Jato, no escritório de Rafael Valim, advogado e professor na PUC, passou relativamente despercebida. Compreende-se. O circo lavajateiro terminou seu recesso e iniciou 2018 com força total. A imprensa foi novamente tomada por notícias de delatores, depoimentos, sítios, prisões espetaculares. Tanta coisa em poucos dias que foi difícil prestar atenção ao que aconteceu com Rafael Valim.
 
Entretanto, estamos diante de um fato de extrema gravidade.
 
Em dezembro de 2017, Valim assinou, junto com Jesse Souza, um artigo na Folha denunciando o avanço do estado de exceção após o impeachment de Dilma Rousseff.
 
Há poucos meses, Valim participou, junto com os advogados Cristiano Zanin e Valeska Teixeira, do lançamento do Lawfare Institute, em Londres.
 
E algumas semanas atrás, logo após a condenação de Lula em segunda instância, Valim foi um dos organizadores de um debate, na PUC-SP, com presença de muitos intelectuais importantes, especialmente da área do direito, para denunciar a decisão do TRF4 como um atentado ao direito e à justiça.
 
É muito sintomático que as primeiras ações da Lava Jato em 2018 sejam totalmente políticas:
 
1) Sergio Moro começa o ano coordenando, sempre em sintonia com a mídia, uma série de ataques a Lula, através de depoimentos e entrevistas com testemunhas e “colaboradores” sobre o “sítio em Atibaia”, os quais são vazados imediatamente para a imprensa lavajateira, que trata de ordenar títulos e montar narrativas que prejudiquem o máximo possível o ex-presidente.
 
2) Lava Jato deflagra uma nova operação para envolver o ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran.
 
3) Lava Jato determina busca e apreensão no escritório de… Rafael Valim.
 
O ataque a Valim partiu de um dos tentáculos da Lava Jato no Rio de Janeiro, embora o escritório de Valim seja em… São Paulo.
 
A operação Jabuti, chamada de “nova etapa” da Lava Jato no Rio de Janeiro, não tem nada ver com desvios da Petrobras ou com algum posto de gasolina em Curitiba. O seu nome Lava Jato tem a função exclusiva de empoderar essa organização criminosa incrustrada dentro do sistema de justiça, com forte apoio do governo norte-americano.
 
Esse apoio do governo americano a Lava Jato não é mais teoria de conspiração, já que agora os próprios representantes do departamento de justiça de Trump tem se gabado de seu suporte à Lava Jato. Em julho de 2017, Kenneth Blanco, membro da cúpula do departamento de justiça dos EUA, em discurso (hoje registrado na página do departamento), declarou sem meias palavras que “é difícil imaginar uma relação de cooperação mais intensa na história recente do que a feita entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e procuradores brasileiros [da Lava Jato]”.
 
Em seu último discurso de 2017 (também registrado no site da instituição), Blanco voltou a se referir à Lava Jato como exemplo da participação bem sucedida do Departamento de Justiça, inclusive se gabando pela condenação de Lula.
 
Esses fatos, que não deixam mais dúvida sobre a interferência americana sobre as ações da Lava Jato, apenas corroboram o que, para mim, é uma sólida convicção: a Lava Jato é coordenada por uma organização criminosa. Seus operadores são bandidos, que seguem uma agenda política estritamente orientada para beneficiar determinados interesses financeiros.
 
A busca e apreensão no escritório de Rafael Valim, no marco da mesma operação que prendeu o presidente da Fecomércio, mostra que o campo progressista deve resistir a todo custo ao populismo penal. A Lava Jato age sempre da mesma maneira: ela se “legitima” pela prisão de picaretas com alguma visibilidade midiática, para então impor a sua verdadeira agenda, que é inteiramente política.
 
Detalhe importante: Valim, assim como milhares de advogados, prestou algum tipo de serviço no passado para uma instituição qualquer do sistema S. Não é acusado de nenhum crime. Tratou-se apenas de uma brutalidade desnecessária, mas bem típica do regime de exceção em que vivemos.
 
Que poder é esse, quem está por trás dele e seus beneficiados, essas são as perguntas que, até então, tínhamos dificuldade de responder porque é (ou era) um poder relativamente invisível.
 
Hoje não. Hoje esse poder, que deu o golpe, já botou a cabeça acima da superfície. O aumento de 63% das verbas federais para a Globo em 2017, o crescimento vertiginoso das importações de óleo diesel norte-americano, a isenção fiscal de alguns trilhões de reais para as petroleiras a quem o novo governo entregou, de graça, o nosso pré-sal, tudo isso ajudou a esclarecer pontos que, até então, eram apenas especulações da nossa parte.
 
 

(Valim, o primeiro a esquerda, durante o lançamento do Lawfare Institute, em Londres).

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12 comentários

  1. Golpe Americano

          O Professor Fábio Konder Comparato sempre disse que os Estados Unidos estavam por trás do golpe. O PSDB é um partido apátrida e o ” príncipe ” Fernando Henrique é uma vergonha nacional por sua pequenez e falta de coerência. Para se manterem impunes de seus crimes, os bandidos que infestam esses partidos de direita, entregam nossas riquesas aos  americanos. Usam a baixa estima da  população  para dizer que não temos capacidade de gerir os recursos naturais. O dinheiro  desviado para essas empresas nacionais e transnacionais superam ,em muito, os valores embolsados pelos políticos. Como disse o Professor Jessé, o povo brasileiro é  enganado o tempo todo por essa quadrilha que está dominando o Brasil.  Não podemos sequer confiar no MPF .

  2. Marcatimo tupiniquim

    Viva o Macartismo (McCarthyism) jegue da lava-jato nos trópicos! Nossa republica de banana com STF amedrontado pelo Globo se rendeu a violação dos direitos e garantias do cidadão. Minha solidariedade ao brilhante advogado  Rafael Valim, professor de direito constitucional na PUC SP, que agora foi vitima  da chamada força tarefa que invadiu seu escritório sem nenhuma acusação. Rafael Valim participou, junto com os advogados Cristiano Zanin e Valeska Teixeira, do lançamento do Lawfare Institute, em Londres. Talvez isso irritou Sergio Moro e a Lava Jato Não será a primeira e ultima vez que vão vir pra cima Isso já ocorreu com  Eduardo Guimaraes dono do blog da cidadania simplesmente por  fazer JORNALISMO. CUDADO POIS AMANHA PODERA  SER VOCÊ.

     

  3. Prezado Mouro
    Bom dia 
    E

    Prezado Mouro

    Bom dia 

    E quando escrevo que não dá pra ser republicano com golpistas sou atacado até por colegas!

    A barafunda que se tornou o Brasil, devemos a quem pensava que tinha o poder!

    Abração

  4. a gênese

    O Brasil agora é uma mera expressão geográfica.

    Os babacas manifestoches, os dos 20 centavos da passagem, os do somos todos cu-nha, os da escola sem partidos, os da volta das vacas fardadas, os que eu apoio a lava j(bunda), os que me esqueci de mencionar serão amparados no jardim botânico ou no estádio chileno do Pinochet?

  5. E a OAB, hoje Ora, Atrasem o Brasil nada vê, nada diz

    É espantoso observar que estes senhores não percebam que dia a dia a coisa da “justissa” brasileira piorando, não vai num futuro não muito distante levar malefícios e posturas tortas nas suas vidas e de seus próximos. Que o principal movimento que os lavajateiros fazem, não é o de ser contra a corrupção, isto é visível para a OAB, mas esperarem que o atraso que provocam no direito não irá lhes prejudicar em algum tempo, é ingenuidade aguardar.

  6. É cada teoria, tudo estaria
    É cada teoria, tudo estaria perfeito se fosse pró PT e a esquedeopatia, mas como todos estão na iminência de serem punidos, lá vem as teorias criadas às custas de benefícios pessoais e individuais.
    Só faltam criarem uma teoria dizendo que a Lava Jato tem como objetivo prender todos os corruptos e deixar só Bolsonaro de fora para o mesmo ganhar por WO.
    Me poupe, se poupem.

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