A urgência e o fascismo ‘fungam no cangote’. Eleições 2026 no Brasil
por Marcelo Karloni
Cansei. Indiscutivelmente, o Brasil está diante da eleição que, novamente, é a das nossas vidas. Quem está no nosso campo já conhece a expressão e o seu significado. Afinal, desde 2010 tem sido assim.
Naquela, a luta era para impedir retrocessos que adviriam de setores do PSDB, notadamente. Mas a urgência sempre esteve no nosso “cangote” (nuca, aqui no Nordeste).
Esteve no PETRÓLEO É NOSSO e esteve, nos anos 1990, no impedimento de Collor. Essa urgência se reinventa sempre. Estamos lidando com uma e eis que surgem outras…
A urgência do momento é ainda mais “urgente” (que redundância! O português deixa? Deixarei assim, pois é urgente terminar essa palavrinha com vocês). A URGÊNCIA, meus caros e minhas caras, é a possibilidade de a distopia virar realidade.
Não é exagero. Além dos retrocessos, haverá avanços. Sim, avanços de agendas fascistas, dogmático-religiosas, e o neoliberalismo será pequeno diante do que o capitalismo deseja legar ao mundo. Una tecnologias de monitoramento, rastreamento, vigilância, IA e concentração de riqueza. Depois, acrescente ódio, intolerância e preconceito…
Tem-se aí o mundo feito paraíso de gente má, cruel e sanguinária. Ou achamos que estamos ainda disputando com o PSDB de FHC, de Alckmin ou de Temer? Não, meus amigos e amigas… estamos lutando por nossas vidas.
Achamos mesmo que o único problema com que teremos de lidar é o preço da cesta básica e a paralisação da reforma urbana ou agrária? Assim como nos anos 30, na Alemanha, ou nos anos 60, no Brasil, não há perseguição e encarceramento nos primeiros movimentos…
Sabe por quê? Porque é preciso justificar antes o injustificável e… falarei baixinho… “criar a engenharia necessária para eliminar vozes e, em poucos anos… vidas!”
Eu, honestamente, não sei por que ainda há tanta gente de esquerda sem esse “santo” desespero. A natureza dotou as espécies animais, dentre as quais o homem, de um dom: o medo. Joga adrenalina para a fuga ou a luta. Abre as pupilas, acelera o coração para irrigar as extremidades do corpo… A decisão após o medo é fugir, caso o perigo seja maior do que se possa enfrentar, ou lutar uma última vez para exterminá-lo.
E não nos enganemos: esse Congresso que vem aí, controlando indicações do STF, processos de impeachment e reformas… virá para nos tirar do jogo. Exagero?
O tempo dirá.
Há uma expressão bem comum aqui no Nordeste que resume situações extremas… “Estamos lascados”, se diz assim. Mas há outra que aponta para o que o nosso país precisa, e com essa termino.
É hora de arrochar e acertar na “titela” da corrente fascista. É ela ou nós. A urgência está ou não no cangote, macho?
Marcelo Karloni é docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) no Campus Arapiraca (Curso de Arquitetura e Urbanismo), doutor em Dinâmicas Territoriais do Desenvolvimento e Regionalizações pela UFPE e membro da Coordenação Nacional da Rede BrCidades.
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