Seu João era um pacato mineiro, morava na roça e vivia na paz dos simples. A única coisa que seu João detestava era que botassem apelido nele. Porém, como todo mundo sabe, no interior de Minas o que mais tinha era apelido.
Na estrada em frente passava boi, passava boiada e de vez em quando passava uma ou outra pessoa. Os passarinhos faziam farra em cima do coqueiro que ficava bem ali, na margem da estrada, perto da porta de seu João. E a vida seguia.
Certo dia passou por ali um senhor que conhecia outras pessoas com o nome João e resolveu distinguir:
– Bom dia, seu João do coqueiro!
Seu João ficou uma fera, mas não disse nada. Um outro que passava por perto ouviu e espalhou a notícia de que seu João além do nome tinha outra palavra que o distinguia.
Depois de ouvir outras vezes gente o chamando de João do Coqueiro, seu João não teve dúvidas: foi ao quintal, pegou o machado e sem mais delongas cortou o coqueiro.
Dia seguinte passa um distraído quanto às birras do relacionamento humano mas atento às coisas ao redor e nem titubeia ao ver seu João:
– Bom dia, seu João do toco!
Seu João responde entre dentes e fica uma fera. Eles vão ver, pensou ele. Esperou o homem passar e foi ao quintal, de onde veio com picareta, pá, enxada e alavanca. Não demorou muito, havia arrancado o tronco do coqueiro. Só ficou o buraco.
Dia seguinte um passante nem pisca ao ver seu João:
– Bom dia, seu João do buraco!
Seu João responde com os olhos em brasa. Espera chegar a hora a partir da qual mais ninguém passa por ali, e agitado e nervoso corre a tapar o buraco. Obra prima. Não ficou nem ondulação no terreno.
Dia seguinte seu João fez questão de ficar por perto, para constatar que tinha ficado livre daquelas sem-gracezas. E passa um vizinho, sem nem parar para olhar muito:
– Bom dia, seu João do buraco tapado!
(antigamente essas estórias vinham num Almanaque. Lá não disse se seu João se mudou da região ou morreu de raiva).
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