4 de junho de 2026

Un golpe de Estado Quijotesco en Brasil

O retumbante fracasso da repristinaçao do AI-5 em 13/12/2015 se tornou, sem dúvida alguma, o fato mais curioso deste ano. Dilma Rousseff saiu fortalecida do episódio. Mas precisa fazer uma releitura das ruas a fim de modificar o curso de sua política econômica. Se o capitalismo sem democracia perdeu a força no domingo passado, a democracia sem capitalismo neoliberal deve ser considerada uma opção bem mais palatável do que a recessão forçada que o Ministro Joaquim Levy desencadeou.

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De todas as passeatas, a da Av. Paulista foi a mais engraçada. Kin Kataguiri reapareceu ao lado de um ator pornô fracassado e dos tradicionais defensores da ditadura, aí incluídos os maníacos da TFP. O cortejo fúnebre do golpe foi seguido por um imenso Pato Amarelo da FIESP (provavelmente superfaturado, pago sem nota e fabricado numa empresinha chulé que não registra os empregados).  

A maior federação de empresários do Brasil conseguiu reunir o menor número de manifestantes desde 2013. Paulo Skaf, que foi candidato a governador de São Paulo, embarcou na canoa furada de Michel Temer e afundou nas ruas de maneira precoce suas possibilidades eleitorais futuras. 

Os jornalistas se esforçaram, mas não conseguiram explicar porque o mormaço reuniu tão poucas pessoas embaixo de uma árvore. Suponho que os idealizadores do golpe de estado tenham ficado tentados a adiar o mesmo para o início do próximo inverno ou talvez para a próxima Era do Gelo. 

As tradicionais camisetas da CBF foram uma vez mais vistas. O fato do ex-presidente da mesma estar preso nos EUA por corrupção não parece incomodar os inimigos da corrupção do PT. A corrupção do PSDB paulista – Metrô, CPTM e Sabesp – também foi esquecida na Av. Paulista, palco das tradicionais selfies com os PMs que há poucos dias espancavam estudantes nas periferias. 

O evento se tornou alvo de risos largos e silenciosos. No domingo fui almoçar num Shopping em Osasco. Na mesa ao lado, enquanto esperava minha refeição, um típico “patrão branco” conversava alto com sua esposa ou amante:

– Se não der certo o Impedimento vou embora do Brasil.

Olhei para o tal e dei um sorriso irônico pensando com meus botões: “Melhor ele comprar logo a passagem, não perderemos nada quando ele deixar o Brasil.”

A oposição, dramática e shakespeariana, vê algo de podre num país que combate ferozmente a corrupção que corria leve e solta quando FHC assinou o decreto permitindo à Petrobras contratar sem licitação e nomeou o menos atuante de todos os Procuradores Gerais da República de nossa história. O que vemos, porém, é algo de cômico num movimento quixotesco e natimorto porque detesta o povo que gostaria de reunir nas ruas. 

Em homenagem à verdadeira natureza das jornadas de domingo, republico aqui um dos poemas que encerram a primeira parte da obra de Miguel de Cervantes:

DEL CACHIDIABLO,
ACADÉMICO DE LA ARGAMASILLA,
EN LA SEPULTURA DE DON QUIJOTE

Epitafio

Aquí yace el caballero
bien molido y malandante
a quien llevó Rocinante
por uno y otro sendero.
Sancho Panza el majadero
yace también junto a él,
escudero el más fïel
que vio el trato de escudero

(Don Quijote de La Mancha, Miguel de Cervantes, edicion IV Centenario, Real Academia Española / Asociación de Academias de la Lengua Española, 2004, Impresso no Brasil)

El poema dedicado a Don Quijote al final de la primera parte del libro ahora se puede dedicar a Aécio Neves, Michel Temer y Paulo Skaf. Sólo queda por definir tres cosas: ¿Cuál es el  caballo de del golpe de Estado? ¿Cuál es el nuevo Sancho Panza?¿Que desempeña el papel de lo adorable caballero loco?

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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