Tensão entre EUA e Irã favorece a China

Conflito pode facilitar estratégia chinesa de se apresentar como alternativa ao país governado por Trump

Jornal GGN – Donald Trump não conseguiu nenhuma conquista relevante em termos de política externa desde que assumiu a presidência dos Estados Unidos. Pelo contrário: o país deixou de ser relevante em temas como migração e mudança climática, e nem mesmo os principais aliados tem mostrado confiança nele.

De acordo com informações do jornal El Pais, Trump ajudou o país a perceber que o principal objetivo em termos de política externa é lidar com a ascensão da China. Os confrontos militares nas últimas décadas (em especial no Afeganistão e no Iraque) foram pouco produtivos em termos estratégicos, e um tempo que poderia ter sido empregado para lidar com o avanço chinês.

Barack Obama até entendeu essa realidade, mas não conseguiu encerrar o envolvimento norte-americano em confrontos, e tudo indica que Trump deve repetir o mesmo erro.

A China manteve distância de tais confrontos, e agora torcem pelo erro de cálculo norte-americano com relação ao Irã. A força militar persa é mais sofisticada, e um confronto seria mais caro e complexo para os EUA do que os ocorridos em outros países.

O impacto diplomático também seria considerado, devido a crimes de guerra cometidos por soldados, impulsionando o sentimento antiamericano – e fortalecendo a narrativa de Pequim, que tenta se colocar como uma alternativa benigna e pacífica aos Estados Unidos.

Além disso, a atenção global direcionada ao conflito no Irã faria a China sentir menos pressão em relação aos abusos cometidos em Hong Kong, por exemplo. E a decisão de Trump de ampliar a sanção ao regime iraniano aumenta a influência econômica da China, principal parceira comercial do Irã.

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