TVGGN: “De onde vem tamanha reviravolta?”, questiona economista sobre a taxa Selic

Para Leda Paulani, bons indicadores econômicos sustentariam a possibilidade de a Selic chegar a 9% a.a até dezembro

Crédito: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Na última quarta-feira (19), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter em 10,50% ao ano a taxa Selic, interrompendo o ciclo de cortes sob a justificativa de que o ambiente externo segue adverso, enquanto os cenários de para a inflação permanecem sendo fatores de risco.

Unânime, a decisão fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticasse a manutenção da Selic, que apontou que a medida ocorreu sem critério. 

A economista Leda Paulani, professora titular sênior da FEA-USP, também acredita que manter a Selic em 10,50% a.a é descabida, até porque os membros do Copom indicaram que ela deve permanecer neste patamar até o fim do ano. 

“Há evidências objetivas de que não havia nenhuma catástrofe econômica, as coisas estavam indo melhor do que esperava, arrecadação surpreendendo”, afirma Leda, convidada do programa TVGGN 20H da última sexta-feira (21). 

A economista explica que a Alemanha, que atualmente tem inflação maior que a brasileira, tem taxa de juros de 5,3% ao ano, negativa em termos reais. 

Já entre os economistas, devido às manchetes positivas na economia, aos resultados do Produto Interno Bruto (PIB), nível de emprego recorde e queda de inflação, a expectativa era de que a taxa Selic chegasse a 9% ao ano até dezembro. “De onde vem tamanha reviravolta? É uma coisa que você não acha uma explicação objetiva. Não há uma resposta técnica para isso.”

Relações com o mercado

A economista questionou ainda o modo como o Copom determina a taxa básica de juros, a partir das projeções da pesquisa Focus, elaborada pelo mercado financeiro. 

“A relação entre os operadores do mercado, o mercado financeiro e autoridades monetárias é uma relação muito complicada, muito promíscua, porque, na realidade, eles podem combinar o que fazer, independentemente do que esteja acontecendo com as variáveis objetivas”, continua a docente. 

Leda chama atenção ainda que para que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, estipule a taxa de juros, são analisados diversos setores, entre eles os dados dos sindicatos, das indústrias, do setor produtivo e do setor bancário. 

“No caso do Brasil não se olha só o mercado, só exclusivamente o mercado financeiro. Em princípio, a determinação do que o mercado pensa depende da credibilidade que ele dá à política monetária, mas essa credibilidade depende do que o próprio Banco Central faz. O BC ouve o mercado, que por sua vez depende do que fala o próprio BC”, emenda.

Outro problema grave indicado pela economista é o rentismo que domina a economia brasileira, que, graças à acumulação financeira, se torna cada vez mais forte e impõe uma lógica curto prazista ao setor produtivo. “Com o piso tão elevado você inviabiliza qualquer investimento na área produtiva, porque a incerteza fica muito grande de que você não consiga ter um rendimento no mínimo igual à taxa de juros.”

Assista a entrevista completa no canal da TVGGN ou no link abaixo:

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2 Comentários

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  1. O BACEN, com a sua política de juros abusivos,se tornou nos últimos trinta anos, o maior transferidor de renda dos mais pobres para os mais ricos. Com a falsa alegação de combate a inflação, seus diretores usam e abusam da taxa selic e outros mecanismos para favorecer o sistema financeiro, entre os quais eu cito as operações compromissadas (BOLSA BANQUEIRO) . O alarde que os economistas sacerdotes do deus mercado e seus cúmplices da imprensa livre de isenção fazem, sobre o equilíbrio das contas públicas, é tão verdadeiro como a soma de 2 + 2 serem 5. A preocupação dos parasitas do sistema finaceiro, está na razão direta da possibilidade de um calote da dívida pública e na razão inversa do atendimento das pautas dos mais necessitados. Em outras palavras: Primeiro o estadeo paga o serviço da dívida, depois, se sobrar recurso, o estado distribui as migalhas. Moral da história: Os pobres que comam menos para não morrer de fome. É paradoxal, mas para o deus mercado e sua trupe, tem que ser assim.

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