
A atuação política de Moro esta destruindo o Judiciário… e o país
por Sergio Medeiros
Nestes últimos dias, o presentante do Ministério Público Federal Deltan Dallagnoll, dedicou-se a atacar ferozmente as decisões do Supremo Tribunal Federal que concederam liberdade a diversos presos na operação Lava Jato (José Dirceu dentre eles) e, este fato foi amplamente disseminado na grande mídia, com vista a enaltecer, com contornos de heroicidade, a figura de Deltan, de Sérgio Moro e da República de Curitiba.
Mas, esta foi a versão da já nem tão hegemônica, mas totalmente engajada grande mídia.
Na realidade, a reação de Deltan, Sérgio Moro, e logo, logo, dos delegados da PF em Curitiba, às recentes decisões do STF contrárias a seus desígnios tem, concretamente, em sua motivação, uma origem comum e nada prosaica, seu tempo de validade esta acabando, sobrevivem ainda, em razão da ameaça Lula (e do que Lula representa nas eleições para Presidente em 2018), e fazem disso seu trunfo.
Agora, com o tempo passado, vê-se claramente que foram instrumentalizados para cumprirem uma tarefa definida, fornecerem medidas fortes com potencial de abalarem o governo exercido pela Presidente Dilma Roussef, representante eleita do Partido dos Trabalhadores, de modo a alijá-la do poder, colocando outro grupo, econômica e ideologicamente definido em sentido contrário ao formato então dominante.
Talvez, no início, tenham se iludido com a possibilidade de serem bancados como “eleitos de Deus” para darem a mensagem de um novo mundo, e não como de fato efetivamente foi, tratava-se de meros instrumentos para obtenção do poder, por outros meios, que não o democrático.
De qualquer sorte, neste campo, não lhes cabe nem mesmo a atenuante de inocentes úteis, mas, por outro lado, certamente caberiam qualificadoras.
Agiram e agem como meros artífices de um poder que não lhes foi dado para exercer conforme suas inclinações pessoais, mas sim, para ser exercido conforme os ditames de uma Constituição, dita cidadã.
Desta forma, com seus atos de cunho marcadamente autoritários e cerceadores da mais comezinha liberdade, o mais sublime dos direitos, agem em total desconformidade com o poder que lhes foi delegado.
Mas, terminada a tarefa inicial, e, antes que venham a ter empoderamento maior que o necessário, vem o inevitável enquadramento de suas Corporações na nova estrutura de poder, a qual não lhes reserva nenhum espaço relevante, e pior, vai lhes impor algumas algemas e mordaças, para que não sirvam de plataforma a novos reis.
E, para tanto, eis que, do nada, surge a nada incomum hierarquia decisória do Poder Judiciário, a qual dispõe que cabe ao Supremo Tribunal Federal errar por último, ou, em suma, no instante que o sistema quis por fim aos arroubos de poder, simplesmente passou a exercer sua jurisdição e impor sua autoridade.
Simples assim. E porque não antes?… Ora, os motivos estão acima explicitados.
De outro lado, neste momento, seu grupo e modelo de cooptação (essencialmente corporativo), já não é mais unanimidade nem mesmo dentro da Corporação, que se vê desgastada com tantos desmandos e contrariedade a legislação consolidada, pois, formada eminentemente por técnicos, com o tempo passou a ver que muitos de seus atos eram atos puramente políticos, sobre os quais não tem familiaridade nem domínio.
Entretanto, têm pleno conhecimento que tais atos podem acarretar uma contra reação forte, por parte dos ocupantes daquele espaço (político por excelência), a qual inevitavelmente consistirá em medidas tendentes a restringir seu campo de atuação dentro da sua própria esfera de poder, lugar este tão duramente conquistado e consolidado constitucionalmente.
Sabem que seu poder tem fundamento nas leis, na regulação e manutenção de um, ainda que precário, Estado Democrático de Direito, e que, ao agir no sentido de desacreditá-lo, subvertendo tanto as regras básicas de freios e contrapesos, como as leis que o regem, na realidade estão agindo para sua própria destruição e a do Estado do qual fazem parte como membros do poder.
Retirada sua finalidade, credibilidade e fundamento de estabilidade institucional, perdem sua razão de existência e dai para a ruína é um pequeno passo em direção ao abismo.
Alguns já se deram conta que projetos como o da Lei de abuso de autoridade ou mesmo o referente ao teto dos salários são a primeira mostra do que virá, e já começam a se preocupar com o futuro.
Em passant, a lei de abuso de autoridade, não deveria trazer grandes angústias, principalmente no que tange a interpretação do nela contido, visto que será apreciado por seus pares.
Deste modo, a exacerbada reação a referida lei, carrega em seu bojo profundo descrédito com as instancias superiores do Judiciário, o que, ao fim e ao cabo, tem o efetivo condão de macular a imagem da instituição como um todo, visto sua unicidade e inteireza conceitual.
É que, ao demonstrar explicitamente sua desconfiança com a cúpula do poder do qual fazem parte, abrem a caixa de Pandora da cizânia, destroem a base sobre a qual se estrutura sua Justificação de poder de estado, e reduzem a cinza a autoridade de suas decisões, o alicerce sobre o qual toda a estrutura se apoia.
Assim, a forma como o grupo de Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e da Polícia Federal de Curitiba age, isso, apesar do disposto constitucionalmente, que define que sua atuação se dará de forma independente e em distintas áreas, a despeito disso, age como um só bloco monolítico, e, desta forma, carrega consigo uma série de aberrações jurídicas, as quais desaguam, precipuamente, na perda de legitimidade da magistratura. Mas que também causarão, inevitavelmente, em um breve futuro, a diminuição da autonomia da Polícia Federal e a redução das prerrogativas e atribuições do Ministério Público.
A mídia não vai proteger nem o Judiciário nem o Ministério Público, e certamente utilizará tanto a imagem de altos salários quanto a do corporativismo – aposentadoria em casos de corrupção etc… – para retirar toda autoridade de suas intervenções em defesa das instituições na qual exercem suas atividades.
E, ai vai um alerta, este modelo, da Constituição de 1988, este modelo pode ser alterado, de concurso público, como em sua essência é hoje, para outro que também contemple eleições e indicações, com prazos definidos de atuação, sim, isso mesmo, igual ao sistema corrupto e clientelista norte americano, ou, segundo, uma certa República, copiando um país colonizado por pessoas civilizadas, sem estes desvios étnicos locais.
O primeiro passo foi dado para a destruição do Poder Judiciário, e não vejo coesão no enfretamento, os magistrados da Justiça do Trabalho, estão sendo deixados sozinhos em sua luta inglória, o apoio é meramente formal, e não se vê nenhuma ajuda dos grupos Deltan Moro PF de Curitiba, preocupados apenas com sua área de interesse, que vai muito além de umbigos e egos (apesar destes serem infinitamente supradimensionados)…
Anna_
5 de maio de 2017 10:50 amAbsolutamente perfeito.
Absolutamente perfeito.
H Menon Jr.
5 de maio de 2017 11:15 amNada que já não soubéssemos…
… Mas colocado de forma brilhante. E à respeito de deuses e santos, seria bom lembrar que a Santa Inquisição foi instaurada em Portugal no ano de 1536, no auge das conquista ultra-marinas lusitanas e só acabou, oficialmente, em 1821, quase 300 anos depois com Portugal reduzido à cinzas e relegado ao papel de coadjuvante da grande potência da época, a Inglaterra. Qualquer semelhança do Brasil de hoje com a grande potência de nossa época, não é mera coincidência…
daniel_danielg
5 de maio de 2017 11:26 amFaltou “.. e o País”
Texto muito bom quando fala da destruição do Judiciário, mas um pouco incompleto se comparado com o Título.
A Lava-Jato COMPROMETEU as estruturas básicas da economia.
1- Petrobras e seu complexo;
2- empreiteiras;
3- BNDES;
4- confiança dos investidores, nacionais ou estrangeiros;
5- investimentos públicos (congelados por responsabilidade do atual governo, que entrou devido à L.J.);
Visualizemos a economia como um grande mecanismo, as os itens acima como importantes máquinas deste.
Estas máquinas estão trincadas, ou rachadas, devido a Lava-jato. Se não houver um pacto, será questão de tempo para estas máquinas pararem de girar, ou até quebrarem; e a economia emperrar.
O conserto destas fissuras, e reversão do desmonte, envolveria vários elementos da elite, como mídia, PSDB, STF e até banqueiros.
Se tiverem visão, vão sentar e reverter o estrago, mas duvido muito que seja possível agora…
O pior, é que não precisa ser nacional-desenvolvimentista para ver o tamanho do abismo, nem Keynesiano para ver que no futuro haverá muita dificuldade para se sair deste.
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J.J. Lopez
5 de maio de 2017 11:33 amMoro e a PGR
Moro e a PGR ao invés de se precuparem com a constituição e as leis, resolveram seguir o caminho que a midia lhes indicou. Agora, perdidos num lamaçal de incongruências jurídicas não sabem o que fazer. Se tivessem grandeza e humildade ainda haveria tempo de se retratarem e fazer o que teria quer ser feito. Porém, o orgulho, o medo do desgaste ainda maior da suas imagens continuam no rumo do desastre que mais cedo ou mais tarde vai acontecer.
jossimar
5 de maio de 2017 11:40 am“Retirada sua finalidade,
“Retirada sua finalidade, credibilidade e fundamento de estabilidade institucional, perdem sua razão de existência e dai para a ruína é um pequeno passo em direção ao abismo.”
E tenho dito: o que são mais 1200 desempregados num universo de 14 milhões?
Nada. Mas o retorno economico e democrático será enorme.
luiz valentim
5 de maio de 2017 11:43 amA pensar:Foi o Governo do PT que salvou o MP da mordaça da PEC37
A tomada de assalto ao poder , ferindo de morte a Democracia são as consequencias dos atos da LIDE-MORO-MIDIA-PMDB-PSDB e um STF que se auto apequenou.
Porque Teori só enquadrou o Eduardo Cunha após ele ter feito o “trabalho sujo”?
Porque Gilmar Mendes usou as ilealidades das escutas midiáticas do Moro pra impedir a posse do Lula?
Porque só agora ele posa de “defensor do Estado de Direito”.
MThereza
5 de maio de 2017 11:43 amé o que dá só estudar pra
é o que dá só estudar pra passar no concurso. Visão estreita, egos inflados, superegos adormecidos. Já vão tarde
Jaide
5 de maio de 2017 2:54 pmEstudar para passar em
Estudar para passar em concurso?
Talvez alguns?
Começo a desconfiar que deve ter outros “métodos” de aprovação em concursos no judiciário e afins.
Ugo
5 de maio de 2017 11:55 amsei lá, estamos em metástase
A atuação politica do menino moro e seus beatos bíblia no sovaco destruiu definitivamente nesta atual configuração e moralmente o judiciário.
A atuação politica de quem não tem mandado para tanto: judiciário, mídia e a parte do parlamento comprada pelo poder econômico, in primis sistema financeiro, já destruíram o País.
Rui Ribeiro
5 de maio de 2017 12:07 pmConcluído o serviço sujo, os idiotas perdem suas utilidades
Após concluírem o serviço sujo ou na impossibilidade de não entregarem a encomenda, esses lavajeiros idiotas vão para o ostracismo, tal qual o Fateiro Joaquim Barbosa.
Como são arquivos vivos, podem até ser queimados. Os Estados Unidos já fizeram isso várias vezes: Já queimaram o Mubarak e muitos outros governos aliados, após fazerem o serviço sujo.
Ontem o Estadão descatitou os Jateiros, da mesma forma que o Noblat fez com o Joaquim Barbosa e da mesma forma que a Veja esculhambou o Joaquim Barbosa, quando este chamou o golpe de golpe tabajara.
DanielP
5 de maio de 2017 12:14 pmEste blog já atencipou isso
Este blog já atencipou isso há anos.
Estão tentando destruir o País e estão conseguindo.
Nâo seria melhor o País destruir eles antes ?
mauro silva 2
5 de maio de 2017 12:43 pmexpurgo
como alguns mais ortodoxos vêm defendendo, chegou-se a um dilema, de fato, um falso dilema: ou se dispensa todo o poder judiciário pela sua absoluta inutilidade para o estado e sociedade, ou promove-se um expurgo nos seus quadros pelos mesmos motivos.
um falso dilema ….
peregrino
5 de maio de 2017 1:14 pmcom certeza…
se não houver correção, limites, nada será como antes ( lei do mais forte )
Maria Luisa
5 de maio de 2017 1:37 pmCuidado com eles
Estou esperando para ver como vai ser a historia de mudança no sistema eleitoral, proposta de lei que vai ser discutida na Câmara em breve. Se aprovada a mudança de quatro anos para cinco para a presidência da republica é possivel que passe a valer desde ja, assim Lula teria menos chances de se candidatar em 2019… Assim sendo, a Lava Jato perde o intetesse publico. O unico interesse dela hoje é a constante exposição policialesca de Lula e sua provavel condenação.
Sobre Dallagnol e congêneres. Acho que é bem provavel que a tal petição pelo impeachment dos ministros do STF que votaram a favor da liberação de Dirceu, partiu de gente (bem) proxima de procuradores e promotores da Lava Jato.
Carlos Alberto Freitas Lima
5 de maio de 2017 1:50 pmNÃO EXISTE JUSTIÇA ALGUMA NO BRASIL É O MEU “DOMÍNIO DO FATO”.
Não há justiça no Brasil, o que há é grupelhos de leitores hermeneuticamente das leis, não há regras a seguir, se você fizer isso o juiz deduz que voc~e deveria ter feito aquilo, o que há aspiração ideológica nas cabeças de muitos juízes ruins. Obedecem ao mercado e a banca dos bancos que governa o país. Não é mais possível não admitir que a GLOBO manda no judiciário brasileiro e manda muito, até com leitura labial. Ao a justiça lagar a técnica jurídica e ouvir a opinião popular que ela mesma impõe com a mídia, sepultou o que ainda tinha de confiança da população e passou a ser um nada em relação a sua condição de instituição, na verdade passou a ser mais um desses programas televisivos como o BBB, só isso, ela usa a mídia para impor uma opinião e sua opinião se faz com um balizamento sem nenhuma credibilidade. Se tornou seletiva, protetora de certos entes nada confiáveis ou probos. Por tanto para min não existe mais justiça, só uma turma que ganha muito, degustando vinhos importados e comidas de chefs internacionais e viajando mundo afora fazendo turismo jurídico que não traz nada de novo ao Brasil senão o ego da injusta riqueza e esperteza.
Juliano Santos
5 de maio de 2017 2:15 pmPerfeita analise. E me levou
Perfeita analise. E me levou a refletir sobre o suposto racha entre Gilmar e a Globo. Esta resolveu tomar as dores dos meninos de Curitiba na pendenga com o supremo ministro. É preciso manter a moral da lava a jato, ela não pode se desmoralizar agora, ainda não entregou a mercadoria, a inabilitação de Lula para 2018.
Como voce colocou muito bem caro Sergio, esse é o trunfo da Lava a jato. Enquanto não terminarem o serviço terão que ter sua imagem de salvadores da moralidade pátria preservada, mesmo em atrito com o ministro mais tucano de todos os tempos.
Só que Gilmar e uma boa parte da turma golpista não pode esperar e já articulam os próximas passos. A preparação para “estancar a sangria”. E também é uma opostunidade para os adultos do golpe no judiciário darem um chega para lá nos moleques que estão se achando.
CarlosEd
5 de maio de 2017 3:06 pmO Brazil tá matando o Brasil
Já dizia o Aldir Blanc em “Querelas do Brasil”, há muito tempo atrás.
E esses caras da lavajato agem como soldados de uma guerra, e é isso que eles devem ser mesmo, acampados na base de Curitiba. Mas agora que lançaram o satélite com 30% de sua capacidade destinada a uso militar, o Temer diz que já cumpriu a “função” dele. E os soldados da Lava-Jato, Moro e cia, quando vão se dar por satisfeitos?
Guilherme Souto
5 de maio de 2017 3:20 pm“A atuação política de Moro
“A atuação política de Moro esta destruindo o judiciário…”; convenhamos, não é, gente?!, pela inércia e jogo de cena dos ministros, fica patente que a instituição nunca foi solída.
Orlando Soares Varêda
5 de maio de 2017 3:36 pmO TROMBADINHA DO PGR
O TROMBADINHA DO PGR DALAGNOL, DEU COM AS FUÇAS NO CHÃO.
Os concurseiros, trombadinhas patetas do pgr, são tão despreparados e de mediocridade tamanha, ao ponto de propiciarem a um magarefe do stf como o Beiçola, desempenhar o papel que lhe cabe de ministro do Supremo.
Orlando
GalileoGalilei
5 de maio de 2017 7:56 pmMilitares x STF
É bastante preocupante toda a coreografia empregada pelos diversos setores participantes do golpe.
Só estava faltando o pronunciamento militar.
Não mais.
Com a frase: “Será que os doutos ministros do STF avaliam o mal que têm causado ao País?” o General da reserva, Augusto Heleno, assume um dos lados no vácuo aberto pela falta de legitimidade das partes em disputa.
http://www.defesanet.com.br/crise/noticia/25618/Gen-Ex-Heleno-Posiciona-se-sobre-Decisao-do-STF/
A situação já é bastante complicada sem o fator militar envolvido. Não precisávamos de mais isso.