Tereza Campello: Brasil foi vitorioso nas políticas sociais, mas programas estão em desmonte

"O Brasil, que era o menino feio da agenda social, virou exportador de tecnologias sociais. O País é vitorioso nesse processo. Não fracassou, mas essa base ainda é frágil e, portanto, fácil de ser desmontada"

Jornal GGN – Em pouco mais de uma década, o Brasil conseguiu mudar um pouco a vida de milhares de pessoas que viviam na pobreza-extrema e saiu do mapa da fome. O programa Bolsa Família ganhou fama mundial por isso, mas ele sozinho não mudou o cenário dramático. Foi um conjunto de políticas públicas, que hoje estão em “franco desmonte”, que fez o País ser vitorioso neste aspecto, diz a ex-ministra de Desenvolvimento Social, Tereza Campello.

Em entrevista ao vivo ao jornalista Luis Nassif, para a série “Fracassamos como Nação?”, na tarde desta segunda (27), Tereza avaliou que o Brasil passou de “menino feio da agenda social” para “exportador de tecnologias sociais” durante os governos petistas.

“Olhando para as políticas sociais, fracassamos? Acho que não. Acho que fomos vitoriosos. Agora, temos uma trajetória ainda curta de processo de construção desse estado de bem-estar social adequado ao Brasil, e ele está em franco desmonte”, graças ao governo Bolsonaro, comentou.

A ex-ministra é crítica do Renda Brasil, programa que Bolsonaro pretende criar do zero, a partir da extinção do Bolsa Família e da fusão de outras políticas sociais. Para Tereza, é “criminoso” acabar com a estrutura do Bolsa Família e da rede de assistência social que complementa o maior programa de transferência de renda já criado no País.

Bolsonaro, segundo ela, se aproveita da pandemia do novo coronavírus para acelerar sua agenda de destruição de forma ampla. Um trabalho que teria começado, na verdade, na gestão de Michel Temer, que aprovou a Emenda Constitucional 95, a lei do Teto dos Gastos, acrescentou.

“Pelo que já foi anunciado, eu diria que tem quatro maldades. Primeiro, extinguir o Bolsa Família sem dizer exatamente o que vai colocar no lugar. O Bolsa Família está junto com uma rede de proteção, é um programa completo, que ele está extinguindo para apagar as digitais do Lula e do PT – o que não é o central aí, o central é estar extinguindo um programa exitoso.”

Em segundo lugar, Bolsonaro está “desestruturando a rede de assistência social que é casada com o Bolsa Família. Estão cortando recurso de assistência social. O que está por trás disso, na verdade, é acabar com a própria rede única de assistência social e o próprio Cadastro Único. E a quarta questão, a malfadada carteira verde e amarela, que ressuscita agora como sendo parte do novo programa de transferência de renda. Eu acho criminoso discutir a extinção do Bolsa Família numa conjuntura dessa. Quer dizer, no meio de uma crise, você mexe no que funciona bem?”

Na semana passada, Campello apresentou, junto com o PT, uma proposta para ampliar o Bolsa Família quando acabar a renda emergencial aprovada pelo Congresso em razão da pandemia. Ela falou sobre a iniciativa na entrevista.

Ele [o Mais Bolsa Família’] pode se tornar o vetor da saída do auxílio emergencial. Estamos dizendo que temos o melhor, o maior, com mais escala, e mais eficiente programa de transferência de renda do mundo. O melhor renda básica do mundo. Se o valor é muito baixo e pega pouca gente, é só aumentar a base e a linha de pagamento. Que ele se eleve a ponto de pegar essa parcela da população que ficou vulnerável por causa da desorganização do mercado de trabalho”, sugeriu. 

Confira a entrevista na íntegra:

 

 

 

 

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