Candidaturas de policiais, por Francisco Celso Calmon

Seus membros não fazem atividade de política cidadã, quando fazem política é geralmente coorporativa. E quando saem candidatos estão apoiados e contando com os votos de suas corporações.

Candidaturas de policiais

por Francisco Celso Calmon

O histórico das Forças Armadas brasileiras é de golpes, autoritarismos e ditaduras. O histórico das polícias (federal, estadual, civil ou militar) é de violência contra pobres, negros, mulheres e às pessoas do grupo LGBTI, diuturnamente, e quase sempre reprimindo as manifestações de ruas dos estudantes e trabalhadores. A defesa da propriedade e da ordem é o vetor de suas operações. São adestrados para o uso da violência desmedida nessa defesa.

Essas instituições são corporações armadas. Detêm o poder da força. Durante a ditadura militar, sem exceção, foram nossos algozes. Algumas disputavam entre si quem seria mais verdugo.

Quando uma pessoa entra em qualquer dessas instituições, entra, em regra, para fazer o mesmo. Ninguém presta concurso para entrar e modificar o modo de atuar delas.

Seus membros não fazem atividade de política cidadã, quando fazem política é geralmente coorporativa. E quando saem candidatos estão apoiados e contando com os votos de suas corporações. Não são candidaturas de representação social, em princípio, e sim de suas instituições. São com o apoio e os votos de seus pares que contam para se elegerem, são com eles seus compromissos estruturais.

É sintomático como esses policiais candidatos se apresentam com a patente ou função, capitão, delegado etc., evidenciando as suas identidades com as corporações das quais são oriundos.

Lênin em o “Estado e a Revolução”: “Como o Estado nasceu da necessidade de refrear os antagonismos de classes, no próprio conflito dessas classes, resulta, em princípio, que o Estado é sempre o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante que, também graças a ele, se torna a classe politicamente dominante e adquire, assim, novos meios de oprimir e explorar a classe dominada”.

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O fato de serem assalariados não os colocam no rol das classes trabalhadores. Não estão na base produtiva. A função dessas instituições armadas é a manutenção da ordem capitalista. É o braço repressivo da classe dominante, e protagoniza abusos às mulheres, às pessoas do grupo LGBTI e assassinatos de negros e pobres cotidianamente.

Para a polícia a propriedade está acima da vida, por causa de um furto de celular é capaz de matar. Por tudo, é uma instituição odiada pela maioria do povo, com todas as razões.

Trotsky, organizador do Exército Vermelho, em “Revolução e Contrarrevolução na Alemanha” debatendo contra as ilusões da socialdemocracia alemã na polícia, afirmava que “um trabalhador que entra para a polícia deixa de ser um trabalhador, passa a ser um agente fardado da burguesia”.

Tanto as FFAA como as instituições policiais devem ser estruturalmente reformadas, começando pela desmilitarização da PM e o direcionamento das Forças Armadas para as fronteiras, combatendo o tráfico de armas, drogas e de madeiras, e deixando de ter como alvo o inimigo interno.

Membros dessas instituições que desejarem entrar para a política partidária, deveriam antes se desligarem, entregando, inclusive, suas armas.

Os parlamentares da bala são exemplos que não devem prosperar.

No segundo turno, em regra, votar contra os candidatos bolsonaristas e policiais. Poderão arguir: mas existem policiais antifascistas? É verdade, mas, preferencialmente, que fiquem nas suas corporações, se organizem em núcleos, debatam, proponham mudanças e resistam ao fascismo de seus chefes. São exceções e devem ser tratadas como tais, sem menosprezo e sem supervalorização. Portanto, se a candidatura de um policial neste segundo turno for uma opção à esquerda frente a outra de direita, consideremos a alternativa como exceção.

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No Espirito Santo o candidato Pazolini é delegado e bolsonarista de raiz. Ele invadiu hospital, após pedido de Bolsonaro para mostrar a “farsa” da Covid-19, permaneceu duas horas na unidade para pacientes do novo coronavirus. Ele também ajudou a ministra Damares a tentar impedir aborto daquela menina de 10 anos. E é cria e aliado daquele ex-senador Magno Malta.

Imaginemos um prefeito negacionista quando a vacina chegar, é capaz de sabotar a aplicação.

Todas os eleitores capixabas do bem devem votar no seu adversário de centro-esquerda, João Coser, do Partido dos Trabalhadores, com handicap administrativo (duas vezes prefeito) e de relacionamento amigável com o governador do estado, diferente do seu adversário bolsonarista, pessoa de relação difícil com Renato Casagrande. Reforça ainda mais a sua candidatura ter na vice uma mulher, negra e identificada com os movimentos sociais como é Jackeline Rocha.

Este texto visou abordar uma questão, a do crescimento das candidaturas de policiais, consciente de que em toda seara profissional e política há pessoas progressistas, contudo, nessas instituições o comum não é esse, e não poderia ser diferente, pois enquanto estão incorporadas vão cumprir suas atribuições de Estado, conforme adestramento recebido.

Que este segundo turno seja caracterizado como antibolsonarismo nazifascista.

Francisco Celso Calmon, da coordenação do canal Resistência Carbonária, ex-coordenador da Rede Brasil Memoria, Verdade e Justiça – RBMVJ

 

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5 comentários

  1. Calmon, faço suas palavras as minhas. Pena que poucos nacionalistas neste país tenham a CORAGEM de questionar a instituição policial. Vida longa a ti.

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  2. Policial não é um Brasileiro Trabalhador? Todos Brasileiros, em especial, as Classes Trabalhadoras não devem ser representadas? Por aqui, não se defendem as Classe Trabalhadoras na figura do Partido dos Trabalhadores? Bipolaridade tem cura? Pobre país rico….

    • Não, “robolsonarista”, policial não é trabalhador, é agente do Estado, podendo nem ser considerado “servidor público”, pois serve aos ricos.
      Outra: temos as PMs, uma jaboticaba, só existe nesta economia escravista (vide o brasão da PMERJ); fardado não tem direito à sindicalização. Está na Constituição.
      Se insatisfeitos, busquem outra profissão, até porque ingressam nas polícias não por “motivos nobres”, como já explicitado no artigo do autor.

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  3. O artigo mostra claramente essa distorção. Há funções e carreiras que não podem se misturar com a atividade partidária. Alguém da mão armada do Estado quer se enveredar na política? Ótimo. Mas deixe sua função primitiva, desvista definitivamente a farda e o coldre do Estado. Política partidária tem lado, tem aliado, tem adversário. A mão armada do Estado, não. Assim, com vedações, já é com juízes e promotores, os quais têm q se exonerar de suas carreiras se quiserem assumir outras, embora ainda assim devesse haver uma quarentena efetiva. Não basta uma “licencinha” em período eleitoral: de dia faz campanha; à noite lustra o distintivo e limpa a arma… Resultado: uma enorme mistura que propicia, de um lado, a perseguição de adversário político como se inimigo do Estado fosse; de outro, proteção e leniência da mao estatal quando se trata de malfeitores “aliados”.

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