
Avião-correio: sinais de guerra híbrida contra o Brasil?
por Lucio Massafferri Salles
Vejam vocês… um boeing da Força Aérea estadunidense – e que é usado pela CIA – pousou em território brasileiro sem que a missão fosse oficialmente esclarecida… estranho, não? A notícia saiu em alguns portais independentes e, claro, já acendeu memórias e desconfianças. Afinal, no Brasil, aviões militares nunca são só aviões — muitas vezes carregam recados. Nos idos de 1964, por exemplo, um porta-aviões dos EUA ficou parado na Baía de Guanabara como sombra muda do golpe. Décadas depois, essa lógica de “mensagens estratégicas” continua rondando.
Avião usado pela CIA pousa em Porto Alegre em missão não revelada pelos EUA
Mais do que um conceito abstrato, a tal lógica das guerras híbridas aparece nas ações, no concreto do dia a dia. E nem sempre precisa de tiros para mostrar força… às vezes, basta a presença silenciosa de uma aeronave. Só isso já pode soar como demonstração de poder, memória de alianças antigas ou até mesmo um recado velado.
Aqui, vale a máxima de Leibniz: tudo o que não é contraditório é possível. E, pela história do Brasil e pelo modus operandi dos EUA, sabemos que o “possível” é quase sempre merecedor de atenção.
Quando os EUA enviaram até porta-aviões para interferir na política brasileira
Desestabilizar para conquistar (Arquitetura do Caos 3)
Claro, um avião pode ser só isso: metal voando no céu. Mas pode ser bem mais — pode virar linguagem, mensagem cifrada, uma “presença que fala” sem dizer palavra. Aí entra a imagem do avião-correio: não carrega cartas nem selos, mas deixa recados no ar. E esses recados ganham outro peso quando lembramos do nosso contexto recente, cheio de instabilidade, lawfare e interferências externas.
Para além das tarifas, a disputa está na cognição

Não se trata de alarmismo. A questão é entender os truques da psicopolítica e da geopolítica. Aviões, discursos, imagens — nada disso aparece no vazio. Tudo é linguagem, tudo molda percepção, tudo abre espaço para disputas de sentido. Um pouso pode ser só burocracia de pista… mas também pode ser recado. O desafio é nosso, como povo: não engolir sinais de forma ingênua..
Nas redes da guerra: uma negligência programada
E sejamos francos: episódios assim vão além de “pousos técnicos”. São como lembretes de que o Brasil continua cobiçado, vigiado, jogado como peça que não sai do jogo dos grandes. Um avião branco parado na pista pode parecer banal… mas carrega peso simbólico enorme. Aí está a força da semiótica: rotina que vira mensagem, silêncio que vira pressão, presença que vira narrativa.
Lucio Massafferri Salles é filósofo, psicólogo e jornalista. Doutor em Filosofia (UFRJ), mestre em filosofia (UFRJ), especialista em psicanálise (USU) e ativista do Movimento Software Livre. É criador do Portal Fio do Tempo (You Tube).
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