Bolsonaro nada de braçada, por Gustavo Conde

Sinceramente, eu não sei o que é mais irresponsável: a nossa letargia ou a impetuosidade canalha dos atuais proprietários do poder.

Bolsonaro nada de braçada, por Gustavo Conde

Só vi agora as imagens de Bolsonaro pulando do barco – com os seguranças pulando junto e todos nadando em direção aos banhistas na Praia Grande. É impressionante ver todo mundo gritando “mito” e nadando atrás do presidente. A filmagem capta tudo, até os brados de “- Doria, vai tomar no…”.

Banhistas com o celular em punho dentro da água registram a cena.

Antes de dizer que “é um absurdo”, que “são todos assassinos” e de indagar “como o STF, a polícia e autoridades em geral permitem esse tipo de coisa”, apenas alerto: este cidadão miliciano pode acabar permanecendo no poder por muito tempo.

Ele literalmente “nada de braçada”.

A esquerda não entende, não quer entender e se recusa a cumprir um novo papel no campo da comunicação política. Faz o mesmo de sempre achando que “uma hora vai dar” – anuncia estatísticas, apresenta dados, redige notas de repúdio e fica “esperando Lula”.

Sinceramente, eu não sei o que é mais irresponsável: a nossa letargia ou a impetuosidade canalha dos atuais proprietários do poder.

Bolsonaro está dando um banho de comunicação em todos nós.

Miseravelmente, a imprensa tradicional se juntou à esquerda para vociferar contra Bolsonaro, num festival de enunciados tão bonitos quanto inócuos.

Até quando vamos tutelar Bolsonaro?

Até quando vamos “governar” por ele – de maneira precária, uma vez que somos oposição – e deixá-lo imune a tudo?

Assim, a “travessia” não será apenas longa, será permanente.

O que eu sugiro?

Ora, ora, ora! Sair dessa mesmice insuportável de ostentar o próprio assombro diante da confusão geral de país, todos os dias!

Bolsonaro brinca, pula e atiça a militância porque não o deixamos governar, porque sobre ele não recai a responsabilidade de conduzir o país durante a crise econômica e sanitária. Ele simplesmente não tem nada com isso e diz não ter nada com isso.

O que fazemos? Ficamos chocados com suas declarações e prosseguimos em estado de choque contínuo.

Proponho 4 pontos fundamentais para dar início à retomada do raciocínio histórico:

  1. A esquerda precisa de uma comunicação nova, radicalmente nova, se possível liderada por um estrangeiro;
  2. É preciso deixar Lula livre para dizer o que pensa, sem “papagaios de piroca” bajulando seu discurso nem a política do varejo limitando sua intuição (Lula é maior que tudo isso);
  3. É imperioso trazer uma visão nova de país para que haja uma identificação nova dos brasileiros com o Brasil – para que os brasileiros voltem a pensar o Brasil como um país;
  4. É importante reatarmos os laços com os dissidentes do passado, restabelecer o perdão e começar do zero as articulações para 2022.

Fora disso, seremos atropelados por esta década que se inicia.

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10 comentários

  1. Vou explicar pra você de forma simples: enquanto a direita não tiver uma alternativa que vença LULA E O PT, vão continuar permitindo Bolsonaro. No momento que houver a alternativa, ele roda do jeito que Collor rodou.

  2. Sergio Batalha Mendes
    02.01.2021
    Bolsonaro e a construção de um personagem.

    Um dos equívocos que muitas pessoas têm cometido em relação a Bolsonaro é acreditar que ele seria tão tosco quanto aparenta. Outro é julgar que a divulgação de declarações ou gestos desastrados e grosseiros teria um efeito negativo sobre o seu eleitorado.

    Hoje já se pode afirmar com alguma segurança que Bolsonaro é um personagem que foi construído seguindo um figurino da extrema-direita mundial, contando inclusive com assessoria externa. Trump e Boris Johnson tem aspectos bem semelhantes e Bolsonaro copia visivelmente o primeiro em relação a diversos aspectos.

    O personagem Bolsonaro é um “cara do povo”, “sincero e honesto”, com um estilo propositadamente brusco, “mas que fala as verdades”. Ele atua no senso comum das camadas mais pobres e menos instruídas da população, divulgando mentiras e explicações absurdas que mantém sua popularidade em alta.

    Sua aparência física é propositadamente desleixada para reforçar a imagem de “homem do povo”, com direito a alguns palavrões e piadas grosseiras.

    A extrema-direita tem como projeto a destruição do Estado e suas instituições, ao menos da forma que as conhecemos. Ela investe contra os direitos civis e coletivos, contra a saúde e educação públicas, além de eliminar o papel do Estado na economia.

    Toda a legislação que regula a atuação das empresas é suprimida, inclusive a trabalhista, ambiental e de proteção ao consumidor.

    O Estado permanece forte apenas na área de segurança para reprimir os adversários políticos do regime e garantir a absoluta liberdade para as empresas e indivíduos mais ricos de explorar o restante da população.

    Assim, esqueçam o combate cultural e a tentativa de ridicularizar Bolsonaro sob a ótica de uma classe média instruída. É exatamente este debate ideológico e estético que interessa a Bolsonaro. Ele é o cara simples, que se atira no mar em Praia Grande (uma praia popular no litoral paulista), em oposição ao “riquinho” Dória, que usa roupas chiques e vai para Miami.

    O enfrentamento tem de se dar em relação aos resultados concretos da incompetência do seu governo.
    Temos de expor o fracasso econômico, na saúde pública, na ausência de uma política educacional. Em resumo, naquilo que afeta o cotidiano do cidadão.

    Trump perdeu nos EUA não apenas em função de uma unidade da oposição, mas, principalmente, pelo absoluto fracasso de sua política de enfrentamento da pandemia e o absurdo número de mortes que dela resultou.

    O caminho para a vitória em 2022 passa por esta divulgação dos fracassos do governo Bolsonaro e não de imagens ou declarações do personagem que ocupa a presidência.

    • Concordo plenamente.
      A mídia tá no papel dela, de pautar cada movimento dele, os demais deveriam procurar outra forma de comunicação para as besteiras do governo!

  3. Bolsonaro é o sintoma de uma doença social crônica que o país passa, gosto da analogia com fungos, o cogumelo é como Bolsonaro, ele necessita de um enorme corpo para surgir e prosperar, o corpo do fungo, ou micélio, são os Bolsonaristas que se alimentam do Brasil, o corpo em decomposição. O remédio, ao meu ver, não pode mirar no cogumelo, tem que mirar no corpo que o alimenta, incitar uma revolução nas organizações comunitárias que rejeite o estado burguês e todas as suas instituições. Se só retirarmos o cogumelo, outros virão.

  4. Vc está mantendo o mesmo e velho raciocínio que só existe esquerda e direita. Conheço uma leva que não apoiam o PT, e nem por isso são de direita ou apoiam o Jair. Esse teu discurso já começou errado.

  5. Re “identificação nova dos brasileiros com o Brasil” : bom será observarem a juventude urbana média que tem a conectividade digital incorporada em seu dia-a-dia, adotando os games e relacionamentos online como suas atividades de lazer cultural – e já com um elemento a se vincular politicamente, na figura do filho mais novo do Koiso. Não sei o tamanho dessa ‘comunidade’ – talvez não venha a ser significativa politicamente, mas também a imprensa não mostra o real ‘tamanho’ dessa turba praiana que vibrou com a ‘performance’ popularesca do dito cujo no balneário paulista; sabemos que estes não são radicais tresloucados como aqueles poucos que pretendiam tacar fogo na Constituição meses atrás na capital federal. Aliás parece que essa tropa já era, evaporada no cenário próximo futuro – o Koiso continua no entanto a fortalecer o vínculo ås polícias e especialmente å polícia rodoviária federal (não faço bem ideia o porquê dessa corporação em particular).

  6. Sim, apontar o fracasso no enfrentamento a pandemia parece fundamental – mas isso passa por ressaltar e ecoar, amplificar a contestação (agora já praticamente revolta) do corpo trabalhador que enfrenta diariamente altos riscos atendendo e cuidando da saúde da população, vê companheiros caírem vítimas do vírus e ainda têm que engolir idiotice negacionista semanal do elemento que se arvorou a ocupar o cargo dirigente mais alto da nação. A mim parece muito pouca a atenção que, em geral na imprensa, se dá ås exclamações e reivindicações desse corpo que é bastante amplo.

  7. Primeiramente concordo com Conde sobre as diretrizes ara a comunicação da esquerda.
    No entanto chamo atenção para um trecho do texto “Miseravelmente, a imprensa tradicional se juntou à esquerda para vociferar contra Bolsonaro, num festival de enunciados tão bonitos quanto inócuos”. Isso demonstra que a mídia hegemônica, também perdeu seu poder de manipulação. Recordando, a Globo me 2016, trabalhou para derrubar Temer, conseguiu baixar sua popularidade a niveis nunca visto, mas não o tirou da presidência. Nesse caso a Congresso, não deixou. Isso possibilitou o aparecimento do Bozo com uma linguagem de comunicação nova, underground. Bozo eleito continuou com a rede de pé, e com isso a sua popularidade não cai, ele fala diretamente com esse publico. Auxiliado pela mídia hegemônica que continua demonizando o PT, corrupto, e dando espaço para esquerda que não faz a diferença PSOL.

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