Ciro Gomes propõe “fiscalizar sem trégua” governo Bolsonaro

Para ex-governador nova gestão tem “potencial de confusão”, misturando “graves problemas” de “incompetência e despreparo”
 
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
 
Jornal GGN – O ex-governador do Ceará e ex-candidato à presidência da República, Ciro Gomes (PTB), em artigo publicado na Folha de S.Paulo nesta terça-feira (01) fez um apontamento do que espera do quadro político em 2019.
 
Apesar de apresentar certo pessimismo pelo quadro social e econômico do país e da falta de experiência do novo governo, Ciro abordou o sentimento de renovação da maioria dos brasileiros como um ponto importante para ajudar a construir uma direção positiva, entretanto, chamou atenção para a população e políticos colocarem os pés na realidade.
 
“Alguns números: quase 13 milhões de pessoas desempregadas; 17 milhões de pessoas vivendo de bico na informalidade; 63 milhões de pessoas com nome sujo no SPC; endividamento empresarial recorde; déficit público de R$ 130 bilhões, dívida pública superior R$ 5,2 trilhões, um quarto disso vencendo em poucos dias; 63,8 mil homicídios nos últimos 12 meses; 60 mil estupros no mesmo período; dengue, chikungunya, malária e sarampo epidêmicos e um grave problema de atenção básica de saúde, agravado pela saída dos médicos estrangeiros”.
 
A reversão desse quadro não será fácil para o Brasil. “Para quem permitiu a percepção simplificada ao extremo dos problemas e se deixou ver como capaz de resolver tudo a golpes de frases feitas ou de uma radicalizada retórica que mistura moralismo com ideologia estreita…Eis as razões de meus temores”, arremata o ex-governador.  
 
Ciro reflete, com base em sua experiência política, que o cenário previsto para este ano é “uma grande interrogação”, nesse contexto, dificilmente o Brasil conseguirá superar significativamente os problemas econômicos-sociais, considerando a chegada ao Planalto de uma equipe neófita no Executivo e, que, ao mesmo tempo aponta para a manutenção dos mesmo vícios políticos que atacou durante a corrida eleitoral:
 
“Ninguém sabe, a meros momentos do início efetivo do novo governo, o que vai ser. Nenhuma proposta concreta, nenhum diálogo sistemático com a intrincada federação política do país, e os primeiros escândalos já têm o velho tratamento de antanho: “Fiz, mas eles (PT) fizeram também”. Familiares apontando potencial escandaloso também é história velha. Assim como a relativização de valores com que se olham a si e aos adversários”.
 
Ao mesmo tempo, Ciro considera que haverá “alguma reversão” positiva do quadro social-econômico herdado do período Dilma/Temer, mas reafirmando a análise de que o novo governo traz consigo “potencial de confusão” para o Brasil, pela “mistura de graves problemas, grave [de] incompetência e despreparo, equipe fraca e desconhecimento do país me permite apostar mais na sorte…Que ela ajude nosso Brasil!”
 
Nesse sentido, a oposição terá papel fundamental para reorientar o Executivo:
 
“É preciso evitar o oportunismo rasteiro e demagógico; atrair o governo para o jogo democrático, forçá-lo a atuar dentro da institucionalidade, oferecer alternativas práticas ao equívocos sem negar a complexidade dos problemas, muito menos explorar as muitas contradições derivadas da retórica tosca. A cada bobagem, uma proposta! E fiscalizar sem tréguas”. Para ler o artigo na íntegra, clique aqui. 
 

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