Em audiência que antecedeu a homologação do acordo de delação premiada de Mauro Cid, a defesa do coronel fez um pedido sigiloso ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O advogado Cezar Bittencourt requereu permissão para enviar a família de Cid ao exterior, um pedido que não entrou no acordo de mais de 800 páginas que foi tornado público nesta quinta-feira (20) por Moraes, após a Procuradoria-Geral da República apresentar denúncia por tentativa de golpe de Estado contra Jair Bolsonaro, Cid e aliados.
“Sua Excelência, eu preciso de uma coisa. Para ser efetivo esse acordo, eu preciso que seja liberado, que seja permitido, que a família do Cid possa ir para o exterior”, disse Bittencourt na audiência que foi gravada pelo STF.
O juiz Marco Antonio Martim Vargas, auxiliar de Moraes no STF, presidiu a audiência de análise de homologação do termo de delação premiada de Cid. No encontro, o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro confirmou a “regularidade” e “voluntariedade” da colaboração feita com a Polícia Federal.
A respeito do pedido para enviar a família de Cid ao exterior, o juiz auxiliar respondeu de maneira vaga: “Isso é uma das condições do acordo. O ministro Alexandre agora vai analisar outros requisitos. O que foi ajustado em caráter emergencial, o ministro vai analisar o mais rápido possível”.
Procurado, o advogado de Mauro Cid, Cezar Bittencourt, informou à repórter Carla Castanho, do GGN, que a família de Cid encontra-se reunida no país. “Não é hora pra ninguém viajar para o exterior. A família tem que ficar junto. Cid está bem com a família. Estamos na reta final do processo”, afirmou.
Na audiência, Vargas também afirmou que Moraes estava “ciente” de que a defesa havia protocolado um pedido de soltura para Cid – que chegou a ser liberado, mas acabou voltando à prisão por descumprir medidas cautelares.
Cid também declarou na audiência gravada que estava ciente dos termos da cláusula 11 do acordo, que diz que o colaborador deve esclarecer espontaneamente todos os crimes que praticou e fornecer todas as provas e evidências que estiverem ao seu alcance, além de falar a verdade incondicionalmente em todo o processo.
Em contrapartida, a defesa de Cid solicitou benefícios para o delator:
- Perdão judicial ou pena máxima de dois anos de reclusão;
- Devolução de bens e patrimônios apreendidos durante as investigações;
- Blindagem para sua esposa, filha e pai, que são citados nas investigações;
- Segurança policial e sigilo da delação;
- Permissão para enviar sua família em viagem ao exterior (item que, aparentemente, foi mantido em segredo; sequer consta na delação divulgada após o levantamento do sigilo).
O GGN obteve acesso aos vídeos da delação de Cid que foram divulgados a mando de Moraes. Eles serão compartilhados em nosso canal no Youtube, a TVGGN [clique aqui e inscreva-se gratuitamente].
Emerson Rodrigues de Souza
21 de fevereiro de 2025 9:58 amTem alguém isento investigando o irmão e o pai do Cid nos EUA? Diz a lenda que seriam propostos do bolçonário. Casas de 8,5 milhões de dólares e o escambau de madureira…