21 de maio de 2026

Avião-correio: sinais de guerra híbrida contra o Brasil?, por Lucio Massafferri Salles

Entre símbolos e silêncios, o país volta a ser palco de recados estratégicos
Boeing 757-2A U.S. Air Force, 00-9001 — Foto: Reprodução/wikimedia commons

no Pragmatismo Político

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Avião-correio: sinais de guerra híbrida contra o Brasil?

por Lucio Massafferri Salles

Vejam vocês… um boeing da Força Aérea estadunidense – e que é usado pela CIA – pousou em território brasileiro sem que a missão fosse oficialmente esclarecida… estranho, não? A notícia saiu em alguns portais independentes e, claro, já acendeu memórias e desconfianças. Afinal, no Brasil, aviões militares nunca são só aviões — muitas vezes carregam recados. Nos idos de 1964, por exemplo, um porta-aviões dos EUA ficou parado na Baía de Guanabara como sombra muda do golpe. Décadas depois, essa lógica de “mensagens estratégicas” continua rondando.
Avião usado pela CIA pousa em Porto Alegre em missão não revelada pelos EUA

Mais do que um conceito abstrato, a tal lógica das guerras híbridas aparece nas ações, no concreto do dia a dia. E nem sempre precisa de tiros para mostrar força… às vezes, basta a presença silenciosa de uma aeronave. Só isso já pode soar como demonstração de poder, memória de alianças antigas ou até mesmo um recado velado.

Aqui, vale a máxima de Leibniz: tudo o que não é contraditório é possível. E, pela história do Brasil e pelo modus operandi dos EUA, sabemos que o “possível” é quase sempre merecedor de atenção.
Quando os EUA enviaram até porta-aviões para interferir na política brasileira

Desestabilizar para conquistar (Arquitetura do Caos 3)

Claro, um avião pode ser só isso: metal voando no céu. Mas pode ser bem mais — pode virar linguagem, mensagem cifrada, uma “presença que fala” sem dizer palavra. Aí entra a imagem do avião-correio: não carrega cartas nem selos, mas deixa recados no ar. E esses recados ganham outro peso quando lembramos do nosso contexto recente, cheio de instabilidade, lawfare e interferências externas.
Para além das tarifas, a disputa está na cognição

Não se trata de alarmismo. A questão é entender os truques da psicopolítica e da geopolítica. Aviões, discursos, imagens — nada disso aparece no vazio. Tudo é linguagem, tudo molda percepção, tudo abre espaço para disputas de sentido. Um pouso pode ser só burocracia de pista… mas também pode ser recado. O desafio é nosso, como povo: não engolir sinais de forma ingênua..
Nas redes da guerra: uma negligência programada

E sejamos francos: episódios assim vão além de “pousos técnicos”. São como lembretes de que o Brasil continua cobiçado, vigiado, jogado como peça que não sai do jogo dos grandes. Um avião branco parado na pista pode parecer banal… mas carrega peso simbólico enorme. Aí está a força da semiótica: rotina que vira mensagem, silêncio que vira pressão, presença que vira narrativa.

Lucio Massafferri Salles é filósofo, psicólogo e jornalista. Doutor em Filosofia (UFRJ), mestre em filosofia (UFRJ), especialista em psicanálise (USU) e ativista do Movimento Software Livre. É criador do Portal Fio do Tempo (You Tube).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Lucio Massafferri Salles

Lucio Massafferri Salles é professor do Departamento de Psicologia da UCAM, professor da Rede Pública Estadual do Rio de Janeiro, graduado e Licenciado em Filosofia pela UFRJ e em psicologia pelo CEUCEL. É especialista em Psicanálise pelo CEPCOP-USU, mestre em Filosofia pela UFRJ e doutor em Filosofia pela UFRJ. Concluiu estágio de pós-doutorado em Filosofia pela UERJ.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados