Lenin, o pai fundador da URSS, foi um intelectual sofisticado e um metódico organizador do Partido Bolshevik. Ele não criou as condições para a revolução russa, apenas aproveitou a oportunidade criada pelo desmoronamento econômico e militar da Rússia czarista durante a I Guerra Mundial.
Após retornar do exílio, Lenin usou todas as suas habilidades teóricas e retóricas para desacreditar a monarquia, estimular os russos á ação revolucionária e, no momento certo, fazer o poder cair no seu colo. Conquistado o poder ele foi implacável com os inimigos da revolução soviética.
Lula difere de Lenin em dois aspectos fundamentais. O líder petista não é um teórico, mas um político pragmático. Eleito presidente, Lula foi generoso inclusive com seus adversários. Nenhum inimigo dele foi ferozmente perseguido pela polícia ou pela justiça.
Cem anos depois da revolução russa, a conjuntura no Brasil se encaminhava para uma solução desfavorável a Lula. Mas então a PF resolveu agir de maneira escandalosa contra os exportadores de carne. Em apenas alguns dias o Brasil deixou de exportar centenas de milhões de dólares. O dano é irreparável e logo chegará no produtor rural.
Os fazendeiros que engordam gado ficarão magros. Além de ter que pagar os empregados e os financiamentos que fizeram para comprar implementos agrícolas, os produtores de gado de corte ficarão sem liquidez. E o produto deles continuará dando despesa no campo.
No Brasil profundo as coisas nem sempre são resolvidas por intermédio da justiça. Os fazendeiros que costumam usar pistoleiros para aterrorizar o MST certamente ficarão tentados a fazer o mesmo contra os agentes da PF que pisotearam os lucros deles. O desemprego (que já é grande) se tornará ainda maior à medida que os frigoríficos começarem interromper a produção por causa da ausência de compradores externos.
Resumindo: sem querer a PF virou leninista. Em razão do seu amor pelos holofotes, os agentes da PF criaram as condições objetivas necessárias para uma união entre o campo e a cidade, entre os operários, soldados e camponeses, contra o poder constituído que dizimou toda uma cadeia econômica aprofundando a crise econômica, política e institucional. Em tese caberia à Lula surfar nesta onda. Mas ele não é Lenin. Lula é pacífico demais para liderar uma verdadeira revolução.
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