A era das mentalidades desequilibradas, comentário de Lúcio Vieira

Num mundo onde o mais provável adiante sejam a escassez e as dificuldades econômicas e ecológicas, a ruptura para uma possível nova era será drástica e selvagem

Por Lúcio Vieira

Comentário no post A investigação sobre os Bolsonaros e a narco-República a caminho, por Luis Nassif

No livro “1990, a Grande Depressão”, de Ravi Batra (ed. Cultura), onde Luis Nassif tem um adendo que insere o Brasil, apesar de muitos terem pego como uma simples profecia datada – e de acordo com a datação foi furada – acabam iludindo-se como algo falho. Assim como a crise climática altera os padrões e tempos dos acontecimentos, a crise nos sistemas humanos vão nesta mesma lógica. Vida é dinâmica e repetição, ao longo do tempo.

Ravi Batra nos traz a visão da ciclicidade dos eventos e suas crises, para buscarmos entender os movimentos pelos quais a civilização passa e repassa. Batra se baseia nas idéias de Pabhat Ranjan Sarkar, um acadêmico indiano que prova, dentro de uma análise histórica, de que é obedecida uma coincidência na história de quatro tipo de ciclos sociais, que ele denominou de a era dos trabalhadores, a era dos guerreiros, a era dos intelectuais e a era dos acumuladores.

O mais interessante, na visão de Sarkar, é que este determinismo não está ligado a um destino programado, mas ao próprio homem, seus atos e interesses. Ele demonstra que, na sua origem, o homem, ao ser incorporado ao mundo da natureza, o primeiro sentimento foi de auto-preservação e não o de solidariedade. Por esta razão, venceram os mais fortes.

Eles estão representados em três tipos de imagem: os que venceram pela força física e se transformaram em guerreiros (era guerreira); os que buscaram o intelecto e criaram dogmas para ser poder (era intelectual) e os que acumularam para usar o dinheiro para ter prestígio (era dos acumuladores).

Outro dado importante, na visão do pensamento do indiano, é que o início foi com a era dos trabalhadores, mas, como houve a prevalência dos mais fortes, as futuras eras dos trabalhadores se tornaram eras dos “acumuladores-com-trabalhadores”, na qual se caracterizaram por uma onda libertária, mas recheada por alto índice de criminalidade e decadência moral. Detalhe: os trabalhadores nunca chegaram ao poder.

Parece que estamos no período em que intelectuais e trabalhadores se vêem sem poder e sem destino e quando guerreiros, aliados aos acumuladores (e considerando a “intelectualidade” dos falsos filósofos e líderes religiosos, uma parcela destes se alia) se apropriaram das narrativas, tecnologias, comunicações, das nações e do destino imediato, pois ao cooptarem os agentes da lei e de justiça, ampliam o poder de opressão e repressão minando assim as demais classes.

Num mundo onde o mais provável adiante sejam a escassez e as dificuldades econômicas e ecológicas, a ruptura para uma possível nova era será drástica e selvagem. Mas ironicamente pegando o título do livro, após a humanidade adentrar na era da depressão mental, piora-se o quadro, quando o poder fica em mãos de mentalidades desequilibradas, adoecidas, deturpadoras e deturpadas.

 

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