4 de junho de 2026

Usada para regular oferta de dinheiro, dívida compromissada aumentou cinco vezes desde 2005

….Chamadas de operações compromissadas, elas são registradas na dívida bruta do governo e, em setembro, somavam R$ 406,4 bilhões, 11,8% do Produto Interno Bruto (PIB)….
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Brasília – Em meio à entrada de recursos estrangeiros no Brasil, um indicador pressiona a dívida pública. Para enxugar o excesso de recursos na economia, o Banco Central (BC) retira dinheiro de circulação por meio de operações de curto prazo. Chamadas de operações compromissadas, elas são registradas na dívida bruta do governo e, em setembro, somavam R$ 406,4 bilhões, 11,8% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ao longo de 2010, a dívida compromissada diminuiu. Em janeiro, o indicador somava R$ 535,7 bilhões (16,9% do PIB). No longo prazo, no entanto, as operações compromissadas têm se expandido. Em setembro de 2003, correspondiam a apenas 4,6% do PIB. O menor nível nos últimos anos foi registrado em julho de 2005, quando essas operações responderam por 2,6% do PIB, quase cinco vezes menos que o nível atual.

Na realidade, as operações compromissadas não envolvem a emissão de títulos públicos, mas a transferência para os bancos de papéis que estão na carteira do Banco Central. O BC pega o excesso de dinheiro em circulação nos bancos e se compromete a devolver a quantia com correção pela taxa Selic. Nesse período, os títulos ficam como garantia do empréstimo. Se o BC não devolver o dinheiro, os bancos ficam com os papéis.
As operações compromissadas geralmente têm prazo curto. Em torno de 60% dos papéis são devolvidos ao Banco Central em até três meses. Por meio da regulação da quantidade de dinheiro em circulação, a autoridade monetária ajusta a economia à taxa Selic, determinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e atualmente em 10,75% ao ano.

Num cenário de entrada de reservas internacionais, que cresceram em torno de US$ 100 bilhões desde o início da crise econômica internacional e hoje somam em torno de US$ 290 bilhões, a dívida compromissada é cada vez mais usada para regular a oferta de dinheiro. Os economistas, no entanto, divergem sobre o impacto dessas operações na dívida pública.

O professor de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Robson Gonçalves acredita que a enxurrada de recursos externos pode dificultar a administração da dívida pública no médio prazo. “Em algum momento, o governo terá de ser mais incisivo, algo para conter a entrada de capital estrangeiro, além da elevação do IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] para investimentos em renda fixa e derivativos”, acredita. Ele defende a adoção de quarentena sobre o capital especulativo: “O Brasil não terá como escapar disso”.
Para a economista-sênior do Royal Bank of Scotland (RBS) Zeina Latif, as operações compromissadas não representam risco para a administração da dívida pública porque não envolvem emissões de títulos. Ela afirma, no entanto, que esse não é o mecanismo mais correto para “esterilizar” a entrada de recursos estrangeiros. “O ideal seria usar o Fundo Soberano para enxugar o excesso de recursos externos, como fazem alguns países”, afirma.

Em relação à dívida pública, a economista recomenda o fortalecimento do ajuste fiscal, por meio da contenção dos gastos públicos. “O fortalecimento do superávit primário [economia de recursos para pagar os juros da dívida pública] é a melhor estratégia para impedir a explosão da dívida pública”, avalia.
Edição: Graça Adjuto………….

Redação

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