Cadê a repercussão?, por Rui Daher

 

Por Rui Daher

A pergunta é singela, mas não quer calar. Vem curta e grossa.

O que têm a dizer as folhas e telas cotidianas contrárias ao Brasil sobre a matéria de capa da atual edição da revista CartaCapital “O Príncipe da Casa-Grande”? Valem concepção de capa, editorial de Mino Carta e, principalmente, o excelente trabalho de pesquisa e texto de Alceu Luís Castilho, jornalista, editor do site De Olho nos Ruralistas, colaboração de Igor Carvalho.

Por que ninguém publicará uma palavra sobre essas 14 páginas? Por que nenhuma resposta às comprovações lá postas? Nenhuma contestação, nem mesmo que fosse para disfarçar, mostrando o ex-presidente um baluarte dos agronegócios, tantas suas terras, canaviais e bovinos, conquistados numa teia de corrupção e favores, engendrada em sociedades que vão se sucedendo de pai para filhos, na medida em que o príncipe se associa ao Rei do Gado, Jovelino Carvalho Mineiro Filho, entre outras honras, sócio em empreendimentos junto com Emílio Odebrecht.

O autor da matéria anuncia que pouco veremos sítios mixurucas, pedalinhos ou tríplex em praia brega.

O buraco é mais encima. A matéria, exemplarmente, une os filmes italianos A Doce Vida (Fellini), A Comilança (Marco Ferreri) e A Grande Beleza (Sorrentino), para nos mostrar como as rodas chiques, desde que bem transacionadas, chegam a Paris, e não como o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, chegou.

Não resisto meter aqui uma galhofa: quantos anos levariam Lula e Dona Marisa Letícia, a pé, conforme foto antológica, ele carregando um isopor na cabeça até chegarem à Avenue Foch? Ou considerariam a possibilidade de singrar mares em seus pedalinhos?

Não me alongarei. Nela conhecerão como os cartórios e registros de imóveis no Brasil, fazem fácil tudo que a elite econômica quiser esconder e mostram o que a OAS não quis mostrar.

Leia também:  Luiz Fux e o neonazismo constitucional, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Na matéria, conhecerão fortunas terceirizadas a filhos, advogados, prefeitos podres, aberrações contra o Código Florestal, malfeitos da Sabesp e do governador Alckmin, executivos de Camargo Corrêa propinando, a decrépita Sociedade Rural Brasileira, em São Paulo, influenciando votos, imbróglios de heranças em famílias como Sodré e Mellão. “A Teia”. Todos limpinhos e acoitados pelo Poder Judiciário Grisalho brasileiro.

Apenas indico a importância e que leiam a matéria completa, lição do que deveria ser jornalismo investigativo.

“Eu apoio o jornalismo de CartaCapital”, repetindo o que dizem José Trajano, Juca Kfouri, Gregório Duvivier, Djamila Ribeiro e Laerte.

Foi quando um amigo italiano me falou:

Ma chi ti conosce?

Nessuno, naturalmente. Ma, l’imbecille prenderà in culo. È mio diritto parlare.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

13 comentários

  1. Caríssimo Rui,

    Meus sonoros e tronitoantes respeitos:

    – Uai, não diz o velho adágio que quem se mistura com porcos do mesmo farelo come?

    Pois então.

    Boa parte dos que cevaram o mandarinato de ffhhcc, o príncipe da privataria, e recentemente, o golpe de 2016, estiveram nas páginas de carta capital e sua colonizadíssima “premiação de costumes empresariais”, chamada de “as mais admiradas”.

    Os setúbal, os odebrecht, o garoto da natura (nem mais tão garoto), o pessoal da inbev, e por aí vão.

    Agora o mino reclama de quê?

    Festejou a casa grande, imaginando que sua mestiçagem italiana lhe conferisse um passe para ser escravo-escriba, e agora tá reclamando da escuridão da senzala?

    Toma!

     

  2. Saiu no Jornal Nacional? Então não aconteceu, Rui

    A porca revista VEJA, também conhecida como detrito de maré baixa, se jacta de ter sido a responsável pela derrubada do governo de Fernando Collor e da República das Alagoas, com a matéria de capa da edição de 27 de maio de 1992, que disparou o processo, “Pedro Collor conta tudo”.

    Mentira da grossa, como sempre. Cerca de um ano antes, em 1991, a revista IstoÉ, então sob a direção de Mino Carta, desvendava e denunciava toda a lambança do PC Farias, em extensa reportagem assinada pelo Bob Fernandes (Mino Carta sempre em ótimas companhias). Repercutiu? Claro que não. Por que? Porque o diretor de redação de IstoÉ era o Mino Carta, o proscrito. Saiu no Jornal Nacional? Então simplesmente não aconteceu.

    Sei disso por três motivos: 1) na época era assinante das duas publicações; 2) Mino Carta já se referiu a isso dezenas de vezes em editoriais na Carta Capital; e 3) sou devoto de Mino Carta desde 1976 (*)

    Resumo da ópera: FHC continuará passeando nas tardes fagueiras pelos corredores  do Shopping Higienópolis, impávido colosso, afinal não saiu no Jornal Nacional e nem vai sair. Saiu na Carta Capital, portanto não aconteceu. 

    PS.: 

    (*) 1976 – Ponta Porã (MS) – Conheci um ex-grande amigo, cunhado e agregado do gerente do BB, onde trabalhava. Tínhamos total identidade, filmes, livros, leituras e um grande amor pelo álcool, em que pese meus 20 anos na época, ele já na casa dos 30/35. Nossa rotina aos sábados era fantástica. O primeiro que levantasse tinha incumbência de ir até a única banca da cidade e comprar três publicações, a Veja, a recém-lançada IstoÉ, e o Pasquim, que chegava com uma semana de atraso. Depois, o ponto de encontro era o Stalo Chopp, defronte a rua que separava Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. 

    Ali passávamos o dia inteiro naquilo que chamava de “montar escritório no bar”, chegávamos às 11h00 da manhã e só saíamos por volta da meia-noite, em direção à boate Chacrinha, o mais famoso cabaré da fronteira. Passávamos o dia lendo as publicações e debatendo, ele na cuba-libre (pedíamos sempre um litro fechado de rum) e eu na cerveja, nossa única divergência. 

    Uma tarde, já perto do crepúsculo, ele pega a IstoÉ e pede que eu leia um artigo enfatizando, “leia, é do Mino”. Acabei de ler e fiz inocentemente a pergunta que não deveria ter feito: “quem é Mino Carta?”. 

    Pra quê. Deu um soco na mesa que fez tremer copos e garrafas. Não satisfeito, apesar dos 1,85 metro, subiu no banco, do banco pulou pra cima da mesa, o que o deixou mais alto ainda, e com os braços erguidos quase a tocar no teto bradou a ple nos pulmões: “Porra, como é que você quer ser meu amigo se não sabe quem é Mino Carta?”

    Já conhecia os arroubos do ex-grande amigo, de modo que apenas falei: “Olha o vexame, desce daí e me conte quem é esse tal de Mino Carta.” Desceu, e contou, qual preceptor para o discípulo, toda a história desde a Veja, quatro rodas, etc. 

    E foi assim que fui apresentado ao Mino Carta, em 1976, no Stalo Chopp, a poucos metros da divisa com o Paraguai. Tive a oportunidade de contar isso a ele em 2011, numa pizzaria nos Jardins, com mais detalhes. Rendeu boas risadas. 

  3. Arrasou bonito

    Sempre gosto de ler seus artigos. Têm muita profundida.Este mostra o que a mídia esconde. Nem fala. Nem resmunga. Nem quer que se comente.

    O neoliberalismo, que abortou depois da ditadura militar,  teve seu ápice no governo FHC. E quase, de fato, colocou um  requiescat in pace em todo o nosso País.

    Poucos sabem, na verdade de tudo que Mino escreveu e que você, neste ótimo artigo, onde  tive momento de muita reflexão com suas ironias, máxime:

    “Não resisto meter aqui uma galhofa: quantos anos levariam Lula e Dona Marisa Letícia, a pé, conforme foto antológica, ele carregando um isopor na cabeça até chegarem à Avenue Foch? Ou considerariam a possibilidade de singrar mares em seus pedalinhos?”

    Perfeito. Maravilha.

  4. Rastaquera

    A ópera bufa Le Bresilien explica FHC. Ou a HQ (História aos Quadradinhos, como dizem em Portugal) Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa, de autoria de Raphael Bordallo Pinheiro, que caricata a viagem do Imperador de Rasilb, anagrama de Brasil, pela Europa, em 1871 (?!?), por aí. Vou desenhar, não que seja necessário, mas é possível, e lícito, tirar algum proveito “dessa porra”. Todos já sabem o que significa rastaquera. Acaso alguém não saiba, pegue no Galeão um vôo (assim) para Miami Beach. Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta. Ou mude para Portugal. Ou Paris, falando inglês, melhor que o francês, para não correr o risco de encontrar com um herdeiro do Anatole France, aquele que adorou a elite paulista (não pode rir). Chega. 

  5. Sem ilusões

    Mas Rui você acha que o quarteto fantastico da imprensa nacional (Globo, Folha, Estadão e Veja) vão repercutir alguma coisa que seja que indique ao brasileiro médio que o governo de Fernando Henrique Cardoso foi corrupto? FHC, Serra, Alckmin, lêem isso e riem e depois dizem aos amigos “lixo, lixo, lixo”. Assim sera que enquanto a imprensa e o MPF “atuarem juntinhos” para encobrirem a corrupção do PSDB e acusarem todos os dias Lula e PT.

    Parabéns a Carta Capital e vida longa a Mino Carta!

  6. fegaçê, vice de ÇERRA45 em 2038 viiiiiiiiiiiiixe!

    “ex-presidente um baluarte dos agronegócios”

    Seu Rui, No imaginário popular esse kara deve ser apenas um testa de ferro. Do Lulinha, filho do Lula. Que, riquissimo, é dono de quase todas as fazendas do Brasil. De bilhões de cabeças de gado. Até Ferrari de ouro o moço tem. O avião então nem te conto. E pensar que o último emprego dele antes do pai ser eleito pela peãozada era de limpador de bosta de elefante no zoológico. ….Tantas vezes eu já ouvi isso que deve ser verdade. O Sr. sabe: onde tem phumaça…

    Leve essa sugestão para o seu Mino: Fazer uma investigação séria e completa das posses desse moço e do resto da família Lula para todo Brasil conhecer a realidade.

  7. Rui, gosto de seus textos,

    Rui, gosto de seus textos, mas agora estou mais focado naqueles da Carta Capital, principalmente sobre agricultra familiar. Estou trabalhando na edição de um vídeo, com imagens e entrevistas de Juruena, Noroeste de Mato Grosso. Esse lugar vale a pena conhecer pelo trabalho dos agricultores com agroecologia, ameaçada cada vez mais pelo avanço da pecuária. Por favor, entra em contato comigo, que daqui a duas semanas terei algo finalizado pra te mostrar.

  8. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome