“Tristeza não tem fim”, por Marquinho Carvalho

Vai ser mais duro a partir de hoje enfrentar esta ditadura que avança sobre o Brasil sem o “apoio luxuoso” do Paulo Henrique Amorim

“Tristeza não tem fim”, por Marquinho Carvalho

Hoje espertei-me sobressaltado.

Logo que abri os olhos e começava a me despertar nesta manhã fria no cerrado do sudoeste goiano, peguei meu celular e lá estava uma mensagem encaminhada pela minha querida amiga Regina dando conta da morte do Paulo Henrique Amorim.

Confesso, quis acreditar que se tratava de uma notícia falsa divulgada pelos seus milhares de inimigos fascistas que tinham nele um aguerrido adversário. Mas, lamentavelmente era verdade.

Paulo Henrique Amorim faleceu.

A partir daquele momento tive diversas sensações que, efetivamente, não conseguirei defini-las. Talvez a que mais se aproxime seja a orfandade. Sim, creio que me sinto órfão de um mestre querido que há anos acompanho com muito entusiasmo.

O seu blog Conversa Afiada e os sensacionais vídeos postados em seu canal passaram a fazer parte da minha vida. A sua luta incessante contra o golpe que se abateu sobre o Brasil nos aproximou ainda mais.

Sempre que acontecia algo de relevante no cenário político brasileiro, especialmente agora, em tempos de “Vaja Jato”, já ficava imaginando qual seria a sua postagem sobre o tema.

Vai ser mais duro a partir de hoje enfrentar esta ditadura que avança sobre o Brasil sem o “apoio luxuoso” do Paulo Henrique Amorim.

Tomado por uma angústia profunda busquei alento nas palavras de jornalistas que também são referência para mim que jamais tergiversam e que foram seus amigos. Luis Nassif postou um vídeo contando alguns momentos marcantes dele no jornalismo, bem como, de quando trabalharam juntos, evidenciando o seu lado combativo e singular na profissão.

Outro jornalista e amigo há 52 anos que postou um vídeo para comentar a morte do PHA foi Mino Carta. Este, bastante emocionado cravou “a dor é de pedra”.

 

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O jornalista Eduardo Guimarães do Blog da cidadania também fez a sua homenagem, porém, este foi além e atribuiu a morte do Paulo Henrique Amorim a violência da ditadura que impera no Brasil sustentado no aparato judiciário, já que eram centenas de processos movidos cotidianamente contra PHA, fato também comentado pelo Nassif.

 

Eu incluiria também como responsáveis pela morte do jornalista outros dois sustentáculos da atual ditadura brasileira, a mídia e o fundamentalismo religioso. Esta conjectura é também levantada pelo grande Fernando Brito do Tijolaço.

Reparem que Paulo Henrique Amorim sofreu um duro golpe no último dia 26 de junho quando foi afastado pela direção da Record do programa Domingo Espetacular que comandava há treze anos, seguramente atendendo a exigência do governo fascista de Jair Bolsonaro. Nesse caso, ratificando a base desse estado persecutório, unindo religião e mídia, ou seja, Igreja Universal do Reino de Deus e a TV Record.

Apesar de toda violência que foi submetido nos últimos anos devido a sua postura contundente contra o golpe de 2016 e, recentemente, contra a ditadura de extrema direita que se implantou no Brasil, Paulo Henrique Amorim parte deixando uma saudade enorme, um vazio no jornalismo brasileiro, mas acima de tudo deixa o seu legado de luta e coragem em favor de um Brasil mais justo e fraterno.