A Zona da Mata mineira contabiliza os danos de uma semana trágica. O balanço mais recente das autoridades aponta que o número de mortos subiu para 53 em decorrência dos temporais que assolam a região desde a última segunda-feira (23). Juiz de Fora, o epicentro da crise, concentra 47 óbitos e mantém 15 pessoas desaparecidas, enquanto o município de Ubá registra seis vítimas fatais.
A magnitude da catástrofe forçou Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa a decretarem estado de calamidade pública. No cenário de devastação, o Rio Paraibuna transbordou, isolando bairros e transformando avenidas em leitos de lama.
Em Juiz de Fora, a prefeitura já registrou 1.257 ocorrências e transformou 15 escolas em abrigos para acolher parte dos 3,5 mil desabrigados e desalojados.
Alerta ignorado, falta de preparo e o gargalo financeiro da prevenção
A tragédia atual joga luz sobre um problema estrutural: Juiz de Fora é a nona cidade brasileira com o maior contingente populacional vivendo em encostas e zonas de perigo. São cerca de 130 mil moradores, quase um quarto da população local, vulneráveis a deslizamentos.
Enquanto o Corpo de Bombeiros atua em frentes de busca e salvamento, o debate político se volta para o orçamento. Dados do Portal da Transparência revelam uma retração severa nos recursos destinados pelo governo de Minas Gerais para o enfrentamento de desastres climáticos.
O programa voltado para ações de prevenção, atendimento e recuperação sofreu um corte de 95% nos últimos três anos, minguando de R$ 135 milhões em 2023 para apenas R$ 6 milhões previstos para 2025.
Em contrapartida, o governo estadual refuta a tese de desinvestimento. Em nota, a gestão mineira afirma que, ao considerar o conjunto de todos os programas, realizou o “maior investimento da história em proteção e defesa civil nos últimos anos“, destinando R$ 94 milhões para 494 municípios.
Perspectiva de novos temporais
O cenário de curto prazo permanece crítico. A Defesa Civil estadual mantém o alerta máximo devido à passagem de uma frente fria que deve despejar entre 40 e 60 milímetros de chuva nas próximas horas. Há riscos iminentes de novas enxurradas e quedas de granizo.
O coronel Paulo Rezende, chefe da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, reforçou o apelo para que as famílias não tentem retornar aos imóveis interditados. “A previsão é de mais chuvas intensas na zona da mata”, alertou o coronel, reiterando: “Por isso mais uma vez: não retorne para as áreas de risco”.
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