A mentira tem pernas curtas. E daí?, por Luiz Carlos Soares Moreira

Somente quebrando as pernas da mentira é possível interromper sua corrida e reduzir o seu nefasto alcance.

Divulgação - Documentário Privacidade Hackeada

A mentira tem pernas curtas. E daí?

por Luiz Carlos Soares Moreira

Esse dito popular está sendo superado no meio político mundial, com evidência marcante no nosso governo, cujo Presidente eleito em 2018 teve sua campanha alicerçada na circulação de mentiras pela Internet.

Os que colocaram em execução esse método farsesco, depois de fazerem testes mercadológicos e observarem que as pernas curtas da mentira não a impedem de correr, passaram a aplicar tal método à política.

No documentário “The Great Hack”, em cartaz na Netflix com o título “Privacidade Hackeada”, é possível ver com nitidez as entranhas do monstro que foi criado pela Cambridge Analytica, usando como meio de difusão o WhatsApp.

A direita buscou, intuitivamente ou por observação, usar da estratégia mercadológica vitoriosa que sabia direcionar o consumidor para o mercado de consumo, como se direciona uma boiada para o curral.

Ao utilizarem as ações desenvolvidas por esse meio de comunicação turbinado, conhecido como Internet, a direita capitaneada por figuras como Steve Bannon e Alexander Nix, passaram a usar de uma estratégia que já era conhecida por Karl Marx e Antonio Gramsci, noutro contexto da história política.

Karl Marx tinha consciência dessa força desmesurada dos meios de comunicação e dizia sobre os produtores e distribuidores de informações: “Transportam signos; garantem a circulação veloz das informações; movem as ideias; viajam pelos cenários onde as práticas sociais se fazem; recolhem, produzem e distribuem conhecimento e ideologia”.

Referindo-se à imprensa que era o maior meio de comunicação de sua época, vaticinava Antonio Gramsci : “Enquanto aparelhos político-ideológicos que elaboram, divulgam e unificam de concepções de mundo, jornais e revistas cumprem a função de organizar e difundir determinados tipos de cultura, articulados de forma orgânica com determinado agrupamento social mais ou menos homogêneo, o qual contribui com orientações gerais para exercer influência na compreensão dos fatos sociais”. 

O que a Cambridge Analytica acoplou a essa estratégia política para fortalecer a argumentação necessária ao convencimento do eleitor foi o que se passou a chamar de fake News.

Pouco importou para os criadores de fatos mentirosos se as pernas desses “fatos” eram curtas, pois eles tinham um meio apropriado para impulsionar suas pernas curtas numa corrida louca proporcionada pelo novo meio de comunicação e na velocidade que lhes permitissem a divulgação pela World Wide Web.

De sorte que não importa se “a mentira tem pernas curtas”, pois mesmo com essas diminutas perna ela pode correr a uma velocidade medida por megabytes.

Somente quebrando as pernas da mentira é possível interromper sua corrida e reduzir o seu nefasto alcance.

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