Chamando Fernando Henrique Cardoso às falas, por Rui Daher

Chamando Fernando Henrique Cardoso às falas, por Rui Daher

Após ler a entrevista que o ex-presidente deu ao Valor, sucursal paulista de O Globo, para promover seu novo livro “Crise e Reinvenção da Política no Brasil”, preparei um artigo, não publicado. No mesmo dia, Luís Nassif abordara o caráter do ex-presidente de forma muito melhor que a minha. Li a entrevista. Não lerei o livro. Tem coisas mais interessantes sendo publicadas.

Na entrevista, Fernando Henrique Cardoso remonta às mesmices de sempre por que folhas e telas cotidianas tanto se encantam. Mostra a mesma vaga retórica e a imagem soberana de como a elite econômica brasileira gostaria de se ver e por alguém assim ser mandada.

Tudo ali, no texto da jornalista Maria Cristina Fernandes, parece luxuoso. Os encômios e salamaleques, o ambiente de seu apartamento nas fotos de Ana Paula Paiva, dedos decanos entrecruzados como a explicar Macunaíma a Hanna Arendt. A matéria informa lá presentes companheiros tucanos e o presidente de um grande banco. Quem melhor para aceitar suas justificativas de excelência em todas as áreas?

Bem, deixemos para lá. Reflitam e tentem entende-lo. Levem o tempo que quiserem. Provavelmente, afora seus afinados companheiros de Instituto, desistirão.

“Para fazer reformas mais profundas, o Brasil precisa de lideranças que reflitam a emergência de uma nova sociedade”.

Opa, sim, pois não, ora pois, tudo 12 por 8, quanto devo pela consulta? Reforma, profundidade, lideranças, nova sociedade. Clamo aos espíritos do Barão de Itararé, Millôr Fernandes e Ivan Lessa. Estaria Fernando a querer rivalizá-los no humor?

Tudo ali, entrevista e livro, serão rebuscamentos sociológicos e literários de autor que, decadente, não quer sair dos palcos, mesmo já retirados cenários e apagados holofotes.

Um ponto, no entanto, que me servirá de transição para assunto que muito intriga e enfurece a AK-47.

A certa altura, o ex-presidente, perguntado se pretendia ir visitar o presidente Lula na cadeia, responde: “(…) não cogitei do assunto. Nunca me recusei a conversar com ninguém. Sempre tive relações cordiais com o presidente Lula. Agora, nunca fui à cadeia visitar ninguém. Nem do meu lado, nem do outro lado. Não me coloquei a questão. Não posso dar o valor simbólico de estar contra a Justiça. Quando esse valor não existir mais, quem sabe o que eu vou fazer?”

Daqui a 12 anos e um mês, aos 98 anos, professor? Se não estiver no túmulo, o que não desejo, até lá conseguirá descer sozinho do muro, disfarçar o cinismo, o escárnio com seu ideário mais antigo, a memória de Ruth que entendia Marisa? Valor simbólico contra a Justiça, ora pois?

Interrompo o palavrão. Ninguém melhor, por ter sido presidente do Brasil em dois mandatos, para saber a falsidade das injunções processuais contra Lula. Recebeu-as similares e Lula nunca desabonou sua honestidade. Eu seria mais grave.

Alega não ter lido os autos. Ridículo. Iria lê-los? Intelectuais, sejam lá suas orientações políticas, precisam lê-los para entenderem o que foi o impeachment de Dilma, a prisão de Lula, e seus interesses nela?

Volto leve ao xingamento. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está canastrão de shopping centers. Tem pregioça, mas não confessa. Nunca se deu ao trabalho, amigos de direita me confessam. Sua dívida com Lula é até maior do que a de José Sarney, Fernando Collor e outros políticos de direita a quem Lula, equivocadamente, se aliou e ajudou. É,  pois,sua obrigação de caráter pedir permissão para visitar Lula preso, já que menciona atos simbólicos.

A FHC, apenas interessa Lula fora das eleições. Em suas escrotas alcovas políticas é esse o papo preferido. Medo por saberem quem o povo elegeria.

Tiram, por corruptos e imorais, o cu da reta, e apoiam o Justiceiro “Thin Lips” Curitiba e sua carcereira Carolina “No Experience” Lebbos, resguardados pelo Judiciário brasileiro em seu pior momento.

O óbvio u(Lula)nte, sem burrice, somente a esquerda pede e é impedida de visitar Lula na cadeia. Esquível, Boff, Mujica, Suplicy, políticos dos partidos de esquerda, membros de CUT, MST, MTST, UNE, e até mesmo alguns governadores alinhados com Lula ou Ciro Gomes. Não se deve falar em povo nos recintos da PF. Nunca. Ministério Público e Polícia Federais ganham os tubos. Você paga até quando eles, operários das leis da elite, pedem aumento e fazem greves.

Qual o canalha de direita ou centro (existe?), ou pleonástico banqueiro, com proeminência aqui ou no exterior, devendo apoio, favores, e próximos conhecedores do caráter e da receptividade de Lula ao recebe-los, pediu permissão para visita-lo, sabendo que nem mesmo na cadeia deveria estar?

Ou todos acreditam no tríplex-piada? Sabendo quanta água escocesa rolou e rolará debaixo de suas pontes? Hipócritas. VTNC.

Com todo o respeito, professor Cardoso, enfie o “valor simbólico de estar contra a Justiça” no fundo de sua relíquia   

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