À contramão da ciência, quando nem os fatos credibilizam a efetividade do lockdown
por Saulo Barbosa Santiago dos Santos[1]
Fazer lockdown quando doenças mortais surgem não é novidade, há 400 anos os europeus fizeram isso para se defenderem da peste negra até encontrarem uma cura, outras nações no curso da história agiram da mesma forma, com a covid não poderia ser diferente. No entanto, um departamento da universidade Johns Hopkins foi na contramão da ciência, elaborou uma pesquisa sugerindo que o lockdown não teve efeito na mortalidade por Covid, e se teve, foi muito pouco. Integrantes do governo não perderam tempo e postaram logo no twitter, inclusive um deputado médico que deu prazo de um mês para a pandemia acabar, Osmar Terra. Os defensores de Bolsonaro não pouparam a soberba de sempre, trataram o presidente como o mito visionário que não errou na estratégia. Quando há mentira na história, os olhos da ala bolsonarista crescem logo e a coisa começa a ser compartilhada freneticamente até que se torne verdade. Afinal, que pesquisa foi essa que poderia mudar a história da humanidade na luta contra doenças?
Embora a universidade tenha um centro de recurso de coronavírus, o estudo não veio dela e muito menos do departamento de virologia, microbiologia, epidemiológico ou até de medicina, mas sim, o de economia.
O título do artigo é: A literature review and meta-analysis of the effects of lockdowns on covid-19 mortality e foi realizado por três pesquisadores, influenciados por 2 artigos, tomando 24 estudos como base (extremamente pouco quando vemos mais de 10 mil pesquisas sobre o tema), no entanto há graves erros metodológicos nos quais é facilmente percebido: 1 – Não separaram os lockdowns em tempos diferentes, para eles, não faz diferença um lockdown nos primeiros dias e depois de 20 dias; 2 – Foram indiferentes à mudança da efetividade dos lockdowns, uma região com 10000 mortes e depois com 1 morte foi tratada igualmente. Por fim, a própria universidade entra em contradição, pois, em Junho de 2020, publicaram um artigo falando como o lockdown salvou milhares de vidas.
Outros problemas surgem à medida que se aprofunda o texto, não publicaram em periódicos especializados e reconhecidos, nada de revisão por pares. Fica difícil levar isso a sério. Mas quem deu esta notícia? Um jornalista conservador sensacionalista chamado Brad Polumbo, sem mais.
Conclui-se que este estudo tem tudo para ser falseado e foi escrito com total viés ideológico, o aspecto tratado foi econômico e não epidemiológico, ignorou diversas fases metodológicas, inclusive, próprios estudo da Universidade citada. Foi tratado como uma verdade absoluta, influenciando as pessoas desavisadas e pondo a vida delas em risco caso não queiram respeitar um possível lockdown.
[1]Formado em filosofia, Guarda Civil e autista
Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN
Jicxjo
8 de fevereiro de 2022 7:07 pmEssa peça publicitária de terraplanismo sanitário lavrada por “economistas” (ô raça presunçosa!) faz-me lembrar aquela outra, do início da pandemia, do também economista Só Me Dana, igualmente esgrimida pela bolsonaristada rola-bosta, igualmente desacreditada por seus erros metodológicos crassos. Natural tentarem provar o fisicamente impossível, se em pleno século XXI ainda tem gente que acredita em moto perpétuo, horóscopo e coisas parecidas, inclusive entre detentores de diploma de curso superior… E resta a hipótese dos estudos comprados, haja vista que muitos acadêmicos de economia já se prestaram a papéis vergonhosos, como na crise do subprime em 2008, em que a ciência foi mandada às favas em defesa de seus interesses ideológicos e suas polpudas remunerações no mercado.