4 de junho de 2026

Simplício propõe a Equipopu para regular as manifestações de rua

Simplício propõe a Equipopu para regular as manifestações de rua
Desapontado com a ineficácia da polícia em coibir atos de vandalismo nas manifestações públicas, Simplício decidiu elaborar um plano de contingência que resguardasse, simultaneamente, o direito da propriedade pública e privada e o direito da livre manifestação do pensamento. Chamou seu plano de “Estratégia nacional de salvaguarda da ordem pública sob o ordenamento do princípio do uso razoável da força”. Ou, simplesmente, de “Equipopu – estratégia do resguardo do equilíbrio entre forças policiais e forças hostis nos conflitos em espaços públicos.”

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A OAB costuma alegar que tem havido aplicação de força desproporcional contra os black blocks, e o Judiciário solta todos os presos em flagrante. Bom, pensou Simplício, qual é a origem disso? Tudo começa quando os black blocks arrancam tapumes de obras próximas para fazer escudos e atiram pedras contra os policiais. Os policiais reagem com bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha. Aparentemente, isso não tem efeito algum. As bombas só fazem barulho, perderam a moral. Spray tem que ser usado de muito perto. E balas de borracha requerem portaria certa, o que nem sempre acontece, atingindo inocentes.

A saída para atender à OAB, raciocinou Simplício, é garantir meios de força iguais aos dois lados. Obviamente que não faz sentido conceder aos manifestantes uma bolsa-spray, ou “bolsa de bomba de efeito moral” ou bolsa bala de borracha, para igualá-los à polícia. Ao contrário, deve-se retirá-las dos policiais. É que, no campo de batalha, como se tem visto, só mesmo pedradas têm eficácia. Assim, deve-se reequipar a polícia com um bom lote de pedras portuguesas a fim de enfrentar a principal arma dos adversários. Os black blocks reagirão. Usarão capacetes de motos para proteger a cabeça das pedradas policiais. Já os policiais usarão seus próprios capacetes. Empate.

Com os dois lados em equilíbrio, chegaremos a uma situação similar à das guerras da Idade Média, quando não se combatia para valer e saía vitorioso o exército com uniforme mais elegante. No nosso caso, a decisão seria tomada com base nos estoques de pedras e número de arremessadores. Mediante um sistema de troca de informações, os black blocks saberiam de antemão se teriam ou não chance de impor dano à polícia, violando o equilíbrio básico garantido pela Equipopu. Dado que o maior estoque de pedra, por definição, pertenceria ao Estado – apesar dos black blocks, ele ainda tem o monopólio da força -, a hostilidade poderia ser resolvida sem combate, na base da contabilidade.

Ao fim, voltando à agenda vermelha, Simplício escreveu: Si vis pacem para bellum.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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