24 de junho de 2026

Bolsonaro perdeu o timing da fuga?, por Fernando Castilho

A PF, ciente das possibilidades de fuga, alertou para o risco: com sua casa tão bem localizada, Bolsonaro poderia facilmente pular o muro
Imagem gerada por Inteligência Artificial

Bolsonaro perdeu o timing da fuga?

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por Fernando Castilho

A medida cautelar imposta a Jair Bolsonaro — prisão domiciliar em uma casa alugada pelo PL no Condomínio Solar de Brasília, uma das áreas mais nobres da capital — evidencia com nitidez como a Justiça brasileira interpreta o artigo 5º da Constituição Federal, que afirma que todos são iguais perante a lei. Bem, todos — desde que a palavra “todos” não inclua figuras como Bolsonaro, claro.

O ex-presidente responde por uma série de crimes relacionados à tentativa de golpe de 8 de janeiro, que, se tivesse sido bem-sucedida, teria colocado o país a seus pés. A previsão é que ele enfrente uma pena de 35 a 40 anos de prisão. Além disso, embora inexplicavelmente, o genocídio praticado por ação ou omissão durante a pandemia da Covid-19 permanece sem punição.

A Polícia Federal, ciente das possibilidades de fuga, alertou para o risco: com sua casa tão bem localizada, Bolsonaro poderia facilmente pular o muro, entrar no porta-malas de um carro qualquer e, em poucos minutos, alcançar a Embaixada dos Estados Unidos. De lá, bastaria embarcar e se reunir com o filho, já consolidado como um dos maiores traidores da pátria.

O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, no entanto, não viu problema nesse cenário. A princípio, negou o policiamento interno da residência e considerou excessiva a ideia de revistar os carros dos moradores.

Em 2018, durante a intervenção militar nas comunidades do Rio de Janeiro, ninguém questionou a revista de veículos em busca de traficantes ou armas. Mas, evidentemente, o tratamento varia conforme quem está do outro lado do balcão do artigo 5º.

A situação parecia um convite à fuga, com o ex-presidente podendo escapar à vista de todos. Somente após insistência por um cenário mais seguro, o ministro Alexandre de Moraes determinou o óbvio: que todas as brechas fossem monitoradas e os porta-malas, revistados.

Agora, a possibilidade de fuga parece cada vez mais remota. Não se sabe se Jair Bolsonaro, por intermédio de seus aliados ou do filho 03, chegou a pedir asilo na embaixada — é até possível que a resposta esteja demorando a chegar ou tenha sido negada. O fato é que ele perdeu o timing da fuga, e agora somente um resgate por parte da CIA poderia livrá-lo do julgamento. Se vai acontecer, temos menos de duas semanas para saber.

Em face de tudo o que vem acontecendo, é de se notar o excesso de zelo com que um dos piores criminosos de nossa história vem sendo tratado por nosso Poder Judiciário — o mesmo que, caso o golpe tivesse sido bem-sucedido, seria extinto.

Aliás, como prometeu em 2018 o filho 03, ora traindo a pátria nos EUA: “Para fechar o STF não precisa nem de jipe. Basta um cabo e um soldado.”

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

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Fernando Castilho

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    3 de setembro de 2025 7:57 am

    Não seria mérito do Lindbergh Farias, e não da PF, a constatação e o alerta da possibilidade de fuga do Ratonaro?

    1. Fernando Castilho

      3 de setembro de 2025 10:23 am

      Acho que é mérito dos dois. Lindbergh constatou a fragilidade da vigilância de Bolsonaro. E a PF alertou que estaria impossibilitada de exercer sua função com rigor, caso outras medidas não fossem tomadas.

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