
“Não gosto de opinar publicamente sobre apurações de casos de suposta corrupção. Prefiro guardar minhas reflexões e utilizá-las para melhorar o meu trabalho. Mas a gravidade da situação exige que pessoas interessadas pelo Direito se posicionem.
Hoje a lava-jato acabou como processo e sedimentou-se como instrumento de batalha política.
A operação começou com um insight fantástico: combater a corrupção a partir dos corruptores, e nesse início conseguiu excelentes resultados.
Depois veio o primeiro grande erro: apostaram na tese de que o esquema com as empreiteiras foi montado para sustentar o governo. O erro está na negação da realidade: o esquema supostamente sustenta a política, não um governo apenas.
Com a hipótese errada, o que era para construir um retrato da política nacional transformou-se em cavalo de batalha da oposição. A operação entrou no centro do embate irracional que se instalou.
Junto com o primeiro erro veio o segundo: a exposição midiática massacrante, os possíveis vazamentos e a consolidação da operação como a única pauta do debate político. A economia parou e não se discute no parlamento nada para além do chamado combate à corrupção.
O terceiro erro foi o uso massivo da prisão. Prende-se por qualquer motivo.
Por fim, há uma aparente tentativa de fazer valer a hipótese sobre a realidade. Criou-se a tese de que supostas despesas de Lula pagas por empreiteiras estariam ligadas ao esquema de Petrobras porque as empresas pagaram propina para agentes públicos. Obviamente, um investigador atento tomará isso apenas como uma ilação até que surja alguma prova. Mas a tese já virou fato com a exploração do assunto.
O enterro da operação veio com a condução coercitiva de Lula. Claramente desproporcional, e que apenas serviu para radicalizar o país. A condução não mostrou que a lei vale para todos, ao contrário, sinalizou que para alguns a aplicação da lei sempre é draconiana.
Não trabalho com a hipótese de que a equipe da lava-jato atue de forma partidarizada. Não disponho de nenhum elemento para supor isso.
Quero crer que os agentes públicos estão acometidos pelo fanatismo do controle. Veem na sua atividade fiscalizadora a salvação de todos os males.
O problema é que a complexidade das circunstâncias exige uma percepção aguda da realidade. Talvez a operação tenha tomado uma proporção cujas consequências nefastas não estão mais ao alcance da capacidade de avaliação dos agentes que a conduzem. Tiveram que pilotar um boeing quando estavam preparados para levantar um monomotor.
A operação já serviu para consolidar visões que negam direitos em nome do “interesse público”. Quem torce por essa tese deve rezar para nunca ser processado.
Mas a operação pode nos levar ainda mais longe. A intolerância, o messianismo, a radicalização e a descrença na capacidade do povo brasileiro para encontrar soluções para os seus problemas pode destruir a nossa frágil democracia.
O momento é preocupante e não se vê saída racional no curto prazo. Em qual país viverá o meu filho? Não sei, mas o que se vê hoje não indica um futuro melhor.
Antes de finalizar, já aviso que ignorarei comentários movidos pela fúria do momento ou simples partidarização. A situação é séria demais para ficar no cansativo grenal político. Ações de combate à corrupção não são autos de fé da inquisição.”
Ana oliveira
6 de março de 2016 5:03 pmO texto de Gérson sicca
Quando começou o ap 470 ,eu acreditei bem,agora com o ministro Joaquim Barbosa que tem uma origem humilde,nós vamos passar o Brasil a limpo,mas com o tempo percebemos que mesmo os que vieram de baixo quando galgam o degrau de cima,mesmo que nunca sejam. aceitos passam a pensar como o andar de cima,uma grande decepção .Foi o grande herói da mídia e da classe média,que abdicou de ter pensamentos críticos,uma verdadeira manada sendo conduzida pela mídia,cavando sua. Própria cova.Quando a operação lava jato deflagrou,eu aguardei os acontecimentos,vários amigos demoraram de cair a ficha.eu comecei a suspeitar,quando prenderam o tesoureiro do PT, e não os demais, como e que o PP que tem mais de 40 deputados implicados,,nem sequer sabemos o nome do seu tesoureiro,e de nenhum deputado,ali acabei com o meu aguardo..Hoje vejo a lava jato como o mero condutor de tirar o PT do poder já que as oposições são uma verdadeira lastima, sem nenhum fio condutor de suas ações, sem programa, sem proposta, só pensam em seus projetos pessoais,como esta estória vai terminar,não sei.mas sei que no final todos perderemos .E aí , no final de tudo a História faça justiça.